Em Jó 29, depois daquele excelente discurso a respeito da sabedoria, no capítulo anterior, Jó faz uma pausa, não porque tinha falado a ponto de perder o fôlego, mas porque não desejava, sem a permissão dos seus amigos, monopolizar a palavra.

Ele desejava dar espaço para que seus amigos, se assim o desejassem, fizessem suas observações sobre o que ele tinha dito.

Mas eles não tinham nada a dizer, e, por isto, depois de ter se recomposto, durante algum tempo, prosseguiu com seu discurso, a respeito das suas próprias questões, conforme registram este capítulo e os dois seguintes.

Neles, Jó descreve a altura da prosperidade da qual ele tinha caído, e a profundeza da adversidade em que estava; e isto ele faz para incitar a piedade de seus amigos, e para justificar, ou, pelo menos, desculpar, as suas próprias queixas.

Mas para desviar de si as censuras de seus amigos, Jó apresenta uma declaração muito ampla e particular da sua própria integridade, apesar de tudo.

Neste capítulo, ele examina e recorda os dias da sua prosperidade, e mostra, o conforto e a satisfação que ele tinha na sua casa e na sua família (v.v. 1-6).

A grande honra e o poder que ele tinha na sua região, e o respeito que lhe era prestado por todos os tipos de pessoas (v.v. 7-10). A abundância do bem que ele havia feito em sua posição de magistrado (v.v. 11-17).

A grande e justa esperança que ele tinha da continuidade do seu conforto em casa (v.v. 18-20), e dos seus interesses fora de casa (v.v. 21-25).

Tudo isto Jó detalha, para agravar as suas calamidades atuais, como Noemi: “Cheia parti, porém vazia o Senhor me fez tornar”. (Henry, Matthew, Comentário dos Livros Poéticos)

Esboço de Jó 29:

Jó 29.1 – 6: “Saudades…”

Jó 29.7 – 17: Belos dias passados

Jó 29.18 – 25: Havia prestígio 

 

Jó 29.1 – 6: “Saudades…”

1 prosseguiu sua fala:

2 Como tenho saudade dos meses que se passaram, dos dias em que Deus cuidava de mim,

3 quando a sua lâmpada brilhava sobre a minha cabeça e por sua luz eu caminhava em meio às trevas!

4 Como tenho saudade dos dias do meu vigor, quando a amizade de Deus abençoava a minha casa,

5 quando o Todo-poderoso ainda estava comigo e meus filhos estavam ao meu redor,

6 quando as minhas veredas se embebiam em nata e a rocha me despejava torrentes de azeite.

Jó 29.7 – 17: Belos dias passados

7 Quando eu ia à porta da cidade e tomava assento na praça pública;

8 quando, ao me verem, os jovens saíam do caminho, e os idosos ficavam em pé;

9 os líderes se abstinham de falar e com a mão cobriam a boca.

10 As vozes dos nobres silenciavam, e suas línguas colavam-se ao céu da boca.

11 Todos os que me ouviam falavam bem de mim, e quem me via me elogiava,

12 pois eu socorria o pobre que clamava por ajuda, e o órfão que não tinha quem o ajudasse.

13 O que estava à beira da morte me abençoava, e eu fazia regozijar-se o coração da viúva.

14 A retidão era a minha roupa; a justiça era o meu manto e o meu turbante.

15 Eu era os olhos do cego e os pés do aleijado.

16 Eu era o pai dos necessitados, e me interessava pela defesa de desconhecidos.

17 Eu quebrava as presas dos ímpios e dos seus dentes arrancava as suas vítimas.

Jó 29.18 – 25: Havia prestígio

18 Eu pensava: Morrerei em casa, e os meus dias serão numerosos como os grãos de areia.

19 Minhas raízes chegarão até as águas, e o orvalho passará a noite nos meus ramos.

20 Minha glória se renovará em mim, e novo será o meu arco em minha mão.

21 Os homens me escutavam em ansiosa expectativa, aguardando em silêncio o meu conselho.

22 Depois que eu falava, eles nada diziam; minhas palavras caíam suavemente em seus ouvidos.

23 Esperavam por mim como quem espera por uma chuvarada, e bebiam minhas palavras como quem bebe a chuva da primavera.

24 Quando eu lhes sorria, mal acreditavam; a luz do meu rosto lhes era preciosa.

25 Era eu que escolhia o caminho para eles, e me assentava como seu líder; instalava-me como um reino meio das suas tropas; eu era como um consolador dos que choram.

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