A ligação entre Apocalipse 13 e Apocalipse 12, é evidente na palavra dragão. O aparecimento de Satanás como dragão domina a cena em ambos os capítulos. Num (cap. 12), ele persegue a igreja, e no outro (cap. 13), seus ajudantes são descritos.

A besta que emerge do mar como o Anticristo revela força bruta, e a besta que emerge da terra aparece como o falso profeta que revela poder de iludir. Em suma, o capítulo 13 é uma explicação do capítulo anterior.

Esse capítulo retrata os propósitos de Satanás de guerrear contra o povo de Deus. Por meio da besta que atua como o anticristo, ele literalmente deseja tomar o lugar de Cristo. Isso se torna evidente em suas tentativas repetidas de assumir a aparência de Cristo.

Aqui estão sete exemplos indicativos da paródia satânica:

  • “E o dragão deu à besta seu poder e seu trono e grande autoridade” (v. 2).
  • “E uma das cabeças da besta estava como que mortalmente ferida, e a ferida mortal estava curada” (v. 3).
  • “E toda a terra se maravilhou, seguindo a besta. E eles adoravam o dragão” (v. 3b–4a).
  • “E lhe foi dada autoridade sobre cada tribo, povo, língua e nação” (v. 7).
  • “E eu vi outra besta emergir da terra, e ele tinha dois chifres como um cordeiro e falava como um dragão” (v. 11).
  • “Ele faz com que a terra e aqueles que habitam nela adorem a primeira besta cuja ferida mortal foi curada” (v. 12).
  • “Ele disse aos habitantes da terra para fazerem uma imagem em honra da besta que tinha a ferida da espada e, no entanto, viveu” (v. 14).

Esse também é um capítulo sobre os seguidores de Satanás. Observe a repetição: eles adoram a besta (v. 4, 8, 12, 15), representam todo o mundo (v. 3, 7, 8, 14, 16) e têm uma marca e um número que os distinguem (v. 16–18). Os santos, contudo, têm seus nomes escritos no livro da vida e pertencem ao Cordeiro (v. 8, 10). (1)

Apocalipse 13 e a Marca da Besta

Se entendermos que João não está escrevendo para um momento particular do tempo, como se refletisse sobre um incidente local, mas para a igreja universal de todas as épocas e lugares, então temos de interpretar esse versículo de modo mais amplo.

Primeiro, devemos observar que a palavra marca aparece diversas vezes no Apocalipse. João a menciona em 14.9: “Se alguém adora a besta e a sua imagem e recebe a marca na testa e na mão” (veja também 19.20; 20.4). E em 14.11, ele escreve sobre “quem quer que receba a marca do nome dele”.

Portanto, ter a marca da besta leva a atos de adoração e a portar seu nome. Designa uma pessoa como devota e verdadeira seguidora da besta. Indica uma pessoa que é hostil a Deus, à sua Palavra e ao seu povo; ela porta a marca do Anticristo na mão direita ou na testa.

Segundo, o símbolo da mão direita significa amizade e comunhão (Gl 2.9); é um sinal de trabalhar juntos para uma causa comum, a saber, opor-se a Deus. A marca na testa implica que essas pessoas são influenciadas pela mesma filosofia e padrões de pensamento. Em seu pensamento anticristão, glorificam a besta e suas realizações, e tentam destruir a obra de Cristo na terra.

Assim como os devotos do anticristo têm a marca da besta na testa ou na mão direita, do mesmo modo os servos de Deus recebem um selo do Senhor e os nomes do Pai e do Cordeiro na testa (7.3; 14.1).

Se a marca no povo de Deus é invisível, interpreto as marcas nos incrédulos também como invisíveis. Por último, receber a marca de fidelidade à besta é em si mesmo uma caricatura do compromisso feito no batismo cristão.

  1. Comércio. A incapacidade de comprar e vender indica um boicote, pelo qual o suprimento de alimento é interrompido e a inanição bate à porta. Os primeiros destinatários do Apocalipse podiam se ligar com tais circunstâncias, pois muitos deles em Esmirna viviam em pobreza abjeta (veja o comentário sobre 2.9).

Porém, na História, os boicotes não ficaram confinados a um determinado lugar; eles são comuns e, em muitos casos, vitimam o povo de Deus. A marca da besta significa portar seu nome e seu número. (2)

Esboço de Apocalipse 13:

Apocalipse 13.1 – 4: A Besta do Mar

Apocalipse 13.5 – 10: Poder e Autoridade

Apocalipse 13.11 – 14: A Besta da Terra

Apocalipse 13.15 – 18: A Marca da Besta

 

Apocalipse 13.1 – 4: A Besta do Mar

1 Vi uma besta que saía do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças, com dez coroas, uma sobre cada chifre, e em cada cabeça um nome de blasfêmia.

2 A besta que vi era semelhante a um leopardo, mas tinha pés como os de urso e boca como a de leão. O dragão deu à besta o seu poder, o seu trono e grande autoridade.

3 Uma das cabeças da besta parecia ter sofrido um ferimento mortal, mas o ferimento mortal foi curado. Todo o mundo ficou maravilhado e seguiu a besta.

4 Adoraram o dragão, que tinha dado autoridade à besta, e também adoraram a besta, dizendo: “Quem é como a besta? Quem pode guerrear contra ela?”

Apocalipse 13.5 – 10: Poder e Autoridade

5 À besta foi dada uma boca para falar palavras arrogantes e blasfemas, e lhe foi dada autoridade para agir durante quarenta e dois meses.

6 Ela abriu a boca para blasfemar contra Deus e amaldiçoar o seu nome e o seu tabernáculo, os que habitam nos céus.

7 Foi-lhe dado poder para guerrear contra os santos e vencê-los. Foi-lhe dada autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação.

8 Todos os habitantes da terra adorarão a besta, a saber, todos aqueles que não tiveram seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a criação do mundo.

9 Aquele que tem ouvidos ouça:

10 Se alguém há de ir para o cativeiro, para o cativeiro irá. Se alguém há de ser morto à espada, morto à espada haverá de ser. Aqui estão a perseverança e a fidelidade dos santos.

Apocalipse 13.11 – 14: A Besta da Terra

11 Então vi outra besta que saía da terra, com dois chifres como cordeiro, mas que falava como dragão.

12 Exercia toda a autoridade da primeira besta, em nome dela, e fazia a terra e seus habitantes adorarem a primeira besta, cujo ferimento mortal havia sido curado.

13 E realizava grandes sinais, chegando a fazer descer fogo do céu à terra, à vista dos homens.

14 Por causa dos sinais que lhe foi permitido realizar em nome da primeira besta, ela enganou os habitantes da terra. Ordenou-lhes que fizessem uma imagem em honra à besta que fora ferida pela espada e contudo revivera.

Apocalipse 13.15 – 18: A Marca da Besta

15 Foi-lhe dado poder para dar fôlego à imagem da primeira besta, de modo que ela podia falar e fazer que fossem mortos todos os que se recusassem a adorar a imagem.

16 Também obrigou todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, a receberem certa marca na mão direita ou na testa,

17 para que ninguém pudesse comprar nem vender, a não ser quem tivesse a marca, que é o nome da besta ou o número do seu nome.

18 Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Seu número é seiscentos e sessenta e seis.

Referências

  1. Kistemaker, S. (2014). Apocalipse. (J. Hack, M. Hediger, & M. Lane, Trads.) (2a edição, p. 487–488). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.
  2. Kistemaker, S. (2014). Apocalipse. (J. Hack, M. Hediger, & M. Lane, Trads.) (2a edição, p. 510–511). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

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