Em Jó 41, vemos a descrição do leviatã, um peixe muito grande, forte e terrível, ou animal marinho. O objetivo é o de convencer Jó ainda mais da sua própria impotência, e da onipotência de Deus, para que Jó possa ser humilhado pela sua loucura em se fazer tão ousado para com o Senhor.

Para convencer Jó da sua própria fraqueza, ele é aqui desafiado a dominar e amansar este leviatã, se puder, e se fazer seu senhor (v.v. 1-9); e, visto que ele não pode fazer isso, deve reconhecer que é totalmente incapaz de permanecer na presença do grande Deus, (v. 10).

Para convencer Jó do poder e da terrível majestade de Deus, aqui são apresentados, em particular, vários exemplos da força e do terror do leviatã, que não são maiores do que os que Deus lhe deu, nem maiores do que os que Ele possui sob o seu controle (v.v. 11,12).

A face do leviatã é descrita aqui como sendo terrível (v.v. 12,14); suas escamas são fechadas (v.v. 15-17); sua respiração e seus espirros são resplandecentes (v.v. 18-21); sua carne é firme (v.v. 22-24).

Sua força e ânimo, quando é atacado, se mostram insuperáveis (v.v. 25-30); seus movimentos são turbulentos e perturbadores para as águas (v.v. 31,32), de forma que, de um modo geral, ele é uma criatura muito terrível, e o homem não é páreo para ele (v.v. 33,34). (Henry, Matthew, Comentário dos Livros Poéticos)

Esboço de Jó 41:

Jó 41.1 – 10: A descrição do Leviatã

Jó 41.11: Quem primeiro me deu?

Jó 41.12 – 30: A força do Leviatã

Jó 41.31 – 34: As profundezas se agitam 

 

Jó 41.1 – 10: A descrição do Leviatã

1 Você consegue pescar com anzol o Leviatã ou prender sua língua com uma corda?

2 Consegue fazer passar um cordão pelo seu nariz ou atravessar seu queixo com um gancho?

3 Você imagina que ele vai lhe implorar misericórdia e falar-lhe palavras amáveis?

4 Acha que ele vai fazer a cor do com você, para que o tenha como escravo pelo resto da vida?

5 Acaso você consegue fazer dele um bichinho de estimação, como se fosse um passarinho, ou pôr-lhe uma coleira para dá-lo às suas filhas?

6 Poderão os negociantes vendê-lo? Ou reparti-lo entre os comerciantes?

7 Você consegue encher de arpões o seu couro, e de lanças de pesca a sua cabeça?

8 Se puser a mão nele, a luta ficará em sua memória, e nunca mais você tornará a fazê-lo.

9 Esperar vencê-lo é ilusão; apenas vê-lo já é assustador.

10 Ninguém é suficientemente corajoso para despertá-lo. Quem então será capaz de resistir a mim?

Jó 41.11: Quem primeiro me deu?

11 Quem primeiro me deu alguma coisa, que eu lhe deva pagar? Tudo o que há debaixo dos céus me pertence.

Jó 41.12 – 30: A força do Leviatã

12 Não deixarei de falar de seus membros, de sua força e de seu porte gracioso.

13 Quem consegue arrancar sua capa externa? Quem se aproximaria dele com uma rédea?

14 Quem ousa abrir as portas de sua boca, cercada com seus dentes temíveis?

15 Suas costas possuem fileiras de escudos firmemente unidos;

16 cada um está tão junto do outro que nem o ar passa entre eles;

17 estão tão interligados que é impossível separá-los.

18 Seu forte sopro atira lampejos de luz; seus olhos são como os raios da alvorada.

19 Tições saem da sua boca; fagulhas de fogo estalam.

20 Das suas narinas sai fumaça como de panela fervente sobre fogueira de juncos.

21 Seu sopro acende o carvão, e da sua boca saltam chamas.

22 Tanta força reside em seu pescoço que o terror vai adiante dele.

23 As dobras da sua carne são fortemente unidas; são tão firmes que não se movem.

24 Seu peito é duro como pedra, rijo como a pedra inferior do moinho.

25 Quando ele se ergue, os poderosos se apavoram; fogem com medo dos seus golpes.

26 A espada que o atinge nada lhe faz, nem a lança nem a flecha nem o dardo.

27 Ferro ele trata como palha, e bronze como madeira podre.

28 As flechas não o afugentam, as pedras das fundas são como cisco para ele.

29 O bastão lhe parece fiapo de palha; o brandir da grande lança o faz rir.

30 Seu ventre é como caco denteado, e deixa rastro na lama como o trilho de debulhar.

Jó 41.31 – 34: As profundezas se agitam

31 Ele faz as profundezas se agitarem como caldeirão fervente, e revolve o mar como pote de unguento.

32 Deixa atrás de si um rastro cintilante, como se fossemos cabelos brancos do abismo.

33 Nada na terra se equipara a ele: criatura destemida!

34 Com desdém olha todos os altivos; reina soberano sobre todos os orgulhosos.

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