No Salmos 120, o Salmista Davi expõe sua dor e angústia causadas pela “língua traiçoeira”. Ele escreveu este salmo, provavelmente, quando Doegue acusou a ele e aos sacerdotes de Saul de alta traição (1 Samuel 22.18).

Na ocasião, Davi fugindo de Saul se refugiou na cidade dos sacerdotes e comeu os pães da proposição, oferecidos por Aimeleque.

Neste salmo Davi revela o quanto sua alma sofreu com aquele episódio, que segundo ele foi gerado por uma língua traiçoeira. Ele suplica o Senhor Deus que emita juízo contra ela. Que a julga e despedace suas armadilhas ameaçadoras.

Davi se descreve como um homem de paz, isto é, ele não vivia de fazer intrigas, sua língua era utilizada para adorar a Deus e promover a paz entre as pessoas.

Devemos orar a Deus pedindo que Ele nos conceda sabedoria. Para que a nossa não seja agente da injustiça e da guerra, mas sim promotora da paz.

Esse salmo é o primeiro dos quinze que são reunidos sob o título de “cânticos dos degraus”. Fica claro que não é sentido material que deveria ser levado em consideração nesse título, pois nada é oferecido para a explicação dele, não, nem pelos próprios escritores judeus, mas o que é conjectural.

Esses salmos não parecem ter sido compostos pela mesma mão, muito menos na mesma época. Quatro deles são expressamente atribuídos a Davi e diz-se que um deles foi projetado por Salomão e talvez escrito por ele; contudo os salmos 126 e 129 parecem ser de uma data muito posterior.

Alguns deles são planejados para o particular (como 120 e 130); outros, para a família (como 127 e 128); e ainda outros, para a assembleia pública (como 122 e 134) e alguns deles aleatórios, como o 124 e o 132.

Assim, parece que eles não receberam esse título do autor, mas do publicador. Alguns conjecturam que eles receberam esse título por sua excelência singular (os cânticos dos degraus, como o cântico dos cânticos, são os cânticos mais excelentes e do mais alto grau).

Outros conjecturam que receberam esse título por causa do tom em que foram compostos, dos instrumentos musicais com os quais devem ser entoados ou da elevação da voz ao entoá-los.

Alguns acham que eles eram entoados em quinze passos, ou degraus, motivo pelo qual eles ascendem da corte externa do templo para a interna; outros acham que se referem aos muitos degraus da jornada do povo em seu retorno do cativeiro.

Devo observar apenas isto que eles são todos salmos breves, todos, menos um, são muito pequenos (três deles têm apenas três versículos cada), e que eles foram postos próximos ao salmo 119, e este é, sem a menor sombra de dúvida, o mais longo de todos os salmos.

Bem, da mesma forma como o salmo 119 é um salmo dividido em muitas partes, esses são muitos salmos que, sendo breves, às vezes eram entoados todos juntos e transformados.

Por assim dizer, em um único salmo, observando apenas uma pausa entre cada um deles; da mesma maneira que os muitos degraus compõem uma escada.

Que, na composição deles, encontramos frequentemente com a figura que eles chamam o ápice, ou ascensão, repetindo a palavra precedente e, depois, subindo um pouco mais; como o salmo 120: “Com os que detestam a paz. Pacífico sou”.

O salmo 121: “De onde me virá o socorro? O meu socorro vem”. O salmo 122: “Das tuas portas, ó Jerusalém. Jerusalém está edificada”. O salmo 123: “Até que tenha piedade de nós. Tem piedade de nós”.

E acontece o mesmo na maioria deles, se não em todos. Talvez por um desses motivos são chamados cânticos dos degraus. Supõe-se que esse salmo foi escrito por Davi quando Doegue está acusando a ele e aos sacerdotes de Saul.

Porque esse salmo é semelhante ao 52, escrito nessa ocasião, e porque o salmista reclama de estar sendo expulso da congregação do Senhor e sendo forçado a estar entre pessoas bárbaras.

Ele ora a Deus para que o liberte do dano destinado a ele pelas línguas falas e maldosas (v.v.1,2). Ele ameaça os julgamentos de Deus contra estes (v.v. 3,4). Ele reclama da maldade de seus próximos que são irascíveis e irritantes (v.v. 5-7).

Ao cantar esse salmo, podemos nos sentir confortados em relação ao flagelo da língua, pois, a qualquer momento, podemos cair injustamente sob o açoite dela, uma vez que pessoas melhores que nós foram feridas pela língua. (Henry, Matthew, Comentário dos Livros Poéticos)

Esboço de Salmos 120:

120.1,2: A língua traiçoeira

120.3,4: Juízo contra a língua enganadora

120.5 – 7: Homem de paz

 

Salmos 120.1,2: A língua traiçoeira

1 Eu clamo pelo Senhor na minha angústia, e ele me responde.

2 Senhor, livra-me dos lábios mentirosos e da língua traiçoeira!

Salmos 120.3,4: Juízo contra a língua enganadora

3 O que ele lhe dará? Como lhe retribuirá, ó língua enganadora?

4 Ele a castigará com flechas afiadas de guerreiro, com brasas incandescentes de sândalo.

Salmos 120.5 – 7: Homem de paz

5 Ai de mim, que vivo como estrangeiro em Meseque, que habito entre as tendas de Quedar!

6 Tenho vivido tempo demais entre os que odeiam a paz.

7 Sou um homem de paz; mas, ainda que eu fale de paz, eles só falam de guerra.

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