Em Apocalipse 12, chegamos ao centro do livro, e estamos entrando na segunda parte do Apocalipse. Não há uma ligação estreita entre o conteúdo de Apocalipse 11 e o Apocalipse 12. Esse é um novo início, pois o Apocalipse tem basicamente duas partes.

Essas partes são: a igreja de Cristo perseguida pelo mundo (cap. 1 a 11) e Cristo com a igreja perseguida por Satanás (cap. 12 a 22). Além disso, o capítulo 1 apresenta uma introdução ao livro e o capítulo 22, uma conclusão.

Primeiro, observamos que a estrutura do Apocalipse tende a nos ensinar uma abordagem cíclica em vez de uma linear. Essa abordagem explica a aparente quebra no meio do Apocalipse, quando o autor chama a atenção para Cristo e sua igreja perseguida por Satanás (v. 3–6, 13–17).

Tendo sido expulso do céu com seus anjos, o diabo dá autoridade ao Anticristo e ao falso profeta – a besta que emerge do mar e a besta que emerge da terra. Todos os que não têm a marca da besta ou o número do seu nome não podem vender ou comprar (13.1–18).

Mas Cristo enfrenta Satanás e suas legiões, a saber, o Anticristo e o falso profeta. Ele surge como o Filho do Homem para inaugurar o Dia do Juízo (14.14–20).

Apocalipse 12 Marca Um Novo Início

Será que João tomou emprestado material de mitologias pagãs, as quais parecem fornecer paralelos a essa passagem (v. 1–6) em diversos aspectos?

Há o mito grego de Apolo, nascido da deusa Leto, o qual também menciona o dragão Píton. A seguir, há o mito babilônico da criação sobre Tiamat e o monstro de sete cabeças morto pelo deus Marduque enquanto Tiamat varria do céu um terço das estrelas.

Terceiro, há os mitos persa e egípcio com histórias semelhantes. E, por último, há moedas com mensagens: uma retrata o imperador Domiciano com uma imagem de seu filho, cuja mão está erguida na direção de sete estrelas; outra moeda apresenta a imagem desse filho com a lua e seis estrelas; há também uma com o filho e sua mãe Domícia, que é retratada como uma deusa.

Embora João estivesse familiarizado com diversos relatos mitológicos do mundo pagão, ainda assim devemos rejeitar qualquer sugestão de que ele usou tais fontes para criar o Apocalipse. Deus revelou o conteúdo do Apocalipse a Jesus, que por sua vez ordenou a João que escrevesse o que tinha observado (1.1–2, 11, 19).

Portanto, o Apocalipse é um livro dado por Deus.

Isso não significa que João escreveu mecanicamente o que lhe foi dito, mas sim que ele escreveu as visões que teve usando uma estrutura de símbolos. O sol, a lua e a coroa de doze estrelas adornam a mulher para tornar sua aparência bonita e poderosa.

Ao mesmo tempo, esses corpos celestes estão subordinados a ela; ela é muito maior do que eles. Vemos um paralelo no sonho de José sobre o sol, a lua e as onze estrelas se prostrando diante dele (Gn 37.9).

João apresenta ao leitor um quadro da batalha entre uma mulher e Satanás, a qual se reporta ao início da história da humanidade, quando Deus falou tanto com a mulher como com a serpente (Gn 3.14–16).

Ela retrata a batalha espiritual que o povo de Deus tem enfrentado desde que Adão e Eva caíram em pecado. Essa batalha se torna aguda com o nascimento do filho do sexo masculino da mulher, ao qual a serpente estava pronta para devorar quando nascesse (v. 1–6).

Depois do nascimento da criança, João descreve uma batalha no céu (v. 7–9). Como interlúdio (v. 10–12), João registra um hino celestial. Finalmente, ele conclui esse capítulo com um segundo relato sobre a guerra de Satanás contra a mulher e seus filhos (v. 13–17). (1)

Esboço de Apocalipse 12:

Apocalipse 12.1 – 6: A mulher, o filho e o dragão

Apocalipse 12.7 – 9: Guerra no Céu

Apocalipse 12.10 – 12: Uma Canção de Vitória

Apocalipse 12.13 – 17: Ajuda Para a Igreja

Apocalipse 12.1 – 6: A mulher, o filho e o dragão

1 Apareceu no céu um sinal extraordinário: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça.

2 Ela estava grávida e gritava de dor, pois estava para dar à luz.

3 Então apareceu no céu outro sinal: um enorme dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres, tendo sobre as cabeças sete coroas.

4 Sua cauda arrastou consigo um terço das estrelas do céu, lançando-as na terra. O dragão colocou-se diante da mulher que estava para dar à luz, para devorar o seu filho no momento em que nascesse.

5 Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro. Seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono.

6 A mulher fugiu para o deserto, para um lugar que lhe havia sido preparado por Deus, para que ali a sustentassem durante mil duzentos e sessenta dias.

Apocalipse 12.7 – 9: Guerra no Céu

7 Houve então uma guerra nos céus. Miguel e seus anjos lutaram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos revidaram.

8 Mas estes não foram suficientemente fortes, e assim perderam o seu lugar nos céus.

9 O grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada Diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançados à terra.

Apocalipse 12.10 – 12: Uma Canção de Vitória

10 Então ouvi uma forte voz dos céus que dizia: Agora veio a salvação, o poder e o Reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, pois foi lançado fora o acusador dos nossos irmãos, que os acusa diante do nosso Deus, dia e noite.

11 Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho que deram; diante da morte, não amaram a própria vida.

Apocalipse 12.13 – 17: Ajuda Para a Igreja

12 Portanto, celebrem-no, ó céus, e os que neles habitam! Mas, ai da terra e do mar, pois o Diabo desceu até vocês! Ele está cheio de fúria, pois sabe que lhe resta pouco tempo.

13 Quando o dragão foi lançado à terra, começou a perseguir a mulher que dera à luz o menino.

14 Foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que ela pudesse voar para o lugar que lhe havia sido preparado no deserto, onde seria sustentada durante um tempo, tempos e meio tempo, fora do alcance da serpente.

15 Então a serpente fez jorrar da sua boca água como um rio, para alcançar a mulher e arrastá-la com a correnteza.

16 A terra, porém, ajudou a mulher, abrindo a boca e engolindo o rio que o dragão fizera jorrar da sua boca.

17 O dragão irou-se contra a mulher e saiu para guerrear contra o restante da sua descendência, os que obedecem aos mandamentos de Deus e se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus.

18 Então o dragão se pôs em pé na areia do mar.

Referências

  1. Kistemaker, S. (2014). Apocalipse. (J. Hack, M. Hediger, & M. Lane, Trads.) (2a edição, p. 459–460). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

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