João 14 nos coloca de novo no cenário daquela inesquecível quinta feira, algumas horas antes de Jesus se entregar por nós para o perdão dos nossos pecados.

Introduzimos este texto lembrando-nos contextualmente das últimas narrativas. Nelas nós descrevemos o ambiente daquele jantar especial. Era um ambiente de muito amor, de amizade e de intimidade, pois Jesus desejava ansiosamente celebrar aquela Páscoa com eles e, tendo os amado, os amou até o fim.

Era um ambiente de simbolismo, de doutrinamento e de ensino dramatizado, pois Jesus, lavando os pés dos discípulos, mostrou-lhes a razão, a maneira e a ocasião da demonstração da mutualidade do amor. Mas, ao mesmo tempo, era também um ambiente de dúvidas, pois não sabiam quem era o traidor; de tensão, pela traição de Judas; e de perplexidade e tristeza, diante das palavras de Jesus que eles não o veriam mais.

Como afirmamos, desde João 13.1 até 17.26, todo esse texto nos remete àquelas horas da noite daquele último dia, portanto, todo esse capítulo 14 está inserido nesse contexto.

Dentro deste contexto maior, podemos selecionar os capítulos 14, 15 e 16 como três discursos distintos que Jesus pronunciou, preparando definitivamente os discípulos para a sua partida.

No capítulo 14, temos a instrução sobre a vinda do Espírito Santo. No capítulo 15, temos a instrução sobre a necessidade de permanecermos em comunhão íntima com Jesus. E, no capítulo 16, temos algumas promessas feitas por Jesus relacionadas ao ministério do Espírito Santo.

    O primeiro discurso, capítulo 14, provavelmente foi pronunciado no cenáculo onde houve a última ceia (conf. capítulo 13). A última frase de João 14.31 sugere que Jesus e seus discípulos deixaram a casa e começaram a caminhar para o leste, em direção ao Jardim do Getsêmani. O segundo (15.1–16.4) e o terceiro (16.4–33) discursos talvez tenham sido feitos enquanto o grupo caminhava silenciosamente através da cidade. A oração sacerdotal do capítulo 17 foi feita antes de Jesus e seus discípulos atravessarem o Vale de Cedrom, ao irem para o Getsêmani (JENSEN, 1980, p. 84).

As palavras de Jesus e seus ensinamentos nessa ocasião foram tão impactantes que, depois de aproximadamente sessenta anos, o apóstolo João, o discípulo amado, que durante a Ceia estava ao lado de Jesus, pode relembrá-las e registrá-las para alicerçar a nossa fé, diante de tão grande segurança que o Senhor nos dá.

Esboço de João 14:

João 14.1 – 4: Jesus garante aos seus discípulos a sua volta

João 14.5 – 11: Jesus garante aos seus discípulos a união com o Pai

João 14.12 – 15: O atendimento às orações

João 14.16 – 26: A companhia do Espírito Santo

João 14.27: Jesus garante aos seus discípulos a sua paz

João 14.28 – 29: Jesus garante aos seus discípulos a verdadeira alegria

João 14.30,31: Conforme os propósitos eternos

 

João 14.1 – 4: Jesus garante aos seus discípulos a sua volta

1 Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim.

2 Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. 

3 E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver.

4 Vocês conhecem o caminho para onde vou.

5 Disse-lhe Tomé: “Senhor, não sabemos para onde vais; como então podemos saber o caminho?”

João 14.5 – 11: Jesus garante aos seus discípulos a união com o Pai

6 Respondeu Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.

7 Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam também o meu Pai. Já agora vocês o conhecem e o têm visto.

8 Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta”.

9 Jesus respondeu: Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: “Mostra-nos o Pai”?

10 Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Ao contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra.

11 Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras.

João 14.12 – 15: O atendimento às orações

12 Digo-lhes a verdade: Aquele que crê em mim fará também as obras que tenho realizado. Fará coisas ainda maiores do que estas, porque eu estou indo para o Pai.

13 E eu farei o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho.

14 O que vocês pedirem em meu nome, eu farei.

15 Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos.

João 14.16 – 26: A companhia do Espírito Santo

16 E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre,

17 o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês.

18 Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês.

19 Dentro de pouco tempo o mundo não me verá mais; vocês, porém, me verão. Porque eu vivo, vocês também viverão.

20 Naquele dia compreenderão que estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês.

21 Quem tem os meus mandamentos e lhes obedece, esse é o que me ama. Aquele que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me revelarei a ele.

22 Disse então Judas (não o Iscariotes): “Senhor, mas por que te revelarás a nós e não ao mundo?”

23 Respondeu Jesus: Se alguém me ama, obedecerá à minha palavra. Meu Pai o amará, nós viremos a ele e faremos morada nele.

24 Aquele que não me ama não obedece às minhas palavras. Estas palavras que vocês estão ouvindo não são minhas; são de meu Pai que me enviou.

25 Tudo isso lhes tenho dito enquanto ainda estou com vocês.

26 Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse.

João 14.27: Jesus garante aos seus discípulos a sua paz

27 Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo.

João 14.28 – 29: Jesus garante aos seus discípulos a verdadeira alegria

28 Vocês me ouviram dizer: Vou, mas volto para vocês. Se vocês me amassem, ficariam contentes porque vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu.

29 Isso eu lhes digo agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vocês creiam.

João 14.30,31: Conforme os propósitos eternos

30 Já não lhes falarei muito, pois o príncipe deste mundo está vindo. Ele não tem nenhum direito sobre mim.

31 Todavia é preciso que o mundo saiba que eu amo o Pai e que faço o que meu Pai me ordenou. Levantem-se, vamo-nos daqui!

Referências

  1. Neves, I., & McGee, J. V. (2012). Comentário Bíblico de João. (I. Mazzacorati, Org.) (Segunda edição, p. 247–248). São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial.

1 COMENTÁRIO

  1. Deus pensou em cada minutos mostrar o principal objetivo de destruir satanás .através de amor união paz arrependimento e reconhecimento e por final humildade.

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