Eclesiastes 2 Estudo: Desfrute a Vida Com Temor a Deus

Em vista da impermanência dos frutos do trabalho de um homem, Salomão recomendou que o homem desfrutasse de seus frutos (comer e beber são apenas metafóricos por participar de todos os seus frutos) e encontrar satisfação em sua obra (cf. 3:13; 5:18; 8:15) como ele mesmo fizera (Eclesiastes 2:24–26).

No entanto, ele advertiu que isso só era possível se Deus permitisse que alguém o fizesse: sem Ele, quem pode comer ou encontrar prazer?

Além disso, ele advertiu que Deus só capacita aqueles que O agradam a fazer isso.

Muitas vezes, os pecadores acumulam riqueza que, em última instância, é desfrutada por alguém que agrada a Deus, uma tarefa que ele identificou como fútil ou sem sentido, uma perseguição do vento (cf. 1:14, 17; 2:11, 17; 4: 4, 6, 16; 6: 9).

Dois pontos de Eclesiastes 2:24–26 devem ser anotados. Primeiro, Salomão afirmou que a disposição divina de riqueza e o desfrute de seus labores e frutos são baseados em se um homem é agradável a Deus ou é um pecador.

Como fica claro nas palavras “o homem que agrada” a Deus e “o pecador” em outros lugares em Eclesiastes (7:26; cf. 8:12), isso implica que uma pessoa será julgada com base em seu comportamento ético e sua confiança em Deus ou falta dela.

Segundo, Salomão escreveu que esse julgamento ocorreria nesta vida (não em uma vida após a morte) e envolveria recompensas temporais e não eternas. Estes dois pontos (gozo da vida e julgamento), que são reunidos apenas aqui, são cruciais no desenvolvimento do livro.

O tema do gozo, mencionado em momentos cruciais do livro (3:12-13, 22; 5:18-20; 8:15; 9:7-10), está aqui especificamente relacionado ao tema do julgamento (11:9 12:14) e ao conselho de temer a Deus e guardar os Seus mandamentos (12:13). (1)

Esboço de Eclesiastes 2:

2.1 – 11: A vaidade dos prazeres mundanos

2.12 – 16: A Sabedoria é melhor que a insensatez

2.17 – 23: Fonte de insatisfação

2.24 – 26: Desfrute a vida com temor a Deus 

Eclesiastes 2.1 – 11: A vaidade dos prazeres mundanos

1 Eu disse a mim mesmo: Venha. Experimente a alegria. Descubra as coisas boas da vida! Mas isso também se revelou inútil.

2 Concluí que o rir é loucura, e a alegria de nada vale.

3 Decidi entregar-me ao vinho e à extravagância, mantendo, porém, a mente orientada pela sabedoria. Eu queria saber o que vale a pena, debaixo do céu, nos poucos dias da vida humana.

4 Lancei-me a grandes projetos: construí casas e plantei vinhas para mim.

5 Fiz jardins e pomares e neles plantei todo tipo de árvore frutífera.

6 Construí também reservatórios para irrigar os meus bosques verdejantes.

7 Comprei escravos e escravas e tive escravos que nasceram em minha casa. Além disso, tive também mais bois e ovelhas do que todos os que viveram antes de mim em Jerusalém.

8 Ajuntei para mim prata e ouro, tesouros de reis e de províncias. Servi-me de cantores e cantoras, e também de um harém, as delícias dos homens.

9 Tornei-me mais famoso e poderoso do que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, conservando comigo a minha sabedoria.

10 Não me neguei nadaque os meus olhos desejaram; não me recusei a dar prazer alguma o meu coração. Na verdade, eu me alegreiem todo o meu trabalho; essa foi a recompensa de todo o meu esforço.

11 Contudo, quando avaliei tudo o que as minhas mãos haviam feito e o trabalho que eu tanto me esforçara para realizar, percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento; não há nenhum proveito no que se faz debaixo do sol.

Eclesiastes 2.12 – 16: A Sabedoria é melhor que a insensatez

12 Então passei a refletir na sabedoria, na loucura e na insensatez. O que pode fazer o sucessor do rei, a não ser repetir o que já foi feito?

13 Percebi que a sabedoria é melhor que a insensatez, assim como a luz é melhor do que as trevas.

14 O homem sábio tem olhos que enxergam[2], mas o tolo anda nas trevas; todavia, percebi que ambos têm o mesmo destino.

15 Aí fiquei pensando: O que acontece ao tolo também me acontecerá. Que proveito eu tive em ser sábio? Então eu disse a mim mesmo: Isso não faz o menor sentido!

16 Nem o sábio, nem o tolo serão lembrados para sempre; nos dias futuros ambos serão esquecidos. Como pode o sábio morrer como o tolo morre?

Eclesiastes 2.17 – 23: Fonte de insatisfação

17 Por isso desprezei a vida, pois o trabalho que se faz debaixo do sol pareceu-me muito pesado. Tudo era inútil, era correr atrás do vento.

18 Desprezei todas as coisas pelas quais eu tanto me esforçara debaixo do sol, pois terei que deixá-las para aquele que me suceder.

19 E quem pode dizer se ele será sábio ou tolo? Todavia, terá domínio sobre tudo o que realizei com o meu trabalho e com a minha sabedoria debaixo do sol. Isso também não faz sentido.

20 Cheguei ao ponto de me desesperar por todo o trabalho no qual tanto me esforcei debaixo do sol.

21 Pois um homem pode realizar o seu trabalho com sabedoria, conhecimento e habilidade, mas terá que deixar tudo o que possui como herança para alguém que não se esforçou por aquilo. Isso também é um absurdo e uma grande injustiça.

22 Que proveito tem um homem de todo o esforço e de toda a ansiedade com que trabalha debaixo do sol?

23 Durante toda a sua vida, seu trabalho é pura dor e tristeza; mesmo à noite a sua mente não descansa. Isso também é absurdo.

Eclesiastes 2.24 – 26: Desfrute a vida com temor a Deus

24 Para o homem não existe nada melhor do que comer, beber e encontrar prazer em seu trabalho. E vi que isso também vem da mão de Deus.

25 E quem aproveitou melhor as comidas e os prazeres do que eu? [3]

26 Ao homem que o agrada, Deus dá sabedoria, conhecimento e felicidade. Quanto ao pecador, Deus o encarrega de ajuntar e armazenar riquezas para entregá-las a quem o agrada. Isso também é inútil, é correr atrás do vento.

Referências:

Glenn, D. R. (1985). Ecclesiastes. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 983). Wheaton, IL: Victor Books.

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