Em Jó 34, provavelmente Eliú deve ter feito uma pausa, para verificar se Jó tinha alguma coisa a dizer contrária ao seu discurso, no capítulo anterior; mas Jó fica em silêncio, e provavelmente indica o seu desejo de que Eliú prossiga, o que ele faz aqui.

E, ele pede não somente a audiência, mas a ajuda do grupo (v.v. 2-4). Eliú acusa Jó de mais algumas expressões inadequadas que tinha proferido (v.v. 5-9).

Ele se empenha em convencê-lo de que ele tinha dito coisas inapropriadas mostrando, de maneira muito abrangente, a justiça incontestável de Deus (v.v. 10-12,17,19,23).

O seu domínio soberano (v.v. 13-15). O seu poder ilimitado (v.v. 20,24). A sua onisciência (v.v. 21,22,25). A sua severidade contra os pecadores (v.v. 26-28).

A sua providência predominante (v.v. 29,30). Ele lhe ensina o que ele deve dizer (v.v. 31,32). E, por fim, ele deixa a questão a cargo da consciência de Jó, e conclui com uma contundente reprovação a ele, por sua impertinência e seu descontentamento (v.v. 33-37).

Tudo isto Jó não apenas ouviu e suportou pacientemente, como recebeu gentilmente, porque viu que Eliú tinha boas intenções.

E, considerando que os seus outros amigos o tinham acusado daquilo que a sua própria consciência o absolvia, Eliú o acusou somente daquilo por que, provavelmente, o seu próprio coração, agora, ao refletir, começava a feri-lo. (Henry, Matthew, Comentário dos Livros Poéticos)

Esboço de Jó 34:

Jó 34.1 – 9: Eliú continua falando

Jó 34.10 – 15: Deus não pratica o mal

Jó 34.16 – 30: Deus é Todo-Poderoso

Jó 34.31 – 37: O que não estou vendo? 

 

Jó 34.1 – 9: Eliú continua falando

1 Eliú continuou:

2 Ouçam as minhas palavras, vocês que são sábios; escutem-me, vocês que têm conhecimento.

3 Pois o ouvido prova as palavras como a língua prova o alimento.

4 Tratemos de discernir juntos o que é certo e de aprender o que é bom.

5 Jó afirma: Sou inocente, mas Deus me nega justiça.

6 Apesar de eu estar certo, sou considerado mentiroso; apesar de estar sem culpa, sua flecha me causa ferida incurável”.

7 Que homem existe como Jó, que bebe zombaria como água?

8 Ele é companheiro dos que fazem o mal, e anda com os ímpios.

9 Pois diz: “Não dá lucro agradar a Deus”.

Jó 34.10 – 15: Deus não pratica o mal

10 Por isso escutem-me, vocês que têm conhecimento. Longe de Deus esteja o fazer o mal, e do Todo-poderoso o praticar a iniquidade.

11 Ele retribui ao homem conforme o que este fez, e lhe dá o que a sua conduta merece.

12 Não se pode nem pensar que Deus faça o mal, que o Todo-poderoso perverta a justiça.

13 Quem o nome ou para governar a terra? Quem o encarregou de cuidar do mundo inteiro?

14 Se fosse intenção dele, e de fato retirasse o seu espírito e o seu sopro,

15 a humanidade pereceria toda de uma vez, e o homem voltaria ao pó.

Jó 34.16 – 30: Deus é Todo-Poderoso

16 Portanto, se você tem entendimento, ouça-me, escute o que lhe digo.

17 Acaso quem odeia a justiça poderá governar? Você ousará condenar aquele que é justo e poderoso?

18 Não é ele que diz aos reis: “Vocês nada valem”, e aos nobres: “Vocês são ímpios”?

19 Não é verdade que ele não mostra parcialidade a favor dos príncipes, e não favorece o rico em detrimento do pobre, uma vez que todos são obra de suas mãos?

20 Morrem num momento, em plena noite; cambaleiam e passam. Os poderosos são retirados sem a intervenção de mãos humanas.

21 Pois Deus vê o caminho dos homens; ele enxerga cada um dos seus passos.

22 Não há sombra densa o bastante, onde os que fazem o mal possam esconder-se.

23 Deus não precisa de maior tempo para examinar os homens e levá-los à sua presença para julgamento.

24 Sem depender de investigações, ele destrói os poderosos e coloca outros em seu lugar.

25 Visto que ele repara nos atos que eles praticam, derruba-os, e eles são esmagados.

26 Pela impiedade deles, ele os castiga onde todos podem vê-los.

27 Isso porque deixaram de segui-lo e não deram atenção aos caminhos por ele traçados.

28 Fizeram chegar a ele o grito do pobre, e ele ouviu o clamor do necessitado.

29 Mas, se ele permanecer calado, quem poderá condená-lo? Se esconder o rosto, quem poderá vê-lo? No entanto, ele domina igualmente sobre homens e nações,

30 para evitar que o ímpio governe e prepare armadilhas para o povo.

Jó 34.31 – 37: O que não estou vendo?

31 Suponhamos que um homem diga a Deus: “Sou culpado, mas não vou mais pecar.

32 Mostra-me o que não estou vendo; se agi mal, não tornarei a fazê-lo”.

33 Quanto a você, deveria Deus recompensá-lo quando você nega a sua culpa? É você que deve decidir, não eu; conte-me, pois, o que você sabe.

34 Os homens de bom senso, os sábios que me ouvem, me declaram:

35 “Jó não sabe o que diz; não há discernimento em suas palavras”.

36 Ah, se Jó sofresse a mais dura prova, por sua resposta de ímpio!

37 Ao seu pecado ele acrescenta a revolta; com desprezo bate palmas entre nós e multiplica suas palavras contra Deus.

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