Em Esdras 9, o escritor é pego de surpresa por uma grande tristeza. Muitos dos exilados haviam se casado com mulheres estrangeiras, quebrando o mandamento do Senhor.

Como vimos nos capítulos anteriores, a reforma das cidades e do Templo estão prosperando. O culto foi restabelecido, os muros de Jerusalém levantados, os inimigos não os ameaçam mais, o rei os apoia. Ou seja, eles estão prosperando, como há muito tempo não acontecia.

A notícia dos casamentos mistos entre os exilados e alguns dos líderes do povo, foi uma espécie de “banho de água fria” sobre Esdras. Ele ficou profundamente triste.

É possível que o leitor leigo, interprete a atitude dele como exagero. Mas se você ler com cuidado os livros de Isaías, Jeremias e Lamentações, pode ver quais as causas do cativeiro na Babilônia e destruição do reino de Judá e Israel.

Uma delas era exatamente os casamentos mistos e o adultério. A ordem de Deus para seu povo é de que o judeu, só se casaria com o judeu. Exatamente como Esdras repete em sua oração.

Observamos que este é um mandamento válido para o Novo Testamento. O apóstolo Paulo, escrevendo recomendações acerca do casamento aconselha:

“Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas?

Que harmonia entre Cristo e Belial? Que há de comum entre o crente e o descrente?

Que acordo há entre o templo de Deus e os ídolos? Pois somos santuário do Deus vivo. Como disse Deus: “Habitarei com eles e entre eles andarei; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo”.

Portanto, “saiam do meio deles e separem-se”, diz o Senhor. “Não toquem em coisas impuras, e eu os receberei” “e lhes serei Pai, e vocês serão meus filhos e minhas filhas”, diz o Senhor Todo-poderoso. (2 Coríntios 6:14-18)

Contudo, essa é uma prática extremamente comum em nossos dias. Crente com descrente, cristão evangélico com cristão católico. 

A Bíblia Sagrada nos mostra claramente que não é esta a vontade de Deus. Muitas pessoas são infelizes em seus casamentos (Ver Estudo Bíblico Sobre o Casamento Cristão), por decidir quebrar este princípio bíblico.

Esdras ao se deparar com a informação, fica profundamente triste e ora ao Senhor. Na verdade, ele se humilha, rasga as vestes, chora, pede perdão.

Porque para ele, aquelas pessoas não se converteram, mesmo depois de terem sofrido por tanto tempo no cativeiro.

Esboço de Esdras 9:

Esdras 9.1 – 4: Casamentos mistos

Esdras 9.5 – 11: A oração de Esdras

Esdras 9.12 – 15: Ordem antiga

 

Misturados

“Porque tomaram das suas filhas para si e para seus filhos, e assim se misturou a linhagem santa com os povos dessas terras; e até os príncipes e magistrados foram os primeiros nesta transgressão”. (Esdras 9.2)

O pecado do qual eram culpados era misturar-se- com os povos daquelas terras, unindo-se a eles tanto no comércio como nos relacionamentos, tornando-se íntimos com eles, e, para completar a intimidade, tomaram das suas filhas em casamento com seus filhos.

Estamos propensos a pensar que não adoraram seus deuses e, sim, que o seu cativeiro os tinha curado de sua idolatria. É dito, no entanto, que seguiram as suas abominações.

Mas que isso significa aqui somente a imitação dos pagãos em casamentos promíscuos com tudo quanto é nação, o que gradualmente os levaria de volta à idolatria.

Nisso eles desobedeceram ao mandamento expresso de Deus, que proibia toda intimidade com os pagãos, e especialmente em contratos matrimoniais (Deuteronômio7.3).

Eles profanaram a coroa de sua peculiaridade, e colocaram-se no mesmo nível daqueles acima de quem Deus os tinha dignificado, por meio de marcas singulares do seu favor, ultimamente, bem como de antigamente.

Incrédulos!

Eles suspeitaram do poder de Deus em protegê-los e favorecê-los, e foram conduzidos por políticas carnais, esperando fortalecer-se e obter benefícios entre os vizinhos por meio dessas alianças.

Uma descrença prática de toda suficiência de Deus está na base de todas as mudanças lamentáveis que fazemos para ajudar a nós mesmos. Eles se expuseram, e muito mais os seus filhos, ao perigo da idolatria, esse mesmo pecado, que tinha causado a ruína de sua Igreja e nação.

Os culpados desse pecado não eram somente algumas das pessoas irrefletidas de Israel, que não sabiam como agir melhor, mas muitos dos sacerdotes e levitas, cujo ofício era ensinar a lei, e essa lei entre os restantes, e em quem, por causa de seu destaque entre os outros israelitas, era um delito mais grave.

Quebrando o Mandamento 

Os filhos dessa tribo não deveriam misturar-se com qualquer outra tribo, pois isso era considerado uma diminuição para eles, e eles raramente o faziam, exceto com a tribo real.

Mas para misturar-se com pagãos, com cananeus, heteus e não sei com quem mais, era um menosprezo tão grande, que se tivessem tido qualquer percepção, mesmo que não de dever, mas de honra, pensaríamos que nunca teriam se tornados culpados disso.

No entanto, isso não era o pior: até a mão dos príncipes e magistrados, que pelo seu poder deveriam ter impedido e corrigido essa má conduta, foi a primeira nesta transgressão.

Se príncipes estão em transgressão, serão acusados de serem os primeiros a pecar, por causa da influência que seus exemplos terão sobre os outros. Muitos seguirão as suas dissoluções. Mas miserável é o povo cujos líderes os corrompem e os fazem errar. (Henry, Matthew, Comentário de Josué a Ester)

2 COMENTÁRIOS

  1. A paz do Senho Jesus!

    Estava lendo o tema que o irmão abordou aqui e tenho uma pergunta para lhe fazer. Espero poder receber uma resposta sincera do irmão que não fuja os padrões dos mandamentos de Deus acerca do casamento.

    A minha questão é a seguinte:
    – Segundo os ensinamentos bíblicos, que atitude deve tomar o cristão evangélico mediante ao seu casamento com um cristão católico? O cristão evangélico deve se divorciar ou permanecer em matrimônio de jugo desigual?
    – Se houver o divórcio cada um pode refazer a sua vida baseando-se novamente?

    Obrigado pelo seu tempo e estou aguardando por sua resposta.

    Graça e paz!

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