O sétimo selo se segue ao sexto e é separado pelo interlúdio de Apocalipse 8. Os dois selos têm um propósito em comum, a saber, retratar Deus julgando os ímpios. Observe que a sequência dos quatro primeiros selos retrata cavalos e seus cavaleiros.

O quinto selo revela as almas sob o altar pedindo a Deus que vingue seu sangue derramado. E o sexto selo descreve os ímpios convocando as montanhas e rochas para abrigá-los da ira de Deus e do Cordeiro. O sétimo selo é uma continuação do sexto, mas agora há um período de silêncio “que precede ou se segue ao juízo final”.

Por todo o livro do Apocalipse, João contrasta a bem-aventurança dos santos no céu com o horror dos ímpios quando a ira de Deus os atinge. Esse contraste é evidente na segunda metade do capítulo anterior, o qual descreve o destino dos redimidos (7.9–17), e nos versículos que revelam o destino dos inimigos de Deus no Dia do Juízo (6.12–17).

“A abertura do sétimo selo, contudo, não pode acontecer depois do sexto em sequência cronológica, porque o conteúdo desse selo descreve o dia final de ira (6.12–17).” A mensagem de ambos os selos está relacionada ao mesmo acontecimento, ou seja, o julgamento dos ímpios.

Apocalipse e o Juízo

A estrutura do Apocalipse mostra uma ênfase no juízo vindouro numa espiral sempre crescente. João retrata o encontro dos ímpios com seu fim quando enfrentam a ira de Deus (6.17).

A seguir, no interlúdio do capítulo 7, ele descreve a selagem dos 144 mil que, tendo triunfado sobre a tribulação, entram na presença de Deus. O capítulo 8 se inicia com um período de silêncio no céu que inspira reverência em relação ao juízo de Deus sobre seus inimigos.

Deus ouve as orações ascendentes dos santos e pune os ímpios. Esse tema ocorre repetidas vezes, e confere ao Apocalipse uma estrutura telescópica. O tema recorrente do Dia do Juízo aparece ao final de cada ciclo das sete igrejas, dos sete selos, das sete trombetas e das sete pragas.

    “A unidade do livro de João, portanto, não é cronológica nem aritmética, e sim artística, como a de um tema musical com variações, cada variação acrescentando algo novo ao significado de toda a composição. Essa é a única concepção que faz justiça adequada ao fato duplo de que cada nova série de visões tanto recapitula quanto desenvolve os temas já declarados no que aconteceu antes.”

E por último, o pano de fundo para o silêncio no céu na presença de Deus vem dos profetas do Antigo Testamento (Hc 2.20; Zc 2.13). Esse silêncio expresso em termos humanos de tempo cósmico, “meia hora”, não é um período vazio, mas sim o momento em que Deus derrama sua ira.

No Apocalipse, as referências temporais que João menciona têm pouca relevância, porque o que é significativo não é o tempo cronológico, e sim o princípio permanente do tempo. O silêncio observado no céu é uma quietude reverente enquanto Deus executa justiça. (1)

Esboço de Apocalipse 8:

Apocalipse 8.1 – 5: o julgamento dos ímpios

Apocalipse 8.6,7: A primeira trombeta

Apocalipse 8.8,9: A segunda trombeta

Apocalipse 8.10,11: A terceira trombeta

Apocalipse 8.12: A quarta trombeta

Apocalipse 8.13: Os três ais

Apocalipse 8.1 – 5: o julgamento dos ímpios

1 Quando ele abriu o sétimo selo, houve silêncio nos céus cerca de meia hora.

2 Vi os sete anjos que se acham em pé diante de Deus; a eles foram dadas sete trombetas.

3 Outro anjo, que trazia um incensário de ouro, aproximou-se e se colocou em pé junto ao altar. A ele foi dado muito incenso para oferecer com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro diante do trono.

4 E da mão do anjo subiu diante de Deus a fumaça do incenso com as orações dos santos.

5 Então o anjo pegou o incensário, encheu-o com fogo do altar e lançou-o sobre a terra; e houve trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto.

Apocalipse 8.6,7: A primeira trombeta

6 Então os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para tocá-las.

7 O primeiro anjo tocou a sua trombeta, e granizo e fogo misturado com sangue foram lançados sobre a terra. Foi queimado um terço da terra, um terço das árvores e toda a relva verde.

Apocalipse 8.8,9: A segunda trombeta

8 O segundo anjo tocou a sua trombeta, e algo como um grande monte em chamas foi lançado ao mar. Um terço do mar transformou-se em sangue,

9 morreu um terço das criaturas do mar e foi destruído um terço das embarcações.

Apocalipse 8.10,11: A terceira trombeta

10 O terceiro anjo tocou a sua trombeta, e caiu do céu uma grande estrela, queimando como tocha, sobre um terço dos rios e das fontes de águas;

11 o nome da estrela é Absinto. Tornou-se amargo um terço das águas, e muitos morreram pela ação das águas que se tornaram amargas.

Apocalipse 8.12: A quarta trombeta

12 O quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferido um terço do sol, um terço da lua e um terço das estrelas, de forma que um terço deles escureceu. Um terço do dia ficou sem luz, e também um terço da noite.

Apocalipse 8.13: Os três ais

13 Enquanto eu olhava, ouvi uma águia que voava pelo meio do céu e dizia em alta voz: “Ai, ai, ai dos que habitam na terra, por causa do toque das trombetas que está prestes a ser dado pelos três outros anjos!”

Referências

  1. Kistemaker, S. (2014). Apocalipse. (J. Hack, M. Hediger, & M. Lane, Trads.) (2a edição, p. 347–348). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

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