Ao iniciarmos nosso estudo deste evangelho (João 1), encontramos o registro da Palavra de Deus, segundo relatou o apóstolo João. Todas essas palavras, do primeiro ao vigésimo primeiro capítulo, merecem nossas mais reverentes reflexões e, para compreendê-las melhor, à medida que fizermos as nossas considerações, vamos detalhando o texto bíblico. Iniciando com o primeiro capítulo, vamos estudar essas palavras pedindo a Deus que nos permita compreendê-las e aplicá-las em nossas vidas.

Iniciamos o estudo deste evangelho com o chamado “prólogo joanino”. Esta é a primeira parte da estrutura do evangelho, que denominamos: O Deus encarnado chega até nós (1.1–18).

Esse prólogo é a introdução do evangelho. É o início das declarações de João sobre o Senhor Jesus Cristo. Como bem colocou Bock (2006, p. 388), enquanto Marcos começa o seu evangelho com o ministério de João Batista, Mateus com o nascimento de Jesus, e Lucas inicia o seu relato com o nascimento de João Batista, João retrocede muito, até antes da criação, para apresentar a saga da Palavra pré-encarnada. Assim, o prólogo ou a introdução de João põe rapidamente diante do leitor o ponto de vista do autor sobre Jesus, particularmente sua divindade: … o Verbo era Deus… (1.1).

João inicia suas colocações referindo-se ao Verbo. Sobre esse termo: “o Verbo”, conforme esclarece Bruce (2006, p. 33):

    … este é o termo mais característico do prólogo, embora o “Verbo”, não aparece mais no evangelho no sentido em que apareceu no prólogo. Mesmo assim, no que diz sobre o “Verbo”, o prólogo mostra-nos a perspectiva sob a qual todo o evangelho deve ser compreendido: tudo o que foi registrado, das margens do Jordão às aparições depois da ressurreição, mostra como a Palavra eterna de Deus tornou-se carne, para que homens e mulheres cressem nele e vivessem.

Entendemos que essa expressão usada por Bruce, “Palavra eterna de Deus”, pode nos ajudar a entender o significado do Verbo. Vamos, com base no texto bíblico, além do prólogo, verificar outros detalhes desse maravilhoso texto para compreender a riqueza dessas palavras divinamente inspiradas registradas por João. (Neves, I., & McGee, J. V. (2012). Comentário Bíblico de João. (I. Mazzacorati, Org.) (Segunda edição, p. 27). São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial.

 

João 1.1 – 5: Descrição da divindade do Verbo

João 1.10 – 14: Descrição da missão do Verbo

João 1.15 – 18: Descrição da superioridade do Verbo

João 1.6 – 9; 19 – 28: João Batista negou ser o Cristo, identificando-se corretamente

João 1. 29 – 31: João Batista apresentou Jesus como o cordeiro de Deus

João 1.31 – 34: João Batista batizou Jesus Cristo

João 1.35 – 42: Jesus Cristo começou a ser seguido por discípulos

 

João 1.1 – 5: Descrição da divindade do Verbo

1 No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus, e era Deus.

2 Ele estava com Deus no princípio.

3 Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito.

4 Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens.

5 A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram.

João 1.6 – 9: João Batista negou ser o Cristo

6 Surgiu um homem enviado por Deus, chamado João.

7 Ele veio como testemunha, para testificar acerca da luz, a fim de que por meio dele todos os homens cressem.

8 Ele próprio não era a luz, mas veio como testemunha da luz.

9 Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens.

João 1.10 – 14: Descrição da missão do Verbo

10 Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu.

11 Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.

12 Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus,

13 os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus.

14 Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.

João 1.15 – 18: Descrição da superioridade do Verbo

15 dá testemunho dele. Ele exclama: “Este é aquele de quem eu falei: aquele que vem depois de mim é superior a mim, porque já existia antes de mim”.

16 Todos recebemos da sua plenitude, graça sobre graça.

17 Pois a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por intermédio de Jesus Cristo.

18 Ninguém jamais viu a Deus, mas o Deus Unigênito, que está junto do Pai, o tornou conhecido.

João 1.19 – 28: João Batista novamente negou ser o Cristo

19 Este foi o testemunho de João, quando os judeus de Jerusalém enviaram sacerdotes e levitas para lhe perguntarem quem ele era.

20 Ele confessou e não negou; declarou abertamente: “Não sou o Cristo”.

21 Perguntaram-lhe: “E então, quem é você? É Elias?” Ele disse: “Não sou”. “É o Profeta?” Ele respondeu: “Não”.

22 Finalmente perguntaram: “Quem é você? Dê-nos uma resposta, para que a levemos àqueles que nos enviaram. Que diz você acerca de si próprio?”

23 respondeu com as palavras do profeta Isaías: “Eu sou a voz do que clama no deserto: “Façam um caminho reto para o Senhor””.

24 Alguns fariseus que tinham sido enviados

25 interrogaram-no: “Então, por que você batiza, se não é o Cristo, nem Elias, nem o Profeta?”

26 Respondeu João: Eu batizo com água, mas entre vocês está alguém que vocês não conhecem.

27 Ele é aquele que vem depois de mim, e não sou digno de desamarrar as correias de suas sandálias.

28 Tudo isso aconteceu em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.

João 1. 29 – 31: João Batista apresentou Jesus como o cordeiro de Deus

29 No dia seguinte João viu Jesus aproximando-se e disse: Vejam! É o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!

30 Este é aquele a quem eu me referi, quando disse: Vem depois de mim um homem que é superior a mim, porque já existia antes de mim.

João 1.31 – 34: João Batista batizou Jesus Cristo

31 Eu mesmo não o conhecia, mas por isso é que vim batizando com água: para que ele viesse a ser revelado a Israel.

32 Então João deu o seguinte testemunho: Eu vi o Espírito descer dos céus como pomba e permanecer sobre ele.

33 Eu não o teria reconhecido, se aquele que me enviou para batizar com água não me tivesse dito: “Aquele sobre quem você vir o Espírito descer e permanecer, esse é o que batiza com o Espírito Santo”.

34 Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus.

João 1.35 – 42: Jesus Cristo começou a ser seguido por discípulos

35 No dia seguinte João estava ali novamente com dois dos seus discípulos.

36 Quando viu Jesus passando, disse: “Vejam! É o Cordeiro de Deus!”

37 Ouvindo-o dizer isso, os dois discípulos seguiram Jesus.

38 Voltando-se e vendo Jesus que os dois o seguiam, perguntou-lhes: “O que vocês querem?” Eles disseram: “Rabi” (que significa “Mestre”), “onde estás hospedado?”

39 Respondeu ele: “Venham e verão”. Então foram, por volta das quatro horas da tarde, viram onde ele estava hospedado e passaram com ele aquele dia.

40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido o que João dissera e que haviam seguido Jesus.

41 O primeiro que ele encontrou foi Simão, seu irmão, e lhe disse: “Achamos o Messias” (isto é, o Cristo).

42 E o levou a Jesus. Jesus olhou para ele e disse: “Você é Simão, filho de João. Será chamado Cefas” (que traduzido é “Pedro”).

43 No dia seguinte Jesus decidiu partir para a Galileia. Quando encontrou Filipe, disse-lhe: “Siga-me”.

44 Filipe, como André e Pedro, era da cidade de Betsaida.

45 Filipe encontrou Natanael e lhe disse: “Achamos aquele sobre quem Moisés escreveu na Lei, e a respeito de quem os profetas também escreveram: Jesus de Nazaré, filho de José”.

46 Perguntou Natanael: “Nazaré? Pode vir alguma coisa boa de lá?” Disse Filipe: “Venha e veja”.

47 Ao ver Natanael se aproximando, disse Jesus: “Aí está um verdadeiro israelita, em quem não há falsidade”.

48 Perguntou Natanael: “De onde me conheces?” Jesus respondeu: “Eu o vi quando você ainda estava debaixo da figueira, antes de Filipe o chamar”.

49 Então Natanael declarou: “Mestre, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!”

50 Jesus disse: “Você crê porque eu disse que o vi debaixo da figueira. Você verá coisas maiores do que essa!”

51 E então acrescentou: “Digo-lhes a verdade: Vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem”.

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