Em Apocalipse 4, percebemos que muitas vezes as visões terminam abruptamente e não apresentam uma transição fluente de uma visão para a seguinte.

Assim, a primeira visão abrange as cartas às sete igrejas e termina com a carta aos laodicenses; o versículo seguinte (4.1) introduz a segunda visão e se encerra com a abertura do sétimo selo (8.1).

Na verdade, após a sequência de instruções de Jesus a João para escrever as sete cartas às igrejas na província da Ásia, a estrutura do Apocalipse muda, e João apresenta vários contrastes diretos e indiretos.

Em primeiro lugar, há o contraste entre os membros pecaminosos dessas sete igrejas versus o esplendor e a santidade indescritíveis de Deus. Aqueles são seres humanos pecaminosos numa terra pecaminosa, e este é um Deus santo no céu.

A seguir, o capítulo 4 é uma descrição do trono de Deus no céu. Deus, que ocupa esse trono, é o criador do universo (v. 11). Em contraste, o capítulo 5 descreve o Cordeiro de Deus, que foi morto, como Redentor de seu povo. O Cordeiro é digno de tomar o rolo e abrir os selos, pois ele é o Revelador.

Em terceiro lugar, o capítulo 6 revela a hostilidade de Satanás e suas coortes contra Deus. João encerra esse capítulo com uma descrição dos terrores do juízo divino contra esses inimigos.

Em contraste com isso, o capítulo 7 revela o selamento do povo de Deus, que, em conjunto com os anjos e anciãos, louvam a Deus e ao Cordeiro. Quando o sétimo selo é quebrado, segue-se um período de silêncio no céu (8.1).

Em quarto lugar, na primeira visão (1.9–3.22), Jesus se revela e se dirige às sete igrejas na terra. A segunda visão (4.1–8.1) se dedica à descrição do trono de Deus. Esse trono no céu é o centro do universo e esse é o lugar em que o Cordeiro quebra os sete selos.

Por fim, a mensagem às sete igrejas é direta e relativamente simples, mas a apresentação do trono no céu e a quebra dos sete selos são feitas pelo uso de uma linguagem simbólica.

Esse simbolismo diz ao leitor que Deus não pode ser visto com olhos humanos e que a quebra dos selos para revelar o que foi escrito não pode ser compreendido sem o reconhecimento da autoridade e do poder do Cordeiro.

O rolo é, para ele, um instrumento que oculta o significado do seu conteúdo até que o Cordeiro quebre os selos.

João registra o que ele tem permissão para ver e revelar a seus irmãos e irmãs. Ele faz o seu relato com a ajuda das Escrituras Sagradas; esses escritos são parte do seu repertório mental. O privilégio glorioso, por exemplo, de ver o trono de Deus é relatado em muitos lugares. (1)

Esboço de Apocalipse 4:

Apocalipse 4.1 – 5: O Trono de Deus

Apocalipse 4.6 – 9: Os quatro seres viventes

Apocalipse 4.10,11: Os vinte e quatro anciãos

 

Apocalipse 4.1 – 5: O Trono de Deus

1 Depois dessas coisas olhei, e diante de mim estava uma porta aberta no céu. A voz que eu tinha ouvido no princípio, falando comigo como trombeta, disse: “Suba para cá, e lhe mostrarei o que deve acontecer depois dessas coisas”.

2 Imediatamente me vi tomado pelo Espírito, e diante de mim estava um trono no céu e nele estava assentado alguém.

3 Aquele que estava assentado era de aspecto semelhante a jaspe e sardônio. Um arco-íris, parecendo uma esmeralda, circundava o trono,

4 ao redor do qual estavam outros vinte e quatro tronos, e assentados neles havia vinte e quatro anciãos. Eles estavam vestidos de branco e na cabeça tinham coroas de ouro.

5 Do trono saíam relâmpagos, vozes e trovões. Diante dele estavam acesas sete lâmpadas de fogo, que são os sete espíritos de Deus.

Apocalipse 4.6 – 9: Os quatro seres viventes

6 E diante do trono havia algo parecido com um mar de vidro, claro como cristal. No centro, ao redor do trono, havia quatro seres viventes cobertos de olhos, tanto na frente como atrás.

7 O primeiro ser parecia um leão, o segundo parecia um boi, o terceiro tinha rosto como de homem, o quarto parecia uma águia em vôo.

8 Cada um deles tinha seis asas e era cheio de olhos, tanto ao redor como por baixo das asas. Dia e noite repetem sem cessar: “Santo, santo, santoé o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir”.

9 Toda vez que os seres viventes dão glória, honra e graças àquele que está assentado no trono e que vive para todo o sempre,

Apocalipse 4.10,11: Os vinte e quatro anciãos

10 os vinte e quatro anciãos se prostram diante daquele que está assentado no trono e adoram aquele que vive para todo o sempre. Eles lançam as suas coroas diante do trono, e dizem:

11 “Tu, Senhor e Deus nosso, és digno de receber a glória, a honra e o poder, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade elas existem e foram criadas”.

Referências

  1. Kistemaker, S. (2014). Apocalipse. (J. Hack, M. Hediger, & M. Lane, Trads.) (2a edição, p. 243–244). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

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