Em Isaías 62, o Senhor Deus convoca o profeta para orar e interceder por Sião. A função dele era basicamente, pregar e orar. Aqui Isaías exerce a segunda parte de sua missão. Ele deve interceder pela glória de Jerusalém, com o objetivo de que no futuro dela se manifeste, e tal como o Senhor falou aconteça.

Deve ser algo intenso, com propósito e perseverança: “Vocês que clamam pelo Senhor, não se entreguem ao repouso, e não lhe concedam descanso até que ele estabeleça Jerusalém e faça dela o louvor da terra”.

Assim, o resplendor de Jerusalém se manifestará e ao invés de abandonada, ela será chamada de procurada, desejada.

Assim como a Isaías, o Senhor Deus nos convoca a fazer o mesmo por nossa nação. Devemos pregar o Evangelho e orar por nossos patrícios.

Colocar a nação, os governos, estados, cidades, enfim, é a nossa obrigação interceder por nosso povo, até que o Senhor o revista de misericórdia, tal como Isaías fez.

Esboço de Isaías 62:

Isaías 62.1 – 7: Por amor não descansarei

Isaías 62.8 – 12: Procurada, não abandonada

 

Abundância dos Meios da Graça

“Coloquei sentinelas em seus muros, ó Jerusalém; jamais descansarão, dia e noite. Vocês que clamam pelo Senhor, não se entreguem ao repouso, e não lhe concedam descanso até que ele estabeleça Jerusalém e faça dela o louvor da terra”. (Isaías 62.6,7)

Aqui, há abundância de boas pregações e de boas orações. Isto mostra o método usado por Deus quando ele designa misericórdia a um povo.

Primeiro, Ele o leva a praticar o seu dever e derrama sobre ele o espírito da oração, e em seguida o leva à salvação. É feita uma provisão para que os ministros possam cumprir seu dever como se fossem guardas.

Foi dito aqui que, como um sinal de benefício e como mais um passo em direção à misericórdia e à sua determinação, e de acordo com o que Deus havia designado para eles, ele iria colocar guardas nos seus muros que nunca iriam descansar.

Os ministros são os guardas dos muros da igreja, pois ela é como uma cidade sitiada cuja preocupação é ter guardas nos seus muros, para observar e avisar sobre os movimentos do inimigo.

É necessário que, como guardas, eles sejam atentos, fiéis e dispostos a suportar as dificuldades. Eles devem se preocupar em manter a guarda dia e noite, e nunca deverão abandonar seu posto enquanto aqueles cujas almas estão observando não estiverem fora de perigo.

Nunca deverão descansar, mas aproveitar todas as oportunidades para avisar os pecadores, a tempo e fora de tempo, e nunca trair a causa de Cristo através de um silêncio covarde ou traiçoeiro.

Nunca deverão descansar diante do trono da graça, mas deverão orar e não desfalecer, e fazer como Moisés que levantou as mãos, mantendo-as firmes até Israel alcançar a vitória sobre Amaleque (Êxodo 17.10,12).

Para Que o Povo Cumpra seu Dever

Como aqueles que fazem menção do Senhor, eles também não poderão ficar em silêncio, nem pensar ser suficiente que os guardas orem por eles, mas deverão orar por si mesmos.

Pois tudo ainda será pouco para receber com a devida solenidade a misericórdia que se aproxima. Faz parte do caráter do povo que professa a Deus mencionar o nome do Senhor e continuar fazendo isso mesmo nos momentos ruins, quando a terra se encontra desamparada e desolada.

Eles fazem com que Deus seja lembrado. E assim, eles mesmos se lembram constantemente do Senhor, e fazem com que os outros homens também se lembrem do Deus precioso que está acima de tudo e de todos.

O povo que professa a Deus deve ser um povo de oração. Dirigindo a ele uma oração preocupada com o público, deve lutar com Deus nas suas orações e continuar assim: “… não haja silêncio em vós”, nunca deixe crescer a preguiça ao praticar o dever, e nunca se canse dele.

Não Haja Silêncio

Não “… estejais em silêncio”, aludindo a um importuno pedinte ou à viúva que com a sua contínua presença conquistou a complacência do juiz.

Deus disse a Moisés: “Deixa- me” (Êxodo 32.10) e Jacó a Cristo: “Não te deixarei ir, se me não abençoares” (Gênesis 32.26). Deus está tão longe de sentir algum desagrado pelas nossas prementes importunações, como geralmente acontece com os homens, que as convida e encoraja.

Ele nos convida a clamar a Ele, e não é semelhante àqueles discípulos que lhe rogaram que despedisse uma suplicante (Mateus 15.23). Ele nos convida a fazer prementes solicitações ao trono da graça e a não lhe dar descanso (Lucas 11.5,8).

Ele deseja não só ser buscado, mas também que as pessoas lutem com Ele em oração. E o bem-estar público, ou a prosperidade da Jerusalém de Deus, é aquilo pelo que devemos mais importunar o trono da graça.

Devemos Orar Pelo Bem da Igreja

Para que ela possa estar fora de perigo, para que Ele possa estabelecê-la, para que os interesses da igreja sejam firmes e possam ser estabelecidos no momento presente e garantidos para a posteridade.

Para que ela possa ser grande, possa ser um louvor na terra, para que seja louvada e Deus seja louvado através dela.

Quando as verdades do Evangelho forem esclarecidas e vindicadas, quando os mandamentos do Evangelho forem devidamente administrados na sua pureza e poder.

Quando a igreja se tornar eminente por causa da sua santidade e do seu amor, então Jerusalém se tornará o louvor da terra, então essa será a sua reputação.

Devemos perseverar nas nossas orações em prol da misericórdia a favor da igreja, até que essa misericórdia chegue até ela. Devemos fazer como o servo do profeta, que voltou sete vezes até que a nuvem prometida aparecesse (1 Reiss 18.44).

É um bom sinal quando Deus vem até o seu povo através dos caminhos da misericórdia, quando Ele derrama o espírito de oração sobre os seus filhos, estimulando-os a serem fervorosos e constantes nas suas intercessões. (Henry, Matthew, Comentário de Isaías)

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