Ao iniciarmos as nossas considerações, em João 19, é bom nos conscientizarmos da sequência correta dos acontecimentos. Para nos ajudar nessa composição sequencial dos fatos, é importante registrarmos as sete etapas do julgamento que Jesus teve de enfrentar, apoiando-nos em Unger (2006, p. 436):

    Os julgamentos religiosos aconteceram perante os judeus: 1) Diante de Anás (conf. Jo 18.12–14) e a decisão foi o sinal verde para matar Jesus. 2) Diante de Caifás (conf. Mt 26.57–68) e a decisão foi a acusação de blasfêmia e a sentença de morte. 3) Diante do Sinédrio (conf. Mt 27.1–2) e a decisão foi a legalização da sentença de morte. Os julgamentos civis aconteceram perante os romanos: 4) Diante de Pilatos (conf. Jo 18.28–38) e Jesus foi considerado inocente. 5) Diante de Herodes (conf. Lc 23.6–12) e Jesus foi considerado inocente. 6) Diante de Pilatos (conf. Jo 18.39–19.11) e Jesus novamente foi considerado inocente.

Depois disso, em meu entender, na 7ª etapa do julgamento civil, Pilatos, mesmo consciente da inocência de Jesus, por pressão e temendo por sua posição (conf. Jo 19.12–16), entregou Jesus aos judeus.

A indecisão de Pilatos fez com que, humanamente, os diabólicos planos dos judeus tivessem êxito. Sim, Jesus foi levado à morte na cruz, porém, em cumprimento dos eternos planos divinos.

Dentro dessa sequência e prosseguindo com o relato, João, nesse capítulo, em todos os seus 42 versos, nos mostra sete episódios relativos ao sofrimento que culminaram com sua morte e o sepultamento de Jesus Cristo. (1)

Esboço de João 19:

João 19.1 – 11: Jesus diante de Pilatos

João 19.12 – 16: A indecisão de Pilatos

João 19.17 – 22: A crucificação de Jesus

João 19.23 – 27: Os eventos durante a crucificação

João 19.28 – 30: A morte de Jesus

João 19.31 – 37: A prova da morte de Jesus

João 19.38 – 42: O sepultamento de Jesus

 

João 19.1 – 11: Jesus diante de Pilatos

1 Então Pilatos mandou açoitar Jesus.

2 Os soldados teceram uma coroa de espinhos e a puseram na cabeça dele. Vestiram-no com uma capa de púrpura,

3 e, chegando-se a ele, diziam: “Salve, rei dos judeus!” E batiam-lhe no rosto.

4 Mais uma vez, Pilatos saiu e disse aos judeus: “Vejam, eu o estou trazendo a vocês, para que saibam que não acho nele motivo algum de acusação”.

5 Quando Jesus veio para fora, usando a coroa de espinhos e a capa de púrpura, disse-lhes Pilatos: “Eis o homem!”

6 Ao vê-lo, os chefes dos sacerdotes e os guardas gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o!” Mas Pilatos respondeu: “Levem-no vocês e crucifiquem-no. Quanto a mim, não encontro base para acusá-lo”.

7 Os judeus insistiram: “Temos uma lei e, de acordo com essa lei, ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus”.

8 Ao ouvir isso, Pilatos ficou ainda mais amedrontado

9 e voltou para dentro do palácio. Então perguntou a Jesus: “De onde você vem?”, mas Jesus não lhe deu resposta.

10 “Você se nega a falar comigo?”, disse Pilatos. “Não sabe que eu tenho autoridade para libertá-lo e para crucificá-lo?”

11 Jesus respondeu: “Não terias nenhuma autoridade sobre mim, se esta não te fosse dada de cima. Por isso, aquele que me entregou a ti é culpado de um pecado maior”.

João 19.12 – 16: A indecisão de Pilatos

12 Daí em diante Pilatos procurou libertar Jesus, mas os judeus gritavam: “Se deixares esse homem livre, não és amigo de César. Quem se diz rei opõe-se a César”.

13 Ao ouvir isso, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se na cadeira de juiz, num lugar conhecido como Pavimento de Pedra (que em aramaico é Gábata).

14 Era o Dia da Preparação na semana da Páscoa, por volta das seis horas da manhã. “Eis o rei de vocês”, disse Pilatos aos judeus.

15 Mas eles gritaram: “Mata! Mata! Crucifica-o!” “Devo crucificar o rei de vocês?”, perguntou Pilatos. “Não temos rei, senão César”, responderam os chefes dos sacerdotes.

16 Finalmente Pilatos o entregou a eles para ser crucificado. Então os soldados encarregaram-se de Jesus.

João 19.17 – 22: A crucificação de Jesus

17 Levando a sua própria cruz, ele saiu para o lugar chamado Caveira (que em aramaico é chamado Gólgota).

18 Ali o crucificaram, e com ele dois outros, um de cada lado de Jesus.

19 Pilatos mandou preparar uma placa e pregá-la na cruz, com a seguinte inscrição: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.

20 Muitos dos judeus leram a placa, pois o lugar em que Jesus foi crucificado ficava próximo da cidade, e a placa estava escrita em aramaico, latim e grego.

21 Os chefes dos sacerdotes dos judeus protestaram junto a Pilatos: “Não escrevas “O Rei dos Judeus”, mas sim que esse homem se dizia rei dos judeus”.

22 Pilatos respondeu: “O que escrevi, escrevi”.

João 19.23 – 27: Os eventos durante a crucificação

23 Tendo crucificado Jesus, os soldados tomaram as roupas dele e as dividiram em quatro partes, uma para cada um deles, restando a túnica. Esta, porém, era sem costura, tecida numa única peça, de alto a baixo.

24 “Não a rasguemos”, disseram uns aos outros. “Vamos decidir por sorteio quem ficará com ela.” Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura que diz: “Dividiram as minhas roupas entre si, e tiraram sortes pelas minhas vestes”. Foi o que os soldados fizeram.

25 Perto da cruz de Jesus estavam sua mãe, a irmã dela, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena.

26 Quando Jesus viu sua mãe ali, e, perto dela, o discípulo a quem ele amava, disse à sua mãe: “Aí está o seu filho”,

27 e ao discípulo: “Aí está a sua mãe”. Daquela hora em diante, o discípulo a recebeu em sua família.

João 19.28 – 30: A morte de Jesus

28 Mais tarde, sabendo então que tudo estava concluído, para que a Escritura se cumprisse, Jesus disse: “Tenho sede”.

29 Estava ali uma vasilha cheia de vinagre. Então embeberam uma esponja nela, colocaram a esponja na ponta de um caniço de hissopo e a ergueram até os lábios de Jesus.

30 Tendo-o provado, Jesus disse: “Está consumado!” Com isso, curvou a cabeça e entregou o espírito.

João 19.31 – 37: A prova da morte de Jesus

31 Era o Dia da Preparação e o dia seguinte seria um sábado especialmente sagrado. Como não queriam que os corpos permanecessem na cruz durante o sábado, os judeus pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas dos crucificados e retirar os corpos.

32 Vieram, então, os soldados e quebraram as pernas do primeiro homem que fora crucificado com Jesus e em seguida as do outro.

33 Mas quando chegaram a Jesus, constatando que já estava morto, não lhe quebraram as pernas.

34 Em vez disso, um dos soldados perfurou o lado de Jesus com uma lança, e logo saiu sangue e água.

35 Aquele que o viu, disso deu testemunho, e o seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que está dizendo a verdade, e dela testemunha para que vocês também creiam.

36 Estas coisas aconteceram para que se cumprisse a Escritura: “Nenhum dos seus ossos será quebrado”,

37 e, como diz a Escritura noutro lugar: “Olharão para aquele que traspassaram”.

João 19.38 – 42: O sepultamento de Jesus

38 Depois disso José de Arimatéia pediu a Pilatos o corpo de Jesus. José era discípulo de Jesus, mas o era secretamente, porque tinha medo dos judeus. Com a permissão de Pilatos, veio e levou embora o corpo.

39 Ele estava acompanhado de Nicodemos, aquele que antes tinha visitado Jesus à noite. Nicodemos levou cerca de trinta e quatro quilos de uma mistura de mirra e aloés.

40 Tomando o corpo de Jesus, os dois o envolveram em faixas de linho, com as especiarias, de acordo com os costumes judaicos de sepultamento.

41 No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim; e no jardim, um sepulcro novo, onde ninguém jamais fora colocado.

42 Por ser o Dia da Preparação dos judeus, e visto que o sepulcro ficava perto, colocaram Jesus ali.

Referências

  1. Neves, I., & McGee, J. V. (2012). Comentário Bíblico de João. (I. Mazzacorati, Org.) (Segunda edição, p. 333). São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here