2 Samuel 24 Estudo: O Censo e a Vaidade de Davi

É impossível determinar a data deste episódio apenas de 2 Samuel, mas a versão paralela em 1 Crônicas 21, o coloca antes das instruções de Davi a Salomão sobre a construção do templo (1Cr 21: 28-22: 19). O censo deve ter chegado tarde no reinado de Davi, e pode ter sido parte do plano de sucessão dinástica em antecipação à chegada de Salomão ao poder (2 Samuel 24:1–3).

Por razões não declaradas, o SENHOR estava zangado contra Israel, e Ele levou Davi a ordenar que fosse feito um censo. Em 1 Crônicas 21:1, essa motivação é atribuída a (lit.) “a Satanás” (ou adversário).

Isso não é uma contradição porque o Senhor simplesmente permitiu que Satanás induzisse Davi a um curso de ação impróprio, a fim de que Israel pudesse ser punido e que Davi fosse instruído.

Isso é semelhante ao fato de o Senhor permitir que Satanás afligisse Jó (Jó 1:12; 2: 6) e permitir que um espírito maligno atormentasse Saul (1 Sam. 16:14; veja os comentários lá). Em todo caso, o próprio Senhor não incitou Davi a fazer o mal, porque “Deus não pode ser tentado pelo mal, nem ele tenta a ninguém” (Tiago 1:13).

As razões para o desejo de Davi por um censo também não estão claras, embora o fato de ele ter apenas contado militares (2 Sm 24: 2, 9) sugere que ele estava interessado em determinar sua força militar.

E aqui estava o pecado – ele provavelmente fez isso para poder se gabar do poder humano. Isso pode estar implícito na pergunta de Joabe sobre por que o censo deveria ser realizado.

Deus era capaz, segundo Joabe, de multiplicar suas tropas o quanto fosse necessário, então por que Davi sentiu a necessidade de avaliar sua força? (1)

Esboço de 2 Samuel 24:

24.1 – 9: O censo e a vaidade de Davi

24.10 – 17: O juízo de Deus sobre Davi

24.18 – 25: O altar de reconciliação

 

2 Samuel 24.1 – 9: O censo e a vaidade de Davi

1 Mais uma vez irou-se o Senhor contra Israel e incitou Davi contra o povo, levando-o a fazer um censo de Israel e de Judá.

2 Então o rei disse a Joabe e aos outros comandantes do exército: “Vão por todas as tribos de Israel, de Dã a Berseba, e contem o povo, para que eu saiba quantos são”.

3 Joabe, porém, respondeu ao rei: “Que o Senhor, o teu Deus, multiplique o povo por cem, e que os olhos do rei, meu senhor, o vejam! Mas, por que o rei, meu senhor, deseja fazer isso?”

4 Mas a palavra do rei prevaleceu sobre a de Joabe e sobre a dos comandantes do exército; então eles saíram da presença do rei para contar o povo de Israel.

5 E atravessando o Jordão, começaram em Aroer, ao sul da cidade, no vale; depois foram para Gade e de lá para Jazar,

6 Gileade e Cades dos hititas, chegaram a Dã-Jaã e às proximidades de Sidom.

7 Dali seguiram na direção da fortaleza de Tiro e de todas as cidades dos heveus e dos cananeus. Por último, foram até Berseba, no Neguebe de Judá.

8 Percorreram todo o país e voltaram a Jerusalém ao fim de nove meses e vinte dias.

9 Então Joabe apresentou ao rei o relatório do recenseamento do povo: havia em Israel oitocentos mil homens habilitados para o serviço militar, e em Judá, quinhentos mil.

2 Samuel 24.10 – 17: O juízo de Deus sobre Davi

10 Depois de contar o povo, Davi sentiu remorso e disse ao Senhor: “Pequei gravemente com o que fiz! Agora, Senhor, eu imploro que perdoes o pecado do teu servo, porque cometi uma grande loucura!”

11 Levantando-se Davi pela manhã, o Senhor já tinha falado a Gade, o vidente dele:

12 “Vá dizer a Davi: Assim diz o Senhor: “Estou lhe dando três opções de punição; escolha uma delas, e eu a executarei contra você””.

13 Então Gade foi a Davi e lhe perguntou: “O que você prefere: três anos de fome em sua terra; três meses fugindo de seus adversários, que o perseguirão; ou três dias de praga em sua terra? Pense bem e diga-me o que deverei responder àquele que me enviou”.

14 Davi respondeu: “É grande a minha angústia! Prefiro cair nas mãos do Senhor, pois grande é a sua misericórdia, a cair nas mãos dos homens”.

15 Então o Senhor enviou uma praga sobre Israel, desde aquela manhã até a hora que tinha determinado. E morreram setenta mil homens do povo, de Dã a Berseba.

16 Quando o anjo estendeu a mão para destruir Jerusalém, o Senhor arrependeu-se de trazer essa catástrofe, e disse ao anjo destruidor: “Pare! Já basta!” Naquele momento o anjo do Senhor estava perto da eira de Araúna, o jebuseu.

17 Ao ver o anjo que estava matando o povo, disse Davi ao Senhor: “Fui eu que pequei e cometi iniquidade. Estes não passam de ovelhas. O que eles fizeram? Que o teu castigo caia sobre mim e sobre a minha família!”

2 Samuel 24.18 – 25: O altar de reconciliação

18 Naquele mesmo dia Gade foi dizer a Davi: “Vá e edifique um altar ao Senhor na eira de Araúna, o jebuseu”.

19 Davi foi para lá, em obediência à ordem que Gade tinha dado em nome do Senhor.

20 Quando Araúna viu o rei e seus soldados vindo ao encontro dele, saiu e prostrou-se perante o rei com o rosto em terra,

21 e disse: “Por que o meu senhor e rei veio ao seu servo?” Respondeu Davi: “Para comprar sua eira e edificar nela um altar ao Senhor, para que cesse a praga no meio do povo”.

22 Araúna disse a Davi: O meu senhor e rei pode ficar com o que desejar e oferecê-lo em sacrifício. Aqui estão os bois para o holocausto, e o debulhador e o jugo dos bois para a lenha.

23 Ó rei, eu dou tudo isso a ti”. E acrescentou: “Que o Senhor, o teu Deus, aceite a tua oferta”.

24 Mas o rei respondeu a Araúna: “Não! Faço questão de pagar o preço justo. Não oferecerei ao Senhor, o meu Deus, holocaustos que não me custem nada”, e comprou a eira e os bois por cinquenta peças de prata.

25 Davi edificou ali um altar ao Senhor e ofereceu holocaustos e sacrifícios de comunhão[85]. Então o Senhor aceitou as súplicas em favor da terra e terminou a praga que destruía Israel.

 

Referências:

Merrill, E. H. (1985). 2 Samuel. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 481). Wheaton, IL: Victor Books.

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