Eclesiastes 4 Estudo: Melhor Dois do Que Um

A ganância egoísta é outro incentivo inadequado que Salomão disse ser fútil ou sem sentido (Eclesiastes 4:7–8; essa palavra, ocorrendo no início do v. 7 e no final do v. 8, aponta outra inclusão; “Trabalho é frequentemente motivado por incentivos inapropriados [4: 4–16]).

A ganância é a cobiça insaciável caracterizada pelo fato de um homem não ter fim em seu trabalho, não se contentar com sua riqueza e não compartilhar com ninguém, nem mesmo um filho ou irmão (isso se refere ao compartilhamento em parceria, não à herança, como vv. 9–12 deixa claro).

Riqueza solitária

No final, Salomão afirmou que uma pessoa tão gananciosa acordaria e perceberia que era fútil ou insignificante labutar incessantemente para reunir riqueza que ele não compartilhava nem apreciava.

As perguntas de uma pessoa tão gananciosa, feitas retoricamente, mostram seu desprezo por seu comportamento. Salomão acrescentou que tal trabalho fútil ou sem sentido era um negócio miserável (‘inyan rā’, ‘uma tarefa ruim ou desagradável’; trad. ‘Um fardo pesado’ em 1:13 e ‘algum infortúnio’ em 5:14; cf. ‘ inyan, “fardo”, em 3:10).

Em contraste com a futilidade da cobiça egoísta, Salomão elogiou o compartilhamento com os outros citando várias vantagens que vêm da companhia: melhor lucro (um bom retorno) do trabalho (v. 9), ajuda no tempo de dificuldade (v. 10), conforto em tempo de necessidade (v. 11; o calor do corpo pode impedir outra pessoa de congelar), proteção em tempo de perigo (v. 12).

Os três últimos são ilustrados por exemplos dos benefícios de duas pessoas viajando juntas. No caso do segundo e terceiro destes (vv. 10b, 11b), Salomão lamentou os perigos do isolamento (característico da cobiça egoísta; “um homem totalmente só”, v. 8a).

Tendo estabelecido as vantagens do esforço conjunto e os benefícios mútuos de compartilhar a labuta e o fruto com outra, Salomão declarou climaticamente que, se dois são melhores que um (v. 9), então três são ainda melhores (v. 12). Seus esforços e benefícios não devem ser limitados a apenas duas pessoas. (1)

Esboço de Eclesiastes 4:

4.1 – 6: O poder da opressão

4.7 – 12: Melhor dois do que um

4.13 – 16: Melhor ser pobre e sábio 

Eclesiastes 4.1 – 6: O poder da opressão

1 De novo olhei e vi toda a opressão que ocorre debaixo do sol: Vi as lágrimas dos oprimidos, mas não há quem os console; o poder está do lado dos seus opressores, e não há quem os console.

2 Por isso considerei os mortos mais felizes do que os vivos, pois estes ainda têm que viver!

3 No entanto, melhor do que ambos é aquele que ainda não nasceu, que não viu o mal que se faz debaixo do sol.

4 Descobri que todo trabalho e toda realiza­ção surgem da competição que existe entre as pessoas. Mas isso também é absurdo, é correr atrás do vento.

5 O tolo cruza os braços e destrói a própria vida.

6 Melhor é ter um punhado com tranqüilidade do que dois punhados à custa de muito esforço e de correr atrás do vento.

Eclesiastes 4.7 – 12: Melhor dois do que um

7 Descobri ainda outra situação absurda debaixo do sol:

8 Havia um homem totalmente solitário; não tinha filho nem irmão. Trabalhava sem parar! Contudo, os seus olhos não se satisfaziam com a sua riqueza. Ele sequer perguntava: “Para quem estou trabalhando tanto, e por que razão deixo de me divertir?” Isso também é absurdo; é um trabalho por demais ingrato!

9 É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas.

10 Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que caie não tem quem o ajude a levantar-se!

11 E se dois dormirem juntos, vão manter-se aquecidos. Como, porém, manter-se aquecido sozinho?

12 Um homem sozinho pode ser vencido, mas dois conseguem defender-se. Um cordão de três dobras não se rompe com facilidade.

Eclesiastes 4.13 – 16: Melhor ser pobre e sábio

13 Melhor é um jovem pobre e sábio, do que um rei idoso e tolo, que já não aceita repreensão.

14 O jovem pode ter saído da prisão e chegado ao trono, ou pode ter nascido pobre no país daquele rei.

15 Percebi que, ainda assim, o povo que vivia debaixo do sol seguia o jovem, o sucessor do rei.

16 O número dos que aderiram a ele era incontável. A geração seguinte, porém, não ficou satisfeita com o sucessor. Isso também não faz sentido, é correr atrás do vento.

 

Referências:

Glenn, D. R. (1985). Ecclesiastes. In J. F. Walvoord & R. B. Zuck (Orgs.), The Bible Knowledge Commentary: An Exposition of the Scriptures (Vol. 1, p. 987). Wheaton, IL: Victor Books.

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