Ao chegar em Apocalipse 20, vimos que a última metade do capítulo anterior (19.11–21) revelou a remoção do anticristo e o profeta da falsidade desta terra e a morte dos seus seguidores. A mensagem de João naquele capítulo é que Cristo Jesus é vitorioso, assim como os santos.

De igual modo, a derrota das forças anticristãs significa o fim do mal. Tudo o que resta para João relatar no capítulo 20 é a remoção de Satanás e o fim da Morte e do Hades.

Na primeira parte desse capítulo (v. 1–10), João apresenta um aspecto adicional do final dos tempos. Ela dá total atenção à prisão, à libertação, à derrota e à condenação eterna de Satanás.

Depois, João centraliza a atenção no último julgamento, o qual ocorre na eliminação da Morte, do Hades e o envio dos descrentes para um local preparado para eles (v. 11–15).

Apocalipse 20 e a repetição do Julgamento

Observamos que em Apocalipse 20 apresenta um quadro que é concorrente com os capítulos antecedentes que narram cenas repetitivas do julgamento. Assim, os 24 anciãos anunciaram o tempo do julgamento (11.18) e o Filho do Homem inaugura o Dia do Julgamento (14.14–20).

Deus derrama a sua ira em antecipação ao juízo final (16.17–21), o cavaleiro no cavalo branco julga com justiça para derrotar os seus inimigos (19:11–21) e Deus abre os livros para julgar cada pessoa no último julgamento (20.11–15). Em resumo, o Apocalipse é um volume de paralelos que progride com cada ciclo sucessivo.

O método cíclico de interpretar o Apocalipse 20 pode ser ilustrado exegeticamente. Primeiro, o texto grego, mas não a tradução, apresenta o artigo definido na expressão a guerra em três lugares que retratam a batalha final (16.14; 19.19; 20.8).

Em seguida, a palavra guerra (polemos, em grego), ocorre nove vezes no Apocalipse, mas apenas as últimas três têm o artigo definido e, assim, enfatizam o último conflito no final do tempo cósmico.

Por último, a linguagem literal do texto grego é quase idêntica nos três lugares: “reuni-los para a guerra” (16.14); “reunidos para fazer guerra” (19.19); “e reuni-las para a guerra” (20.8). Esses três capítulos referem-se ciclicamente ao fim dos tempos, quando a última batalha é travada.

Apocalipse 20 e a Prisão de Satanás

Há uma ligação estreita entre os capítulos 12 e 20 com relação à ação de amarrar Satanás. Satanás perdeu a batalha contra o arcanjo Miguel e seus guerreiros, quando ele e os seus anjos foram expulsos do céu (12.7–9).

Consequentemente, Satanás teve suas atividades restringidas, pois o próprio Deus protegeu a mulher que representava os santos que obedecem aos seus comandos e creem no testemunho de Jesus (12.13–17).

Deus amarra Satanás de tal maneira que ele não pode mais enganar as nações (20.3). O diabo não consegue impedir a propagação do evangelho de Cristo ao redor do mundo. Portanto, a decisão de amarrar Satanás foi tomada primeiro no capítulo 12 e não no capítulo 20.

Uma interpretação linear dos capítulos 19 e 20 encontra uma dificuldade com relação às forças anticristãs que foram completamente destruídas em 19.18, 21 e reaparecem em 20.8.

O capítulo 19 não fornece indicação de que, na conclusão da batalha final, os sobreviventes conseguiram se unir para outro confronto. Em vez disso, ele transmite o conceito de finalidade, pois Cristo como Rei dos reis e Senhor dos senhores é vitorioso.

Uma última observação.

Como é evidente, o Apocalipse como um todo e o capítulo 20 em particular, demonstram simbolismo. Por exemplo, a corrente com a qual o anjo amarra Satanás não é a conhecida fieira de elos de metal; e nem a chave do abismo é um objeto metálico e nem os mil anos cronologicamente dez séculos.

O termo chave aparece em 1.18, em que Jesus observa que ele tem as chaves da Morte e do Hades; em 3.7, Jesus diz que ele tem a chave de Davi; e, em 9.1, um anjo descrito como uma estrela segura a chave do abismo. Em todas essas passagens, a palavra significa autoridade.

É claro que um espírito não pode ser algemado com uma corrente, mas pode ser restringido por uma ordem divina. E a expressão mil num livro que é repleto de números simbólicos sugere uma multidão, ou seja, um grande número.

Esboço de Apocalipse 20:

Apocalipse 20.1 – 3: Satanás é preso

Apocalipse 20.4 – 6: Os santos no céu

Apocalipse 20.7 – 10: Derrota e morte de Satanás

Apocalipse 20.11 – 15: O dia do julgamento

Apocalipse 20.1 – 3: Satanás é preso

1 Vi descer dos céus um anjo que trazia na mão a chave do Abismo e uma grande corrente.

2 Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo, Satanás, e o acorrentou por mil anos;

3 lançou-o no Abismo, fechou-o e pôs um selo sobre ele, para assim impedi-lo de enganar as nações, até que terminassem os mil anos. Depois disso, é necessário que ele seja solto por um pouco de tempo.

Apocalipse 20.4 – 6: Os santos no céu

4 Vi tronos em que se assentaram aqueles a quem havia sido dada autoridade para julgar. Vi as almas dos que foram decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus. Eles não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a sua marca na testa nem nas mãos. Eles ressuscitaram e reinaram com Cristo durante mil anos.

5 (O restante dos mortos não voltou a viver até se completarem os mil anos. ) Esta é a primeira ressurreição.

6 Felizes e santos os que participam da primeira ressurreição! A segunda morte não tem poder sobre eles; serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante mil anos.

Apocalipse 20.7 – 10: Derrota e morte de Satanás

7 Quando terminarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão

8 e sairá para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a batalha. Seu número é como a areia do mar.

9 As nações marcharam por toda a superfície da terra e cercaram o acampamento dos santos, a cidade amada; mas um fogo desceu do céu e as devorou.

10 O Diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre, onde já haviam sido lançados a besta e o falso profeta. Eles serão atormentados dia e noite, para todo o sempre.

Apocalipse 20.11 – 15: O dia do julgamento

11 Depois vi um grande trono branco e aquele que nele estava assentado. A terra e o céu fugiram da sua presença, e não se encontrou lugar para eles.

12 Vi também os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono, e livros foram abertos. Outro livro foi aberto, o livro da vida. Os mortos foram julgados de acordo com o que tinham feito, segundo o que estava registrado nos livros.

13 O mar entregou os mortos que nele havia, e a morte e o Hades entregaram os mortos que neles havia; e cada um foi julgado de acordo com o que tinha feito.

14 Então a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. O lago de fogo é a segunda morte.

15 Aqueles cujos nomes não foram encontrados no livro da vida foram lançados no lago de fogo.

Referências

  1. Kistemaker, S. (2014). Apocalipse. (J. Hack, M. Hediger, & M. Lane, Trads.) (2a edição, p. 691–693). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

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