Bíblia de Estudo Online Diego Nascimento

Esdras 10 Estudo: Convocação Geral

Em Esdras 10, o escritor nos revela o desfecho da questão dos casamentos mistos, levantada no capítulo anterior. Esdras prossegue lamentando e chorando, diante do povo. A atitude dele é tão sincera, que o povo ao ver seu líder, exemplar e estimado naquela situação garante apoio a sua decisão.

Neste ponto, uma pessoa se mostra fundamental: Secanias. Ele era mais próximo do povo que Esdras, e garantiu que era possível resolver o problema. Eles só precisariam de um plano e tempo. O plano decidido foi o seguinte: “Separem-se dos povos vizinhos e das suas mulheres estrangeiras”.

Ou seja, a ordem é que eles deveriam entregar a carta de divórcio e mandar suas mulheres e filhos embora. Este texto pode ser mal interpretado se o contexto não for levando em conta. Perceba que eles estavam em um período de reforma radical, depois de viver 70 anos como escravos.

Eles passaram fome, sede, frio. Viram muitos dos seus parentes e filhos morrer. O trauma do cativeiro era imenso. Portanto, o que fosse necessário fazer para não viver aquilo novamente eles fariam.

Obviamente que a questão do divórcio não é a vontade de Deus (Ver Estudo Bíblico Sobre o Casamento Cristão). A regra do Novo Testamento é:

“Aos outros eu mesmo digo isto, e não o Senhor: se um irmão tem mulher descrente, e ela se dispõe a viver com ele, não se divorcie dela. E, se uma mulher tem marido descrente, e ele se dispõe a viver com ela, não se divorcie dele. (1 Coríntios 7:12,13)

“Todavia, se o descrente separar-se, que se separe. Em tais casos, o irmão ou a irmã não fica debaixo de servidão; Deus nos chamou para vivermos em paz”. (1 Coríntios 7:15)

Portanto, a atitude de Esdras e do povo naquele momento, foi coerente com o contexto vivido por eles. Um momento único na história, cuja atitude dificilmente se repete em nossos dias.

Esboço de Esdras 10:

Esdras 10.1 – 6: A importância de Secanias

Esdras 10.7 – 16: Convocação geral

Esdras 10.17 – 44: Lista dos exilados que casaram com estrangeiras

 

O Choro de Esdras

“E enquanto Esdras orava, e fazia confissão, chorando e prostrando-se diante da casa de Deus, ajuntou-se a ele, de Israel, uma grande congregação de homens, mulheres e crianças; pois o povo chorava com grande choro”. (Esdras 10:1)

As boas impressões que a humilhação e confissão de pecado de Esdras deixou no povo. Não demorou muito para que o seu novo governador, em quem o povo se regozijava, estivesse em aflição.

De uma forma tão intensa por eles e pelo pecado deles, que se ajuntou a ele de Israel uma mui grande congregação, para verificar qual era o problema e misturar suas lágrimas com as dele.

Nosso choro pelos pecados de outras pessoas pode, talvez, causar com que essas pessoas chorem por elas mesmas, as quais, de outra forma, continuariam insensíveis e sem remorsos.

Veja que influência favorável os bons exemplos de pessoas notáveis têm sobre seus inferiores. Quando Esdras, um escriba, um erudito, um homem em autoridade debaixo do rei, lamentou tão profundamente as corrupções públicas, eles concluíram que, de fato, eram muito graves.

Caso contrário não teria se afligido tanto por eles; e isso arrancou lágrimas de cada olho: homens, mulheres e crianças choravam com grande choro, ao observarem o choro dele.

O Gesto de Secanias

O gesto admirável de Secanias nessa ocasião chama a atenção. O lugar era Boquim — um lugar de pranteadores; mas, por incrível que possa parecer, havia um profundo silêncio no meio deles, como houve com os amigos de Jó.

Onde nenhum de seus amigos lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dor era muito grande (veja Jó 2.13), até que Secanias (um dos companheiros de Esdras da Babilônia, cap. 8.3,5) levantou-se, e falou com Esdras.

O Discurso de Secanias

Ele reconhece a culpa nacional, resume toda a confissão de Esdras em uma palavra, e reconhece que é verdade: “Nós temos transgredido contra o nosso Deus e casamos com mulheres estranhas.

A questão é clara demais para ser negada e ofensiva demais para ser desculpada. Não sabemos se Secanias também era culpado desse pecado, mas seu pai era culpado, e vários da casa de seu pai (como lemos no versículo 26), e, portanto, ele se coloca como um dos transgressores.

Ele não procura desculpar ou mitigar o pecado, embora alguns dos seus próprios parentes fossem culpados dessa transgressão, mas, na causa de Deus, disse a seu pai e a sua mãe: Nunca o vi, como Levi (Deuteronômio 33.9).

Talvez a mulher estrangeira com a qual seu pai tinha se casado tivesse sido uma madrasta injusta e indelicada com ele, e tivesse causado dano à família, e ele supõe que outras tivessem feito o mesmo, o que o tornava tanto mais disposto a colocar-se contra essa corrupção.

Caso isso tenha sido verdade, essa não foi a única vez que a indignação particular prevaleceu pela providência de Deus para servir o bem público. (Henry, Matthew, Comentário de Atos a Apocalipse)

Sobre o autor | Website

Diego Nascimento é membro da Primeira Igreja Batista de João Pessoa, e estudante de Teologia. Seu amor por Jesus e pela Bíblia o inspirou a fundar esse site.

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