Em Jó 15, vemos que talvez Jó tivesse sido tão claro, e estivesse tão satisfeito com a bondade da sua própria causa, que pensou que, se não tinha convencido, pelo menos tinha silenciado os seus três amigos; mas aparentemente não era este o caso.

Neste capítulo, eles lhe desferem um segundo ataque, cada um deles acusando-o com tanta veemência como antes. É natural que sejamos apegados aos nossos próprios sentimentos, e por isto, que sejamos leais a eles, e tenhamos dificuldade para recuar deles.

Aqui Elifaz se mantém firme nos princípios sobre os quais tinha condenado Jó, e ele o repreende por se justificar, e o responsabiliza por muitas coisas más que são, injustamente, deduzidas disto (v.v. 2-13).

Ele o persuade a se humilhar perante Deus e se envergonhar (v.v. 14-16). Ele lhe faz uma longa preleção a respeito do lamentável estado dos ímpios, que endurecem seus corações contra Deus e os juízos que são preparados para eles (v.v. 17-35).

Podemos fazer um bom uso, tanto das repreensões (pois são claras) como da doutrina (pois é confiável), embora tanto uma como a outra sejam aplicadas indevidamente a Jó. (Henry, Matthew, Comentário dos Livros Poéticos)

Esboço de Jó 15:

Jó 15.1 – 16: Elifaz novamente acusa Jó

Jó 15.17 – 28: Comida para os abutres

Jó 15.29 – 35: Não se iluda

 

Jó 15.1 – 16: Elifaz novamente acusa Jó

1 Então Elifaz, de Temã, respondeu:

2 Responderia o sábio com ideias vãs, ou encheria o estômago com o vento?

3 Argumentaria com palavras inúteis, com discursos sem valor?

4 Mas você sufoca a piedade e diminui a devoção a Deus.

5 O seu pecado motiva a sua boca; você adota a linguagem dos astutos.

6 É a sua própria boca que o condena, e não a minha; os seus próprios lábios depõem contra você.

7 Será que você foi o primeiro a nascer? Acaso foi gerado antes das colinas?

8 Você costuma ouvir o conselho secreto de Deus? Só a você pertence a sabedoria?

9 O que você sabe, que nós não sabemos? Que compreensão tem você, que nós não temos?

10 Temos do nosso lado homens de cabelos brancos, muito mais velhos que o seu pai.

11 Não lhe basta mas consolações divinas e as nossas palavras amáveis?

12 Por que você se deixa levar pelo coração, e por que esse brilho nos seus olhos?

13 Pois contra Deus é que você dirige a sua ira e despeja da sua boca essas palavras!

14 Como o homem pode ser puro? Como pode ser justo quem nasce de mulher?

15 Pois se nem nos seus santos Deus confia, e se nem os céus são puros aos seus olhos,

16 quanto menos o homem, que é impuro e corrupto, e que bebe iniquidade como á­gua.

Jó 15.17 – 28: Comida para os abutres

17 Escute-me, e eu lhe explicarei; vou dizer-lhe o que vi,

18 o que os sábios declaram sem esconder o que receberam dos seus pais,

19 a quem foi dada a terra, e a mais ninguém; nenhum estrangeiro passou entre eles:

20 O ímpio sofre tormentosa vida toda, como também o homem cruel, nos poucos anos que lhe são reservados.

21 Só ouve ruídos aterrorizantes; quando se sente em paz, ladrões o atacam.

22 Não tem esperança de escapar das trevas; sente-se destinado ao fio da espada.

23 Fica perambulando; é comida para os abutres; sabe muito bem que logo virão sobre ele as trevas.

24 A aflição e a angústia o apavoram e o dominam como um rei pronto para atacar,

25 porque agitou os punhos contra Deus, e desafiou o Todo-poderoso,

26 afrontando-o com arrogância, com um escudo grosso e resistente.

27 Apesar de ter o rosto coberto de gordura e a cintura estufada de carne,

28 habitará em cidades prestes a arruinar-se, em casas inabitáveis, caindo aos pedaços.

Jó 15.29 – 35: Não se iluda

29 Nunca mais será rico; sua riqueza não durará, e os seus bens não se propagarão pela terra.

30 Não poderá escapar das trevas; o fogo chamuscará os seus renovos, e o sopro da boca de Deus o arrebatará.

31 Que ele não se iluda em confiar no que não tem valor, pois nada receberá como compensação.

32 Terá completa paga antes do tempo, e os seus ramos não florescerão.

33 Será como a vinha despojada de suas uvas verdes, como a oliveira que perdeu a sua floração,

34 pois o companheirismo dos ímpios nada lhe trará, e o fogo devorará as tendas dos que gostam de subornar.

35 Eles concebem maldade e dão à luz a iniquidade; seu ventre gera engano.

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