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Mateus 20 Estudo: O Dever de Servir

Em Mateus 20 vemos a conclusão do Ano da Paixão, com a entrega de Jesus, antes da sua entrada em Jerusalém, na última semana do seu ministério terreno. O que Lucas registrou em 9.7–19.27, na narração de onze capítulos (sendo a maior parte de relatos que só aparecem no Evangelho que leva seu nome), Mateus só registrou nesses dois capítulos, de 19.1–20.34. Por isso é que, para termos uma visão completa dos ensinos e da vida de Jesus, precisamos estudar os quatro evangelhos, porque cada nos apresenta um detalhe imprescindível do ministério do Senhor.
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O Senhor Jesus comparou Deus Pai ao dono de uma vinha que contrata trabalhadores para o seu cultivo. A tradição de Israel funcionava assim: muito trabalho, boa recompensa. Pouco trabalho, nenhuma recompensa ou punição (Mateus 20.1 – 16).

Este pensamento também fazia parte da prática religiosa. Os judeus acreditavam que por meio de muitas boas práticas eles seriam agradáveis a Deus e alcançariam o Reino de Deus, veja o exemplo do jovem rico (Mateus 19.16 – 26).

Mateus 20 e a generosidade

Na parábola dos trabalhadores do vinhedo Jesus apresenta um novo conceito sobre o Reino de Deus: a generosidade.

O turno de trabalho nos dias de Jesus começava às seis da manhã e encerrava às cinco da tarde. O senhor da vinha (Deus) começa a chamar os trabalhadores neste horário. Ele faz um novo convite às nove da manhã, meio-dia, às três da tarde e por fim, por volta das cinco da tarde.

No entanto, na hora do pagamento ele deu a cada um deles, independente da hora em que havia começado, um denário, pagamento equivalente a um dia de trabalho nos dias de Jesus.

Isso irritou aqueles que dentre eles haviam começado o trabalho mais cedo e acreditavam que neste caso, mereciam receber mais.

É aí que o Senhor da vinha diz: “Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não concordou em trabalhar por um denário? Receba o que é seu e vá. Eu quero dar ao que foi contratado por último o mesmo que lhe dei. Não tenho o direito de fazer o que quero com o meu dinheiro? Ou você está com inveja porque sou generoso?”

Isto mostra que a recompensa celestial é dada na proporção do querer de Deus. Nunca seremos capazes de merecer coisa alguma é tudo fruto da graça de Deus.

Já no caminho para Jerusalém o Senhor Jesus Cristo fala mais uma vez sobre o seu sofrimento, sobre a necessidade de padecer nas mãos dos ímpios, ser morto e ressuscitar ao terceiro dia (Mateus 20.17–19) .

O Pedido da Mãe de Tiago e João

É impressionante como o ser humano tem atração pelo poder e pela notoriedade. Isso fica extremamente evidente no pedido da mãe de Tiago e João. Em particular ela pede a Jesus que conceda ao seus dois filhos ficar à direita e a esquerda do Senhor, em seu Reino (Mateus 20.20–24).

Após o pedido ganancioso da mãe de Tiago e João, o Senhor Jesus fala sobre a verdadeira grandeza.

No Reino de Deus é considerada “grande” a pessoa que serve. Jesus ensina que os critérios de grandeza do Reino são diferentes da Terra. Prestar serviço é mais importante do que receber serviço.

A Narrativa de Mateus 20.29-34

Este trecho de Mateus 20 tem paralelos em Marcos 10.46-52 e em Lucas 18.35-43. Aqui é oferecida a exposição que inclui os elementos das narrativas dadas por Marcos e Lucas, mas que não estão incluídas em Mateus.

A fonte informativa é o Evangelho de Jesus, segundo Marcos. Existem algumas diferenças notáveis no relato dos evangelhos sinópticos especialmente na apresentação da história no evangelho de Mateus: esse fato tem levado os harmonistas a caírem era grande confusão.

Muito papel e tinta têm sido desperdiçados em tentativas engenhosas de reconciliar as narrativas. Marcos narra a cura do cego Bartimeu. Lucas conta a história de ·um cego, sem determinar-lhe o nome. Mateus menciona dois homens.

A narrativa de Lucas apresenta o incidente como se tivesse sucedido ao entrar Jesus em Jerico, ao passo que Mateus e Marcos fazem-no acontecer quando Jesus saía de Jericó.

Dois homens?

Alguns acreditam que a narrativa de Mateus apresenta dois homens curados porque ele deixou de lado a narrativa dada por Marcos em Marcos 8.22 – 26, e que dessa maneira quis compensar pela omissão. Mas essa explicação não tem bases nas próprias Escrituras.

Outros acreditam que houve dois homens (segundo Mateus diz), mas que um deles foi muito mais enérgico no pedido, este era Bartimeu pelo que foi o principal a chamar a atenção para si, tendo sido mencionado por Lucas e Marcos, enquanto seu companheiro foi deixado omisso.

Não há maneira de confirmarmos ou de negarmos essa interpretação. Porém, parece-nos melhor do que a que diz que estamos tratando de duas ou três narrativas sobre milagres separados, isto é, que a narrativa de Lucas é separada de Mateus.

É óbvio que as três narrativas expõem um único incidente. Alguns também têm apelado para a teoria das duas narrativas a fim de explicar por que Lucas afirma que a ocorrência se deu quando Jesus entrava em Jericó, enquanto que os demais afirmam que ocorreu quando Jesus saía dessa cidade.

Duas cidades?

Outros acreditam que a arqueologia tem descoberto a existência de duas Jericó, o que explicaria a aparente contradição. Segundo esse ponto de vista. Marcos e Mateus se refeririam à antiga Jericó (cujas ruínas têm sido descobertas), mas que Lucas se referiu à Jericó romana, que ficava a pequena distância da mais antiga localidade, talvez uma espécie de continuação ou de divisão da cidade mais antiga.

Nesse caso, é possível que os dois cegos estivessem realmente entre as duas localidades, quando o milagre teve lugar. A nova Jericó ficava a oito quilômetros, a oeste do rio Jordão, e acerca de vinte e quatro quilômetros a leste de Jerusalém, pelo que ficava acerca de um quilômetro e meio ao sul do local da antiga cidade.

Os cegos eram extremamente numerosos naquela época, em vista dos hábitos pouco sanitários do povo, o que espalhava enfermidades oculares contagiosas. Muito provavelmente Jesus curou a muitos cegos. Dentre esse grande número encontramos nos evangelhos o registro de alguns casos de cura, e um desses foi o que teve lugar perto da cidade de Jericó.

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