Em Gálatas 6, Paulo encerra a carta. Aqui ele ensina sobre como deve ser tratado aquele que cometeu pecado “grave” na comunidade e sobre como os cristãos devem procurar ajudar uns, aos outros. 

Um tema muito interessante neste capítulo é a lei da semeadura. Paulo explica em detalhes sobre tais princípios e quais as implicações práticas em nossas vidas.

Por fim, ele aborda a hipocrisia dos circuncidados, a prática de lei e a importância e superioridade do novo nascimento em Cristo.

Esboço de Gálatas 6:

Gálatas 6.1 – 7: Lidando com o pecado do próximo a ajuda comunitária

Gálatas 6.7 – 10: A Lei da semeadura

Gálatas 6.11 – 18: A hipocrisia, a lei e o novo nascimento

 

Exercitando a Mansidão

Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais deverão restaurá-lo com mansidão. Cuide-se, porém, cada um para que também não seja tentado. (Gálatas 6:1)

No capítulo anterior, o apóstolo exortou os cristãos a servirem “…uns aos outros pela caridade” (Gálatas 5.13) e nos advertiu (Gálatas 5.26) contra um estado de espírito que, se tolerado, nos impediria de mostrar o amor mútuo e a prontidão em servir que ele havia recomendado.

No início desse capítulo, ele acrescenta mais algumas instruções, que, se observadas devidamente, promoveriam o aspecto positivo e impediriam o aspecto negativo.

Assim, o nosso comportamento se tornaria mais aprazível à nossa profissão de fé cristã e mais útil e confortável no relacionamento uns para com os outros.

Somos ensinados aqui a lidar mansamente com aqueles que são surpreendidos nalguma falta. Ele apresenta um caso comum: “…se algum homem chegar a ser surpreendido nalguma ofensa”, isto é, for alcançado pelo pecado com a surpresa da tentação.

Uma coisa é cometer uma falta por sagacidade e deliberação e por uma completa dissolução no pecado. Outra coisa é ser surpreendido nalguma ofensa.

Paulo se refere a essa última situação e deixa claro que ela deveria ser tratada com grande brandura.

Vocês, que são espirituais, ou seja, não somente os ministros (como se só eles pudessem ser considerados pessoas espirituais), mas também outros cristãos, especialmente os cristãos mais devotos, encaminhem “…o tal com espírito de mansidão”.

Conduzindo ao Arrependimento

Nosso dever é encaminhar ou restaurar essa pessoa. Devemos nos esforçar, por meio de repreensões firmes, e conselhos pertinentes e adequados, a levá-la ao arrependimento.

A palavra original, katartizete, significa “colocar no lugar”, como se faz com um osso ou junta deslocada.

Do mesmo modo deveríamos nos esforçar para “colocá-los” no devido lugar novamente, ao convencê-los do seu pecado e erro, persuadindo-os a voltar ao seu ofício, confortando-os por meio de uma atitude perdoadora.

O processo de restauração deve ser permeado pelo verdadeiro amor cristão. A maneira como isso deve ser feito: “…com espírito de mansidão”’.

Não com ira ou raiva, como aqueles que se alegram com a queda de um irmão, mas com mansidão, como aqueles que preferem condoer-se por eles.

Muitas repreensões perdem a sua eficácia pelo fato de ocorrerem com ira. Mas quando ocorrem com calma e ternura, e procedem de uma afeição sincera e preocupação pelo bem-estar daqueles que caíram, o resultado tende a ser muito positivo.

Porque Deve Ser Com Mansidão

Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo. (Gálatas 6:2)

Um motivo muito forte para que essa correção ocorra com mansidão: “…olhando por ti mesmo, para que não sejas também tentado”.

Devemos tratar com muita ternura aqueles que foram surpreendidos nalgum pecado, porque não sabemos quando isso poderá ocorrer conosco.

Também podemos ser tentados e vencidos pela tentação. Portanto, se olharmos para nós da forma correta, estaremos dispostos a fazer aos outros aquilo que gostaríamos que fizessem a nós.

Somos instruídos a levar “…as cargas uns dos outros”. Isso pode se referir ao contexto anterior, e, dessa forma, pode nos ensinar a exercitar paciência e compaixão em relação ao próximo.

Isto com relação às fraquezas, loucuras e fragilidades, que com tanta frequência nos sobrevêm – situação em que, embora não devêssemos ser totalmente coniventes com elas, também não deveríamos ser severos demais uns com os outros por causa delas.

Ou como um preceito mais geral, essa situação nos leva a compadecer-nos uns dos outros diante das diversas provas e dificuldades que podemos encontrar, e estar prontos a oferecer uns aos outros o conforto e o conselho, a ajuda e a assistência que nossas circunstâncias possam requerer.

A Lei de Cristo

Para nos estimular nesse sentido, o apóstolo acrescenta que dessa forma estaremos cumprindo “…a lei de Cristo”.

Isso quer dizer que devemos agir de acordo com o seu preceito, que é a lei do amor, que nos obriga a exercitar paciência e perdão, a ser compassivos uns com os outros.

Isso também está de acordo com o seu padrão e exemplo, que tem a força de uma lei para nós. Ele suporta as nossas fraquezas e loucuras, e pode “…compadecer-se das nossas fraquezas” (veja Hebreus 4.15).

Portanto, existe um bom motivo para mantermos a mesma disposição de ânimo uns para com os outros.

Embora como cristãos estejamos libertos da lei de Moisés, continuamos debaixo da lei de Cristo. Portanto, em vez de colocar cargas desnecessárias sobre os outros (como faziam esses que frisavam a observância da lei de Moisés), é muito melhor cumprir a lei de Cristo, levando as cargas uns dos outros.

A Importância da Humildade

Se alguém se considera alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo. (Gálatas 6:3)

O apóstolo nos alerta acerca do problema do orgulho em relação à compaixão e condescendência mútuas que havia recomendado.

Ele deixa claro que a vaidade da nossa parte nos levará a censurar e menosprezar nossos irmãos, em vez de levar as fraquezas deles e esforçar-nos para restaurá-los quando forem surpreendidos no pecado.

Ele acredita ser possível (e seria bom se isso não fosse muito comum) para um homem achar ser alguém – ter uma opinião exagerada da sua própria suficiência, de olhar para si próprio como alguém mais sábio e melhor do que outros homens.

Esse homem deseja impor e determinar o que os outros deveriam fazer – quando na verdade ele não é coisa alguma, não tem substância ou solidez alguma em si mesmo que sirva como base para a confiança e superioridade que ele supõe ter.

Para dissuadir-nos de dar lugar a esse tipo de atitude, o apóstolo deixa claro que essa pessoa apenas se engana a si mesma.

Enquanto impõe sobre os outros algo que ele mesmo não possui, engana-se a si mesmo, e mais cedo ou mais tarde experimentará os efeitos tristes disso.

Isso não lhe garantirá a estima por parte de Deus ou de homens fiéis, que ele acha que merece. Ele não estará mais livre de erros nem mais firme contra as tentações por causa da boa opinião que tem da sua autossuficiência.

Na verdade, ele está mais propenso a cair nessas tentações e ser vencido por elas. “Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia” (veja 1 Coríntios 10.12).

Em vez de alimentar esse tipo de atitude vangloriosa, que atrapalha o amor e a bondade que devemos mostrar aos nossos companheiros cristãos e também é prejudicial a nós mesmos.

Seria bem melhor se aceitássemos a exortação do apóstolo (Filipenses 2.3): “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo”.

A Ilusão da Presunção

“Cada um examine os próprios atos, e então poderá orgulhar-se de si mesmo, sem se comparar com ninguém…” (Gálatas 6:4)

Como ela é incompatível com essa caridade que devemos aos outros (porque a caridade não trata com leviandade, não se ensoberbece, 1 Coríntios 13.4), assim enganamo-nos a nós mesmos.

E não existe um engano mais perigoso no mundo do que a auto-ilusão. Como um meio de impedir esse mal: Cada um de nós é aconselhado a provar a sua própria obra (Gálatas 6.4).

Provando as Obras

Quando o apóstolo menciona própria obra ele basicamente quer dizer nossas próprias ações ou comportamento.

Ele nos instrui a provar essas obras, isto é, a examiná-las séria e imparcialmente pela regra da Palavra de Deus, para verificar se estão ou não de acordo com a Palavra. E, portanto, o que Deus e a nossa própria consciência aprovam.

Isso ele retrata como o dever de cada pessoa; em vez de estarmos prontos a julgar e censurar os outros, seria muito melhor se examinássemos nossos próprios caminhos.

Deveríamos estar mais preocupados em julgar a nós mesmos em vez de julgar os outros. “Quem és tu que julgas o servo alheio?” (veja Romanos 14.4). (Henry, Matthew, Comentário de Atos a Apocalipse)

2 COMENTÁRIOS

  1. Esse estudo está sendo uma benção para mim! Estou começando a aprender a estudar a bíblia verdadeiramente, além dele me ajudar e abrir a minha mente para versículos que eu nem sabia o que queria dizer! Deus abençoe a sua vida e a vida do autor!!

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