Em João 18, conforme o nosso esboço, iniciamos a sexta e penúltima divisão do evangelho: O Deus encarnado, sua prisão, julgamento e crucificação – 18.1–19.42.

Vale a pena lembrar que toda a quinta divisão, de João 13.1 até 17.26, que terminamos de estudar, aconteceu na noite de quinta-feira, horas antes de Jesus ser traído por Judas. O cenário era o cenáculo da casa de Maria, mãe de João Marcos.

Depois do jantar, saindo com os onze em direção ao Getsêmani, anunciou-lhes mais uma vez que logo iria se entregar por nós, mas, encorajou-os prometendo a vinda do Espírito Santo. Logo depois, já no jardim, Jesus elevou ao Pai sua oração, quando orou por si mesmo, pelos apóstolos e pela igreja futura, incluindo você, eu e todos os cristãos naquela preciosa oração.

O cenário deste capítulo começa exatamente no Jardim do Getsêmani. Foi nessa ocasião que Jesus orou tão intensamente que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra (conf. Lc 22.44).

Sim! Ali no Getsêmani Jesus começou a sofrer por você e por mim, começou a sentir o peso do pecado do mundo todo e, começou a experimentar o juízo do Pai, juízo esse que estava reservado para todos nós, mas que graciosamente Jesus tomou sobre si (conf. Is 53.4–5).

O capítulo 18 mostra-nos a firmeza de Jesus diante das grandes provas pelas quais passaria. Provavelmente, depois de pronunciar as palavras do capítulo 17, quando fez sua oração sacerdotal, sentindo que os minutos passavam rapidamente, convidou Pedro, João e Tiago para irem um pouco mais adiante, no jardim, para um momento decisivo, para orarem com ele, pois, … começou a entristecer-se e a angustiar-se.

Então lhes disse: a minha alma está profundamente triste até a morte; ficai aqui e vigiai comigo. Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, orando… (conf. Mt 26.37–39).

Demonstrando a angústia daquele momento, pediu ao Pai que se fosse possível passasse dele aquele cálice, mas, por outro lado, mantendo-se firme e fiel ao plano eterno, declarou-se submisso ao querer paterno. Não teve e não teria a companhia dos discípulos. Era algo que Jesus tinha que experimentar sozinho, algo que ele teria que vivenciar sozinho, pois só ele, o Deus encarnado, poderia entregar-se até a morte.

Assim como dissera anteriormente que … precisamente com esse propósito vim para essa hora… (conf. 12.27), Jesus levantou-se resoluto daquele momento de intensa intimidade com o Pai e logo se defrontou com Judas Iscariotes e aqueles que vieram prendê-lo. Depois da reação impensada de Pedro, Jesus novamente mostrou-se firme, corajoso e definitivamente preparado para enfrentar a morte por nós. Confirmou a sua disposição: … não beberei, porventura, o cálice que o Pai me deu? (conf. 18.11).

Esse capítulo, por toda sua intensidade, deve ser analisado detalhadamente. (1)

Esboço de João 18:

João 18.1 – 11: Jesus sofre no Getsêmani

João 18.12 – 14: Jesus é levado diante de Anás

João 18.15 – 18: A negação de Pedro

João 18.19 – 24: Jesus é interrogado por Anás

João 18.25 – 27: Novamente a negação de Pedro

João 18.28 – 32: Jesus é levado diante de Pilatos

João 18.33 – 40: Jesus é interrogado por Pilatos

 

João 18.1 – 11: Jesus sofre no Getsêmani

1 Tendo terminado de orar, Jesus saiu com os seus discípulos e atravessou o vale do Cedrom. Do outro lado havia um olival, onde entrou com eles.

2 Ora, Judas, o traidor, conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se reunira ali com os seus discípulos.

3 Então Judas foi para o olival, levando consigo um destacamento de soldados e alguns guardas enviados pelos chefes dos sacerdotes e fariseus, levando tochas, lanternas e armas.

4 Jesus, sabendo tudo o que lhe ia acontecer, saiu e lhes perguntou: “A quem vocês estão procurando?”

5 “A Jesus de Nazaré”, responderam eles. “Sou eu”, disse Jesus. (E Judas, o traidor, estava com eles. )

6 Quando Jesus disse: “Sou eu”, eles recuaram e caíram por terra.

7 Novamente lhes perguntou: “A quem procuram?” E eles disseram: “A Jesus de Nazaré”.

8 Respondeu Jesus: “Já lhes disse que sou eu. Se vocês estão me procurando, deixem ir embora estes homens”.

9 Isso aconteceu para que se cumprissem as palavras que ele dissera: “Não perdi nenhum dos que me deste”.

10 Simão Pedro, que trazia uma espada, tirou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O nome daquele servo era Malco. )

11 Jesus, porém, ordenou a Pedro: “Guarde a espada! Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai me deu?”

João 18.12 – 14: Jesus é levado diante de Anás

12 Assim, o destacamento de soldados com o seu comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus. Amarraram-no

13 e o levaram primeiramente a Anás, que era sogro de Caifás, o sumo sacerdote naquele ano.

14 Caifás era quem tinha dito aos judeus que seria bom que um homem morresse pelo povo.

João 18.15 – 18: A negação de Pedro

15 Simão Pedro e outro discípulo estavam seguindo Jesus. Por ser conhecido do sumo sacerdote, este discípulo entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote,

16 mas Pedro teve que ficar esperando do lado de fora da porta. O outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, voltou, falou com a moça encarregada da porta e fez Pedro entrar.

17 Ela então perguntou a Pedro: “Você não é um dos discípulos desse homem?” Ele respondeu: “Não sou”.

18 Fazia frio; os servos e os guardas estavam ao redor de uma fogueira que haviam feito para se aquecerem. Pedro também estava em pé com eles, aquecendo-se.

João 18.19 – 24: Jesus é interrogado por Anás

19 Enquanto isso, o sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e dos seus ensinamentos.

20 Respondeu-lhe Jesus: Eu falei abertamente ao mundo; sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada disse em segredo.

21 Por que me interrogas? Pergunta aos que me ouviram. Certamente eles sabem o que eu disse.

22 Quando Jesus disse isso, um dos guardas que estava perto bateu-lhe no rosto. “Isso é jeito de responder ao sumo sacerdote?”, perguntou ele.

23 Respondeu Jesus: “Se eu disse algo de mal, denuncie o mal. Mas se falei a verdade, por que me bateu?”

24 Então, Anás enviou Jesus, de mãos amarradas, a Caifás, o sumo sacerdote.

João 18.25 – 27: Novamente a negação de Pedro

25 Enquanto Simão Pedro estava se aquecendo, perguntaram-lhe: “Você não é um dos discípulos dele?” Ele negou, dizendo: “Não sou”.

26 Um dos servos do sumo sacerdote, parente do homem cuja orelha Pedro cortara, insistiu: “Eu não o vi com ele no olival?”

27 Mais uma vez Pedro negou, e no mesmo instante um galo cantou.

João 18.28 – 32: Jesus é levado diante de Pilatos

28 Em seguida, os judeus levaram Jesus da casa de Caifás para o Pretório. Já estava amanhecendo e, para evitar contaminação cerimonial, os judeus não entraram no Pretório; pois queriam participar da Páscoa.

29 Então Pilatos saiu para falar com eles e perguntou: “Que acusação vocês têm contra este homem?”

30 Responderam eles: “Se ele não fosse criminoso, não o teríamos entregado a ti”.

31 Pilatos disse: “Levem-no e julguem-no conforme a lei de vocês”. “Mas nós não temos o direito de executar ninguém”, protestaram os judeus.

32 Isso aconteceu para que se cumprissem as palavras que Jesus tinha dito, indicando a espécie de morte que ele estava para sofrer.

João 18.33 – 40: Jesus é interrogado por Pilatos

33 Pilatos então voltou para o Pretório, chamou Jesus e lhe perguntou: “Você é o rei dos judeus?”

34 Perguntou-lhe Jesus: “Essa pergunta é tua, ou outros te falaram a meu respeito?”

35 Respondeu Pilatos: “Acaso sou judeu? Foram o seu povo e os chefes dos sacerdotes que o entregaram a mim. Que foi que você fez?”

36 Disse Jesus: “O meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu Reino não é daqui”.

37 “Então, você é rei!”, disse Pilatos. Jesus respondeu: “Tu dizes que sou rei. De fato, por esta razão nasci e para isto vim ao mundo: para testemunhar da verdade. Todos os que são da verdade me ouvem”.

38 “Que é a verdade?”, perguntou Pilatos. Ele disse isso e saiu novamente para onde estavam os judeus, e disse: “Não acho nele motivo algum de acusação.

39 Contudo, segundo o costume de vocês, devo libertar um prisioneiro por ocasião da Páscoa. Querem que eu solte “o rei dos judeus”?

40 Eles, em resposta, gritaram: “Não, ele não! Queremos Barrabás!” Ora, Barrabás era um bandido.

Referências

  1. Neves, I., & McGee, J. V. (2012). Comentário Bíblico de João. (I. Mazzacorati, Org.) (Segunda edição, p. 317–318). São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial.

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