Vários comentaristas imaginam o capítulo de Apocalipse 7 como um parêntese ou um interlúdio entre o sexto e o sétimo selo ( veja similarmente o interlúdio entre a sexta e a sétima trombeta, 10.1–11.14).

Isto está certo; não obstante, é necessário aumentar que este capítulo é diferente do selo que o antecede de imediato (6.12–17), que revela o que ocorre aos inimigos de Deus.

O capítulo de Apocalipse 7 revela o que ocorre ao povo de Deus. Enquanto os inimigos enfrentam a ira e a sentença divinas, os santos cantam louvores a Deus e ao Cordeiro pela libertação.

O capítulo inteiro, destinado aos santos, é mais um clímax que uma interrupção. João responde à dúvida, feita no sexto selo, sobre quem seria capaz de enfrentar (6.17): os 144 mil e o aglomeração incontável. Não os indivíduos que pedem às montanhas e às rochas que as escondam da ira divina, porém efetivamente os santos que estão perante o trono.

São eles os que foram selados por Deus, lavados no sangue do Cordeiro, vestidos com vestes brancas e que seguram palmas na mão.

A Assembleia

O capítulo de Apocalipse 7 diz que, enquanto Deus reúne sua nação, ele suspende o veredito até que o último dos santos tenha sido recebido e selado ( v. 2–3). Os santos que se reuniram num enorme povo, que contém os 144 mil, são o Israel verdadeiro ( v 4–9a). Eles celebram a liturgia da Festividade dos Tabernáculos ( v. 9b–10; Lv 23.40).

Além dos santos, todos os  cidadãos do céu adoram a Deus ( v. 11–12). Os santos são retratados como mártires que são reunidos como um só organismo até o fim dos tempos ( v. 13–14). Por fim, eles estão perante o trono de Deus e do Cordeiro por toda a eternidade ( v. 15–17).

Entendendo Apocalipse 7

O capítulo de Apocalipse 7 pode ser exposto de duas maneiras: de forma fiel ou figurado.

A primeira compreensão explica o algarismo 144 mil como a soma que consiste dos doze mil indivíduos selados de cada uma das doze tribos de Israel. O grupo de indivíduos que ninguém pode enumerar e que consiste de indivíduos de cada nacionalidade, tribo, povo e língua são os gentios, mesmo que o termo em si não seja relatado.

A segunda explanação opta pela abordagem simbólica aos números em Apocalipse 7. Por todo o Apocalipse, os números recebem um significado alegórico, evidenciado, por exemplo, pelo algarismo sete, que transmite a definição de completude.

Então, é mais possível que o algarismo 144 mil (doze vezes doze mil ) deva ser interpretado simbolicamente para demonstrar plenitude. Isto se torna perceptível nas disposições da nova Jerusalém, cujos comprimento, largura e altura são de 12 mil estádios – um cubo perfeito e representação da excelência ( veja a análise sobre 21.16).

Além disso, as duas cenas dos 144 mil e o povo imensurável são duas imagens semelhantes que enfatizam o mesmo pensamento. O primeiro acontecimento representa o idealidade; a segunda, o realismo.

O segundo acontecimento fortalece e amplia o primeiro: “As duas cenas retratam a mesma existência ”.

Símbolos

A conexão e o progresso dos capítulos 7 e 21–22 é extraordinário:

  • o selo na testa (7.3 e 22.4) • as doze tribos de Israel (7.4–8 e 21.12) • as nações (7.9 e 21.24, 26) • o trono de Deus (7.9, 15 e 22.1, 3) • os serviços prestados (7.15 e 22.3) • o santuário (7.15 e 21.22) • a morada de Deus (7.15 e 21.3) • anseio e fontes de água viva (7.16–17 e 21.6) • o esgotar do pranto (7.17 e 21.4)

Isto é, se explicarmos os números e os nomes nos capítulos 21 e 22 de forma figurada, esperamos que os nomes e números em Apocalipse 7 do mesmo modo devam ser interpretados de forma simbólica. Além disso nessa parte, João apresenta o Apocalipse como uma porção de imagens de uma sentido simbólico.

William Milligan segue: “O vidente costuma aumentar e espiritualizar todos os nomes judaicos. O santuário, o tabernáculo e o altar, o monte Sião e Jerusalém são para ele as encarnações de princípios que são mais profundos que os transmitidos totalmente por elas”.

Prosseguindo

  1. H. Charles argumenta diversas transposições no Apocalipse, uma delas, no capítulo 7. Ele “restaura” os versículos 5–6 “ à sua ordem original, na qual os filhos de Lia são seguidos pelos filhos de Raquel, e esses, por sua vez, pelos filhos da serva de Lia e por isso pelos filhos da serva de Raquel”.

Não obstante, ele não pode proporcionar provas para sua transposição, uma vez que não há testemunhas textuais que o apoiam em seu trabalho. Sua compreensão é rigorosamente literal e não leva em consideração que João não está falando do Israel palpável, mas o sobrenatural.

Por motivos espirituais, Judá é relatado no alto da listagem, e não Rúben, o primeiro de Jacó. Judá é o primeiro, visto que Jesus descende dele; similarmente, a combinação dos nomes patriarcais precisa mostrar que os privilégios e as posições físicas acabaram. (1)

Esboço de Apocalipse 7:

Apocalipse 7.1 – 8: Os 144 mil selados         

Apocalipse 7.9 – 12: A grande multidão

Apocalipse 7.13 – 17: Uma entrevista

 

Apocalipse 7.1 – 8: Os 144 mil selados         

1 Depois disso vi quatro anjos em pé nos quatro cantos da terra, retendo os quatro ventos, para impedir que qualquer vento soprasse na terra, no mar ou em qualquer árvore.

2 Então vi outro anjo subindo do Oriente, tendo o selo do Deus vivo. Ele bradou em alta voz aos quatro anjos a quem havia sido dado poder para danificar a terra e o mar:

3 “Não danifiquem, nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até que selemos as testas dos servos do nosso Deus”.

4 Então ouvi o número dos que foram selados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos de Israel.

5 Da tribo de Judá foram selados doze mil, da tribo de Rúben, doze mil, da tribo de Gade, doze mil,

6 da tribo de Aser, doze mil, da tribo de Naftali, doze mil, da tribo de Manassés, doze mil,

7 da tribo de Simeão, doze mil, da tribo de Levi, doze mil, da tribo de Issacar, doze mil,

8 da tribo de Zebulom, doze mil, da tribo de José, doze mil, da tribo de Benjamim, doze mil.

Apocalipse 7.9 – 12: A grande multidão

9 Depois disso olhei, e diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé, diante do trono e do Cordeiro, com vestes brancas e segurando palmas.

10 E clamavam em alta voz: “A salvação pertence ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro”.

11 Todos os anjos estavam em pé ao redor do trono, dos anciãos e dos quatro seres viventes. Eles se prostraram com o rosto em terra diante do trono e adoraram a Deus,

12 dizendo: “Amém! Louvor e glória, sabedoria, ação de graças, honra, poder e força sejam ao nosso Deus para todo o sempre. Amém!”

Apocalipse 7.13 – 17: Uma entrevista

13 Então um dos anciãos me perguntou: “Quem são estes que estão vestidos de branco, e de onde vieram?”

14 Respondi: Senhor, tu o sabes. E ele disse: Estes são os que vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro.

15 Por isso, eles estão diante do trono de Deus e o servem dia e noite em seu santuário; e aquele que está assentado no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo.

16 Nunca mais terão fome, nunca mais terão sede. Não os afligirá o sol, nem qualquer calor abrasador,

17 pois o Cordeiro que está no centro do trono será o seu Pastor; ele os guiará às fontes de água viva. E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima.

 

Referências:

  1. Kistemaker, S. (2014). Apocalipse. ( Chocarreiro. Hack, M. Hediger, & M. Lane, Trads.) (2ª união, p. 319–322). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

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