A circuncisão instituída pelo Senhor Deus no Antigo Testamento é motivo de muita controvérsia ainda em nossos dias por ser considerada uma prática de mutilação corporal extremamente dolorosa e perigosa.

Ainda presente em muitas culturas, ela chega a ser base para argumentos que colocam o amor e a bondade de Deus em questão – Como um Deus tão bom, pode ser tão cruel? – dizem.

A verdade é que a maioria das pessoas não conhecem bem o tema, por isso cometem tantos abusos ao falar sobre ele.

Neste estudo, quero analisar com você desde a instituição da circuncisão até o valor que ela tem em nossos dias. Portanto, aperte os cintos, prepare o coração e BORA!

Quando Foi Instituída a Circuncisão?

“De sua parte”, disse Deus a Abraão, “guarde a minha aliança, tanto você como os seus futuros descendentes. Esta é a minha aliança com você e com os seus descendentes, aliança que terá que ser guardada: Todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados na carne. (Gênesis 17:9,10)

A circuncisão foi estabelecida em uma época que podemos chamar de a segunda fase da revelação de Deus.

É consenso entre os estudiosos que na primeira fase da revelação de Gênesis 1 ao 11, o Senhor tentou se revelar a comunidades inteiras, com exceção de Noé.

Após o dilúvio, Ele inicia um nova estratégia, e se revela pessoalmente a Abraão.

Na primeira fase da revelação de Deus a humanidade, não havia praticamente nenhuma responsabilidade pactual que devesse ser cumprida e guardada pelo ser humano, o que desencadeou muita desobediência e nenhum compromisso.

Em Abraão o Senhor Deus muda isso.

Antes de estabelecer a circuncisão, o Senhor faz promessas maravilhosas ao patriarca e promete que elas se tornarão realidade, mas agora há uma condicional, Abraão precisa ser fiel ao pacto e deve demonstrar isso por meio da circuncisão na carne.

Ou seja, a proposta da aliança era iniciativa de Deus, mas a confirmação e a realização dela, envolvia a obediência do ser humano (v.1).

A Circuncisão

Não foi uma prática inaugurada pelos descendentes de Abraão, era na verdade algo já praticada por outras comunidades da época e consistia em retirar completamente o prepúcio do menino (Pele que cobre a ponta do órgão sexual masculino – Sociedade Bíblica do Brasil. (2000). Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Sociedade Bíblica do Brasil).

O significado deste corte, é consagrar o órgão reprodutor a Deus (Veja Deuteronômio 30:6; Jeremias 4:4). Além disso, é um sinal de irmandade, pois o circuncidado se tornava parte do povo de Deus e a partir disso, desenvolvia relacionamento com Ele.

Oito Dias

Da sua geração em diante, todo menino de oito dias de idade entre vocês terá que ser circuncidado (Gênesis 17:12)

Algumas culturas ainda hoje, cultivam a prática da circuncisão com particularidades diferentes daquela que ministrada a Abraão.

No caso dos descendentes do pai da fé, a ordem era para que o filho mais velho fosse circuncidado como sinal de consagração a Deus e obediência aos seus pais e a sua fé.

Era um memorial que seria levado por toda a vida deste menino, que ao se tornar adulto e chefe de família deveria cultivar a prática e repassá-la, sucessivamente aos seus filhos.

O fato de ser feita ao oitavo dia, revela o fechamento simbólico, do ciclo da criação, que foi feita em sete dias.

As obrigações e promessas se estendiam à todos aqueles que desejavam fazer parte do povo de Deus, quer fossem descendentes diretos de Abraão ou não.

Qual o Objetivo da Circuncisão?

Minha aliança, marcada no corpo de vocês, será uma aliança perpétua. (Gênesis 17:13)

A marca física deixada pela circuncisão era um símbolo da aliança espiritual que havia entre Deus, Abraão e seus descendentes.

A palavra “perpétua” no hebraico é Ìowlam ou Ìolam e significa: contínuo, futuro indefinido ou sem fim, eternidade.

O tempo de validade e importância espiritual da prática para Israel, permaneceu até a revelação de Jesus Cristo, que nos trouxe uma circuncisão espiritual e superior a que era feita na carne.

Quem não fosse fiel ao pacto, circuncidando seu filho mais velho, sofreria sanções severas. Seria expulso do meio do povo de Deus e não herdaria as promessas feitas a Abraão.

A Circuncisão Em Nossos Dias

De nada vale ser circuncidado ou não. O que importa é ser uma nova criação. (Gálatas 6:15)

Devemos lembrar que a circuncisão foi o símbolo utilizado por Deus para materializar a aliança feita com Abraão e que foi obrigatoriamente mantida até a ressurreição de Jesus.

O próprio Jesus foi circuncidado ao oitavo dia (Lucas 1:59), assim como o apóstolo Paulo (Filipenses 3:5). Ou seja, era uma prática respeitada nos dias do Senhor e até hoje.

Contudo, o sentido espiritual da prática sempre foi mais importante que a marca em si. Deus sempre quis que o Seu povo entendesse o que estava sendo feito, e que não era apenas algo ritualístico, mas parte de um relacionamento profundo com o Senhor.

Não foram poucas as vezes, mesmo no Antigo Testamento, que Ele cobrou do povo uma fidelidade que estivesse em seus corações e não apenas no corpo (Deuteronômio 10:16; Ezequiel 44:7-9).

Em nossos dias, são participantes da aliança de Deus com Abraão, aqueles que se achegam a Deus por meio de Jesus Cristo. A descendência natural não conta mais para inserção na família de Deus.

Ou seja, tanto faz você nascer judeu como africano, para ser inserido nas promessas e fazer parte do povo de Deus, é preciso ter aliança com Ele por meio de Jesus.

Ao invés de trazer a marca corporal, a aliança em Cristo possui o selo do Espírito Santo, que embora seja invisível, se reflete em nosso comportamento e pela renovação da nossa mente, promovendo uma circuncisão superior (Veja Jeremias 31:31-34; Romanos 2:28,29)

O Batismo

Nele também vocês foram circuncidados, não com uma circuncisão feita por mãos humanas, mas com a circuncisão feita por Cristo, que é o despojar do corpo da carne. Isso aconteceu quando vocês foram sepultados com ele no batismo, e com ele foram ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos. (Colossenses 2:11,12)

O símbolo da nova aliança é o batismo nas águas e substitui a prova material feita pela circuncisão, para inserção no povo de Deus.

No batismo, o Senhor Deus continua a trabalhar as instituições familiares e as comunidades para manter a comunhão dos seus filhos e o crescimento do corpo de Cristo.

Contudo, o princípio de fidelidade espiritual permanece válido. Não adianta cumprir as regras matérias e visíveis do pacto, se no interior formos infiéis a aliança.

A colheita do infiel, no fim, será o não reconhecimento dele como participante da família de Deus e herdeiro das promessas (Mateus 25:41).

Conclusão

A circuncisão é portanto um símbolo de validação da aliança (acordo) feito entre Deus e Abraão. Neste pacto, tanto Deus quanto Abraão tinham deveres, e o cumprimento das promessas estava diretamente ligado a fidelidade ao pacto.

Hoje, a nossa circuncisão é espiritual.

Feita pelo Espírito Santo e visivelmente validade pelo batismo nas águas, ela possui o mesmo princípio validador da antiga, a fidelidade.

Não nos basta cumprir os ritos sem que o nosso coração esteja neles. Deus espera que o amemos sinceramente e que nossa devoção seja voluntária.

Caso contrário, nosso culto não é bem-vindo.

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