O capítulo de João 7 faz parte do conteúdo da terceira divisão do esboço em que dividimos o livro para estudá-lo em detalhes. Desde o verso 5.1, até o 10.39, verificamos as diversas oposições que Jesus enfrentou durante o desenvolvimento do seu ministério.

Neste texto vamos encontrar mais uma dessas oposições. Para entendermos bem essa situação é bom recordarmos o que estudamos nesses últimos capítulos.

No capítulo 5, Jesus tinha curado um homem coxo há 38 anos. Esta cura tinha ocorrido num sábado, em Jerusalém, durante a Páscoa do ano 28 d.C.. Os principais líderes religiosos, a quem João chama de “os judeus”, ao invés de verem o benefício que fora feito àquele homem, viram a violação da Lei do sábado, por parte daquele que fora curado, a carregar a sua maca, agora desnecessária (conf. v. 10).

A partir daí (conf. 5.16), iniciaram o processo de perseguição a Jesus por causa da quebra da Lei do sábado. Mas porque Jesus também dizia que Deus era o seu próprio Pai, não só o perseguiam como tramavam uma maneira de matá-lo (conf. 5.19).

E ainda no capítulo cinco, João relatou que Jesus explicou claramente a sua missão e expôs que ele se importava mais em cuidar da saúde do necessitado do que com os detalhes da Lei (conf. 5.19–47).

No capítulo 6, Jesus estava na Galileia onde multiplicou os pães e os peixes. Diante da procura da multidão interesseira, que queria coroá-lo rei, Jesus fez um profundo e sério discurso, mostrando o que significava ficar com ele e aceitar a sua doutrina.

Jesus obteve como consequência do seu discurso, a desistência, o abandono da maioria dos seus seguidores, conforme vimos em 6.66.

Em João 7, a cena se dá novamente em Jerusalém, durante a Festa dos Tabernáculos, provavelmente seis meses depois dos últimos acontecimentos. Esta era a festa mais popular dos judeus, pois celebrava a passagem de Israel pelo deserto, e também celebrava a colheita anual (conf. Êx 23.16).

Era celebrada seis meses antes da Páscoa, na época de setembro/outubro, e sua duração era de oito dias, pois começava com o Yom Kippur, o Dia da Expiação.

Nesta festa havia uma cerimônia de água sendo derramada pelos degraus do Templo, simbolizando a água providenciada por Deus no deserto (conf. Êx 17.1–7), e também acontecia a cerimônia em que se acendiam as lâmpadas, lembrando a coluna de fogo que conduziu o povo na caminhada pelo deserto (conf. Êx 13.21–22; 14.19–25).

A primeira cerimônia ofereceu base às palavras de Jesus nos versos 37–38 deste capítulo sete. A segunda cerimônia deu base para as palavras de Jesus no capitulo 8, verso 12 em diante. Esses acontecimentos do capítulo sete ocorreram provavelmente em setembro/outubro do ano 29 d.C.. Jesus sabia que na próxima Páscoa, em abril de 30 d.C., ele daria a sua vida pelos nossos pecados.

Quando observamos estes versos, em resumo, podemos dizer que João 7 nos mostra que todos os homens têm a responsabilidade de se posicionar, de reagir diante da pessoa, da vida e da obra de Jesus.

Portanto, diante desses relatos, é significativo estudarmos esse capítulo, verificando o relacionamento de Jesus com diversos tipos de pessoas e reações, em vista às suas explicações sobre sua missão. (1)

Esboço de João 7:

João 7.1 – 9: Jesus e os seus irmãos

João 7.10 – 13: Jesus e a sua missão

João 7.14 – 24: A controvérsia que Jesus provoca

João 7.25 – 31: Jesus e as suas reivindicações messiânicas

João 7.32 – 36: Uma ação planejada contra Jesus

João 7.37 – 39: Jesus oferecendo a água da vida

João 7.40 – 53: Jesus demonstrando a necessidade da definição da fé

 

João 7.1 – 9: Jesus e os seus irmãos

1 Depois disso Jesus percorreu a Galiléia, mantendo-se deliberadamente longe da Judéia, porque ali os judeus procuravam tirar-lhe a vida.

2 Mas, ao se aproximar a festa judaica das cabanas,

3 os irmãos de Jesus lhe disseram: Você deve sair daqui e ir para a Judéia, para que os seus discípulos possam ver as obras que você faz.

4 Ninguém que deseja ser reconhecido publicamente age em segredo. Visto que você está fazendo estas coisas, mostre-se ao mundo.

5 Pois nem os seus irmãos criam nele.

6 Então Jesus lhes disse: Para mim ainda não chegou o tempo certo; para vocês qualquer tempo é certo.

7 O mundo não pode odiá-los, mas a mim odeia porque dou testemunho de que o que ele faz é mau.

8 Vão vocês à festa; eu ainda não subirei a esta festa, porque para mim ainda não chegou o tempo apropriado.

9 Tendo dito isso, permaneceu na Galiléia.

João 7.10 – 13: Jesus e a sua missão

10 Contudo, depois que os seus irmãos subiram para a festa, ele também subiu, não abertamente, mas em segredo.

11 Na festa os judeus o estavam esperando e perguntavam: “Onde está aquele homem?”

12 Entre a multidão havia muitos boatos a respeito dele. Alguns diziam: “É um bom homem”. Outros respondiam: “Não, ele está enganando o povo”.

13 Mas ninguém falava dele em público, por medo dos judeus.

João 7.14 – 24: A controvérsia que Jesus provoca

14 Quando a festa estava na metade, Jesus subiu ao templo e começou a ensinar.

15 Os judeus ficaram admirados e perguntaram: “Como foi que este homem adquiriu tanta instrução, sem ter estudado?”

16 Jesus respondeu: O meu ensino não é de mim mesmo. Vem daquele que me enviou.

17 Se alguém decidir fazer a vontade de Deus, descobrirá se o meu ensino vem de Deus ou se falo por mim mesmo.

18 Aquele que fala por si mesmo busca a sua própria glória, mas aquele que busca a glória de quem o enviou, este é verdadeiro; não há nada de falso a seu respeito.

19 Moisés não lhes deu a Lei? No entanto, nenhum de vocês lhe obedece. Por que vocês procuram matar-me?

20 “Você está endemoninhado”, respondeu a multidão. “Quem está procurando matá-lo?”

21 Jesus lhes disse: Fiz um milagre, e vocês todos estão admirados.

22 No entanto, porque Moisés lhes deu a circuncisão (embora, na verdade, ela não tenha vindo de Moisés, mas dos patriarcas), vocês circuncidam no sábado.

23 Ora, se um menino pode ser circuncidado no sábado para que a Lei de Moisés não seja quebrada, por que vocês ficam cheios de ira contra mim por ter curado completamente um homem no sábado?

24 Não julguem apenas pela aparência, mas façam julgamentos justos.

João 7.25 – 31: Jesus e as suas reivindicações messiânicas

25 Então alguns habitantes de Jerusalém começaram a perguntar: Não é este o homem que estão procurando matar?

26 Aqui está ele, falando publicamente, e não lhe dizem uma palavra. Será que as autoridades chegaram à conclusão de que ele é realmente o Cristo?

27 Mas nós sabemos de onde é este homem; quando o Cristo vier, ninguém saberá de onde ele é.

28 Enquanto ensinava no pátio do templo, Jesus exclamou: Sim, vocês me conhecem e sabem de onde sou. Eu não estou aqui por mim mesmo, mas aquele que me enviou é verdadeiro. Vocês não o conhecem,

29 mas eu o conheço porque venho da parte dele, e ele me enviou.

30 Então tentaram prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos, porque a sua hora ainda não havia chegado.

31 Assim mesmo, muitos dentre a multidão creram nele e diziam: “Quando o Cristo vier, fará mais sinais milagrosos do que este homem fez?”

João 7.32 – 36: Uma ação planejada contra Jesus

32 Os fariseus ouviram a multidão falando essas coisas a respeito dele. Então os chefes dos sacerdotes e os fariseus enviaram guardas do templo para o prenderem.

33 Disse-lhes Jesus: Estou com vocês apenas por pouco tempo e logo irei para aquele que me enviou.

34 Vocês procurarão por mim, mas não me encontrarão; vocês não podem ir ao lugar onde eu estarei.

35 Os judeus disseram uns aos outros: Aonde pretende ir este homem, que não o possamos encontrar? Para onde vive o nosso povo, espalhado entre os gregos, a fim de ensiná-lo?

36 O que ele quis dizer quando falou: “Vocês procurarão por mim, mas não me encontrarão” e “vocês não podem ir ao lugar onde eu estarei”?

João 7.37 – 39: Jesus oferecendo a água da vida

37 No último e mais importante dia da festa, Jesus levantou-se e disse em alta voz: Se alguém tem sede, venha a mim e beba.

38 Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva.

39 Ele estava se referindo ao Espírito, que mais tarde receberiam os que nele cressem. Até então o Espírito ainda não tinha sido dado, pois Jesus ainda não fora glorificado.

João 7.40 – 53: Jesus demonstrando a necessidade da definição da fé

40 Ouvindo as suas palavras, alguns dentre o povo disseram: “Certamente este homem é o Profeta”.

41 Outros disseram: “Ele é o Cristo”. Ainda outros perguntaram: “Como pode o Cristo vir da Galiléia?

42 A Escritura não diz que o Cristo virá da descendência de Davi, da cidade de Belém, onde viveu Davi?

43 Assim o povo ficou dividido por causa de Jesus.

44 Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs as mãos.

45 Finalmente, os guardas do templo voltaram aos chefes dos sacerdotes e aos fariseus, os quais lhes perguntaram: “Por que vocês não o trouxeram?”

46 “Ninguém jamais falou da maneira como esse homem fala”, declararam os guardas.

47 “Será que vocês também foram enganados?”, perguntaram os fariseus.

48 Por acaso alguém das autoridades ou dos fariseus creu nele?

49 Não! Mas essa ralé que nada entende da lei é maldita.

50 Nicodemos, um deles, que antes tinha procurado Jesus, perguntou-lhes:

51 “A nossa lei condena alguém, sem primeiro ouvi-lo para saber o que ele está fazendo?”

52 Eles responderam: “Você também é da Galiléia? Verifique, e descobrirá que da Galiléia não surge profeta”.

53 Então cada um foi para a sua casa.

Referências

  1. Neves, I., & McGee, J. V. (2012). Comentário Bíblico de João. (I. Mazzacorati, Org.) (Segunda edição, p. 123–124). São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial.

4 COMENTÁRIOS

  1. Shalom Adonai! Boa tarde. Obrigado, estou aprendendo muito com os seus conhecimento e intimidade com Deus pai. Que Deus continuem te abençoado sempre em Cristo Jesus. Um abraço

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