Enquanto Apocalipse 8 registra os resultados das quatro trombetas tocadas pelos quatro anjos, Apocalipse 9 apresenta apenas duas trombetas tocadas pelo quinto e pelo sexto anjo, respectivamente. (A propósito, o sétimo anjo toca sua trombeta para iniciar o juízo final e para descrever a adoração que os santos rendem a Deus [11.15]).

Observe a extensa descrição dos flagelos que se seguem ao toque das trombetas do quinto e do sexto anjo. O relato do flagelo que ocorre após o toque da quinta trombeta toma dois parágrafos substanciais, totalizando onze versículos (v. 1–11) e concluindo com as palavras: “O primeiro ai chegou.

Veja, depois destas coisas vêm ainda dois ais” (v. 12). E o relato do soar da sexta trombeta compreende três longos parágrafos (v. 13–21). Comparada aos quatro primeiros toques de trombeta, essa descrição das duas trombetas seguintes em prolongados parágrafos indica uma severidade inimaginável.

Os quatro primeiros flagelos descrevem calamidades que são desencadeadas na natureza: a terra, o mar, os rios, as fontes de água e os corpos celestes. Os dois flagelos seguintes descrevem as forças demoníacas que são soltas por Satanás, seu rei, para atormentar as pessoas (v. 11).

Essa é uma descrição do próprio inferno, no qual as pessoas buscam morrer, mas percebem que a morte foge delas (v. 6). O sofrimento mental e espiritual delas é sem-fim.

A Sexta Praga

A sexta praga envolve toda a humanidade, da qual uma terça parte é morta (v. 15). Duzentos milhões de guerreiros, representando tropas demoníacas, travam guerra contra as pessoas.

Essas forças retratam simbolicamente uma multidão enorme de anjos caídos (v. 16). Eles são propensos a matar as pessoas com fogo, fumaça e enxofre. Mas o triste resultado é que nenhum dos ímpios, embora vivencie agonia e destruição, se arrepende de suas ações maléficas de assassínios, feitiçaria, fornicação e furtos (v. 21).

Os dois julgamentos descritos pelo soar da quinta e da sexta trombetas não apenas se seguem proximamente, mas também estão estreitamente relacionados. Ambos ilustram o objetivo prejudicial dos demônios.

No primeiro caso, eles atingem a mente dos ímpios e lhes causam tortura mental. A segunda ilustração mostra o total controle que os demônios têm sobre os seres humanos, os quais então realizam todo tipo de má ação imaginável.

Interpreto as calamidades descritas nos capítulos 8 e 9 não apenas como sequenciais, mas até mesmo, em alguns aspectos, como simultâneas. Ou seja, quando a quinta e a sexta trombetas anunciam as forças demoníacas, as calamidades das quatro primeiras trombetas já estão acontecendo. Em outras palavras, as referências em ambos os capítulos à morte e à agonia dos seres humanos se sobrepõem.

A diferença é que, além de enfrentar poderes destrutivos na natureza, a humanidade também encontra poderes demoníacos que buscam destruir o corpo e a alma.

Finalmente, meu objetivo não é explicar o conteúdo desse capítulo literalmente, e sim de forma simbólica. Não estou buscando um tempo específico na História ou no futuro em que a quinta e a sexta pragas foram ou serão cumpridas. “Antes, precisamos perceber as forças espirituais em ação no mundo dos homens ímpios, não regenerados – forças que são simbolizadas por esses monstros do reino infernal.” (1)

Esboço de Apocalipse 9:

Apocalipse 9.1 – 6: O abismo e as forças demoníacas

Apocalipse 9.7 – 12: Os gafanhotos

Apocalipse 9.13 – 16: Uma ordem divina

Apocalipse 9.17 – 19: Uma visão descritiva

Apocalipse 9.20,21: Não há arrependimento

 

Apocalipse 9.1 – 6: O abismo e as forças demoníacas

1 O quinto anjo tocou a sua trombeta, e vi uma estrela que havia caído do céu sobre a terra. À estrela foi dada a chave do poço do Abismo.

2 Quando ela abriu o Abismo, subiu dele fumaça como a de uma gigantesca fornalha. O sol e o céu escureceram com a fumaça que saía do Abismo.

3 Da fumaça saíram gafanhotos que vieram sobre a terra, e lhes foi dado poder como o dos escorpiões da terra.

4 Eles receberam ordens para não causar dano nem à relva da terra, nem a qualquer planta ou árvore, mas apenas àqueles que não tinham o selo de Deus na testa.

5 Não lhes foi dado poder para matá-los, mas sim para causar-lhes tormento durante cinco meses. A agonia que eles sofreram era como a da picada do escorpião.

6 Naqueles dias os homens procurarão a morte, mas não a encontrarão; desejarão morrer, mas a morte fugirá deles.

7 Os gafanhotos pareciam cavalos preparados para a batalha. Tinham sobre a cabeça algo como coroas de ouro, e o rosto deles parecia rosto humano.

Apocalipse 9.7 – 12: Os gafanhotos

8 Os cabelos deles eram como os de mulher e os dentes como os de leão.

9 Tinham couraças como couraças de ferro, e o som das suas asas era como o barulho de muitos cavalos e carruagens correndo para a batalha.

10 Tinham caudas e ferrões como de escorpiões, e na cauda tinham poder para causar tormento aos homens durante cinco meses.

11 Tinham um rei sobre eles, o anjo do Abismo, cujo nome, em hebraico, é Abadom e, em grego, Apoliom.

12 O primeiro ai passou; dois outros ais ainda virão.

Apocalipse 9.13 – 16: Uma ordem divina

13 O sexto anjo tocou a sua trombeta, e ouvi uma voz que vinha das pontas do altar de ouro que está diante de Deus.

14 Ela disse ao sexto anjo que tinha a trombeta: “Solte os quatro anjos que estão amarrados junto ao grande rio Eufrates”.

15 Os quatro anjos, que estavam preparados para aquela hora, dia, mês e ano, foram soltos para matar um terço da humanidade.

16 O número dos cavaleiros que compunham os exércitos era de duzentos milhões; eu ouvi o seu número.

Apocalipse 9.17 – 19: Uma visão descritiva

17 Os cavalos e os cavaleiros que vi em minha visão tinham este aspecto: as suas couraças eram vermelhas como o fogo, azuis como o jacinto, e amarelas como o enxofre. A cabeça dos cavalos parecia a cabeça de um leão, e da boca lançavam fogo, fumaça e enxofre.

18 Um terço da humanidade foi morto pelas três pragas: de fogo, fumaça e enxofre, que saíam das suas bocas.

19 O poder dos cavalos estava na boca e na cauda; pois as suas caudas eram como cobras; tinham cabeças com as quais feriam as pessoas.

Apocalipse 9.20,21: Não há arrependimento

20 O restante da humanidade que não morreu por essas pragas, nem assim se arrependeu das obras das suas mãos; eles não pararam de adorar os demônios e os ídolos de ouro, prata, bronze, pedra e madeira, ídolos que não podem ver, nem ouvir, nem andar.

21 Também não se arrependeram dos seus assassinatos, das suas feitiçarias, da sua imoralidade sexual e dos seus roubos.

Referências

  1. Kistemaker, S. (2014). Apocalipse. (J. Hack, M. Hediger, & M. Lane, Trads.) (2a edição, p. 369–370). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

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