João 12 Estudo: Jesus é Ungido em Betânia

Em João 12, iniciamos o estudo do “livro da glória”, relatos que incluem a entrega, a morte e a ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Mas com esse capítulo, também encerramos a quarta parte do esboço em que dividimos este evangelho que nos mostra que Jesus, o Deus encarnado, foi para Jerusalém se entregar por nós (conf. 10.40–12.50).

Neste capítulo estaremos estudando fatos que aconteceram dias antes de Jesus ser entregue por nós na cruz do Calvário.

Esboço de João 12:

12.1 – 8: A unção de Jesus em Betânia

12.9 – 11: O plano dos judeus para matar Lázaro

12.12 – 19: A entrada de Jesus em Jerusalém

12.20 – 26: Jesus atende a alguns gregos

12.27 – 36: Jesus explica sobre a sua missão

12.37 – 43: Jesus e a incredulidade dos judeus

12.44 – 50: O resumo do ensino de Jesus

 

Ao considerarmos o primeiro episódio registrado em João 12, notamos diferenças em relação ao relato de dois evangelhos sinóticos (Mt 26.6–13 e Mc 14.3–9), uma vez que Lucas não registra esse episódio nessa ocasião (conf. Lc 7.36–50).

Essas diferenças podem ser pontuadas, como seguem: nos evangelhos sinóticos de Mateus e Marcos esse acontecimento teve ocasião dois dias antes da Páscoa, aqui em João ele o registra a seis dias antes da Páscoa; nos sinóticos esse episódio se deu na casa de Simão, o leproso, aqui em João esse fato aconteceu na casa onde estava Lázaro.

Nos sinóticos, todos os discípulos se queixaram do “desperdício” da unção, aqui em João é somente Judas que se queixou da atitude de Maria; em Mateus e Marcos não se identifica a mulher que ungiu Jesus, aqui em João essa mulher é claramente identificada, é Maria, irmã de Marta e de Lázaro.

Nos sinóticos, o bálsamo foi derramado sobre a cabeça de Jesus, aqui em João, o bálsamo foi derramado sobre os pés de Jesus; em Mateus não temos o cálculo do valor do perfume, aqui em João, que acompanha Marcos, o valor mencionado é de trezentos denários; e nos sinóticos, por não se especificar a queixa de Judas, não se detalha a sua atitude e a sua motivação, aqui em João, Judas é identificado como “tesoureiro” do grupo e ladrão.

Como entender essas e outras diferenças menores?

Seguindo a linha de raciocínio de Carson (2007, p. 426–427), podemos considerar que a unção feita sobre Jesus não se restringiu somente à sua cabeça, ou somente aos seus pés, mas certamente atingiu o seu corpo, numa antecipação dos perfumes que eram colocados quando se preparavam os cadáveres para o sepultamento.

Marcos e Mateus tinham razões temáticas para enfatizar a unção sobre a cabeça de Jesus, pois queriam demonstrá-lo honrado e ungido como rei para os seus leitores (Marcos, para os romanos e Mateus, para os judeus).

E certamente, outra lição que podemos aprender com essas diferentes narrativas refere-se à provável intenção de João ao enfatizar a unção sobre os pés de Jesus, uma vez que já no próximo capítulo é Jesus, que numa atitude maravilhosa de humildade e amor, lava os pés dos discípulos, desafiando-os a procederem assim mutuamente.

Essas diferenças demonstram claramente que o conteúdo está preservado, mas demonstram também que as fontes, muitas delas orais, usadas na composição dos evangelhos, foram diversas e, cada autor, inspirado pelo Espírito Santo, se valeu dos recursos disponíveis para a confecção dos seus relatos testemunhais.

Após essas observações, podemos observar esse capítulo de maneira completa e, ao procedermos assim, verificamos que são sete as divisões marcantes que merecem a nossa atenção.

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