O estudo de João 9 nos revela o sexto sinal que João escolheu para nos mostrar que Jesus é o Cristo. Sua finalidade é que os seus leitores creiam nesses registros e, assim, confessando e aceitando Jesus como o Cristo, o Filho de Deus, tenham vida em seu nome (conf. 20.30–31).

Desde o início até o final do capítulo oito, constatamos as discussões dos judeus contrapondo-se a Jesus, enquanto ele defendia e explicava a sua missão. Isso nos faz recordar que estamos estudando a terceira parte do esboço em que dividimos esse evangelho, que nos apresenta as oposições ao Filho de Deus.

Neste capítulo nove, com a cura deste cego de nascença, vamos encontrar mais oposição a Jesus. Considerando a sua mensagem de um modo completo, podemos concordar com Unger (2006, p. 446), que o resume dessa maneira:

    Esse é o sexto sinal miraculoso do evangelho, ilustrando a luz e a iluminação para a nova vida que se encontra em Cristo (conf. v. 5). Não foram o lodo e a saliva que realizaram a cura, mas essas coisas simbolizaram o que fez o poder criativo de Cristo, o Redentor-Criador (conf. v. 6). O banho no tanque de Siloé (conf. v. 7) sugere que o sinal tinha o propósito de regeneração espiritual (conf. v. 36–38 e Ef 5.26). Quando o judaísmo expulsou o homem curado (conf. v. 27–34), lançou-o nos braços de um Senhor amoroso… Esse sinal, como os outros sinais e sermões em João, antecipam a posição do verdadeiro cristianismo fora da esfera do judaísmo…

Com esse panorama geral, percebemos que as autoridades religiosas judaicas não conseguiam se livrar das amarras do legalismo e, em vez de receberem o ex-cego, o expulsaram (conf. v. 34), revelando a incapacidade de admitir o novo relacionamento que podemos e devemos ter com o Senhor Criador.

Esboço de João 9:

João 9.1 – 23: Um milagre surpreendente

João 9.24 – 34: Um testemunho ousado

João 9.35 – 41: A plena revelação de Jesus

 

João 9.1 – 23: Um milagre surpreendente

1 Ao passar, Jesus viu um cego de nascença.

2 Seus discípulos lhe perguntaram: “Mestre, quem pecou: este homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?”

3 Disse Jesus: Nem ele nem seus pais pecaram, mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele.

4 Enquanto é dia, precisamos realizar a obra daquele que me enviou. A noite se aproxima, quando ninguém pode trabalhar.

5 Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

6 Tendo dito isso, cuspiu no chão, misturou terra com saliva e aplicou-a aos olhos do homem.

7 Então lhe disse: “Vá lavar-se no tanque de Siloé” (que significa “enviado” ). O homem foi, lavou-se e voltou vendo.

8 Seus vizinhos e os que anteriormente o tinham visto mendigando perguntaram: “Não é este o mesmo homem que costumava ficar sentado, mendigando?”

9 Alguns afirmavam que era ele. Outros diziam: “Não, apenas se parece com ele”. Mas ele próprio insistia: “Sou eu mesmo”.

10 “Então, como foram abertos os seus olhos?”, interrogaram-no eles.

11 Ele respondeu: “O homem chamado Jesus misturou terra com saliva, colocou-a nos meus olhos e me disse que fosse lavar-me em Siloé. Fui, lavei-me, e agora vejo”.

12 Eles lhe perguntaram: “Onde está esse homem?” “Não sei”, disse ele.

13 Levaram aos fariseus o homem que fora cego.

14 Era sábado o dia em que Jesus havia misturado terra com saliva e aberto os olhos daquele homem.

15 Então os fariseus também lhe perguntaram como ele recuperara a vista. O homem respondeu: “Ele colocou uma mistura de terra e saliva em meus olhos, eu me lavei e agora vejo”.

16 Alguns dos fariseus disseram: “Esse homem não é de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros perguntavam: “Como pode um pecador fazer tais sinais milagrosos?” E houve divisão entre eles.

17 Tornaram, pois, a perguntar ao cego: “Que diz você a respeito dele? Foram os seus olhos que ele abriu”. O homem respondeu: “Ele é um profeta”.

18 Os judeus não acreditaram que ele fora cego e havia sido curado enquanto não mandaram buscar os seus pais.

19 Então perguntaram: “É este o seu filho, o qual vocês dizem que nasceu cego? Como ele pode ver agora?”

20 Responderam os pais: Sabemos que ele é nosso filho e que nasceu cego.

21 Mas não sabemos como ele pode ver agora ou quem lhe abriu os olhos. Perguntem a ele. Idade ele tem; falará por si mesmo.

22 Seus pais disseram isso porque tinham medo dos judeus, pois estes já haviam decidido que, se alguém confessasse que Jesus era o Cristo, seria expulso da sinagoga.

23 Foi por isso que seus pais disseram: “Idade ele tem; perguntem a ele”.

24 Pela segunda vez, chamaram o homem que fora cego e lhe disseram: “Para a glória de Deus, diga a verdade. Sabemos que esse homem é pecador”.

João 9.24 – 34: Um testemunho ousado

25 Ele respondeu: “Não sei se ele é pecador ou não. Uma coisa sei: eu era cego e agora vejo!”

26 Então lhe perguntaram: “O que lhe fez ele? Como lhe abriu os olhos?”

27 Ele respondeu: “Eu já lhes disse, e vocês não me deram ouvidos. Por que querem ouvir outra vez? Acaso vocês também querem ser discípulos dele?”

28 Então o insultaram e disseram: Discípulo dele é você! Nós somos discípulos de Moisés!

29 Sabemos que Deus falou a Moisés, mas, quanto a esse, nem sabemos de onde ele vem.

30 O homem respondeu: Ora, isso é extraordinário! Vocês não sabem de onde ele vem, contudo ele me abriu os olhos.

31 Sabemos que Deus não ouve pecadores, mas ouve o homem que o teme e pratica a sua vontade.

32 Ninguém jamais ouviu que os olhos de um cego de nascença tivessem sido abertos.

33 Se esse homem não fosse de Deus, não poderia fazer coisa alguma.

34 Diante disso, eles responderam: “Você nasceu cheio de pecado; como tem a ousadia de nos ensinar?” E o expulsaram.

João 9.35 – 41: A plena revelação de Jesus

35 Jesus ouviu que o haviam expulsado, e, ao encontrá-lo, disse: “Você crê no Filho do homem?”

36 Perguntou o homem: “Quem é ele, Senhor, para que eu nele creia?”

37 Disse Jesus: “Você já o tem visto. É aquele que está falando com você”.

38 Então o homem disse: “Senhor, eu creio”. E o adorou.

39 Disse Jesus: “Eu vim a este mundo para julgamento, a fim de que os cegos vejam e os que vêem se tornem cegos”.

40 Alguns fariseus que estavam com ele ouviram-no dizer isso e perguntaram: “Acaso nós também somos cegos?”

41 Disse Jesus: Se vocês fossem cegos, não seriam culpados de pecado; mas agora que dizem que podem ver, a culpa de vocês permanece.

Referências

  1. Neves, I., & McGee, J. V. (2012). Comentário Bíblico de João. (I. Mazzacorati, Org.) (Segunda edição, p. 161). São Paulo, SP: Rádio Trans Mundial.

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