O escritor aos Hebreus define a fé como “a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11:1). É uma definição clássica e poderosa do cristianismo.

Por trás dela, há muitos elementos que precisamos compreender para não acontecer de sermos vítima da frustração. Há pessoas que tem a fé na medida certa, na “coisa errada”, refiro-me ao propósito de Deus.

Quem não se frustrou após um ou mais fervorosos pedidos de oração que receberam “não”, como resposta?

O problema é que uma análise rasa do assunto, nos levará a vários erros. Por isso, neste estudo bíblico, minha intenção é analisar os vários aspectos dessa pequena palavra poderosa em sentido.

Sendo assim, aconselho que se sente e fique confortável se for possível. Ignore as notificações do smartphone e se concentre. Esse mergulho vai ser profundo!

O Que é Ter Fé em Deus Segundo a Bíblia?

Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. (Hebreus 11:1)

Antes de aprofundar o estudo da fé e seus significados, é muito importante que saibamos identificar os diversos aspectos do tema nos textos bíblicos.

Por exemplo, em Gálatas 1.23 quando os perseguidores de Paulo o acusaram, eles se referiram a fé como credo apostólico. Observe: “Aquele que antes nos perseguia, agora está anunciando a fé que outrora procurava destruir”. (Gálatas 1:23). Ou seja, aqui ela é vista como uma confissão.

Já para os escritores dos Evangelhos, Jesus Cristo é o agente dessa fé. O apóstolo João, o apresenta como o objetivo principal dos seus textos: “Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, tenham vida em seu nome”. (João 20:31)

Aos Romanos, Paulo nos apresenta um outro aspecto, ela sendo vista como elemento fundamental para nossa salvação. Observe: “justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo para todos os que crêem[…]” (Romanos 3:22)

O Autor Aos Hebreus

Quando lemos o texto do autor aos hebreus, percebemos que ele reconhece as outras faces da fé, e aprofunda o assunto. Ele a contrasta com a incredulidade.

Quando vemos o capítulo 11 no contexto de Hebreus, o plano do autor para contrastar fé com o pecado da incredulidade (3.12, 19; 4.2; 10.38–39) se torna claro. Contra o pecado da apostasia do Deus vivo, o escritor coloca com clareza a virtude da fé. As pessoas que recuam e não colocam sua confiança em Deus são destruídas, mas as que creem são salvas (10.39). (Kistemaker, S. (2013). Hebreus. (C. A. B. Marra, Org., M. Tolentino & P. Arantes, Trads.) (2a edição, p. 426). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.)

Para isso, ele nos mostra ainda que há duas características marcantes, e como ela influência na nossa caminhada cristã e no nosso relacionamento diário com Deus e com sua Igreja. Estou me referindo a Segurança e a Certeza.

A Segurança

Ora a fé é a substância das coisas esperadas, a prova das coisas não vistas. (Hebreus 11:1)

A palavra grega utilizada para definir substância é hupostasis, e significa: ato de colocar ou estabelecer sob, algo colocado sob, base, fundação, aquilo que tem um fundamento, é firme […] (Concordância de Strong).

De acordo com a palavra hupostasis, a fé nos dá segurança real. Concreta. Observe:

Se eu estou seguro de algo, eu tenho certeza em meu coração. Esse é um conhecimento subjetivo porque está dentro de mim. Segurança, então, é uma qualidade subjetiva. Em contraste, a palavra substância é objetiva, porque se refere a algo que não é parte de mim. Antes, a substância é algo em que posso confiar. Como uma tradução traz, “Fé é o título de propriedade das coisas esperadas”. Isso, de fato, é objetivo. (Kistemaker, S. (2013). Hebreus. (C. A. B. Marra, Org., M. Tolentino & P. Arantes, Trads.) (2a edição, p. 427). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.)

Ou seja, por mais que acreditemos em algo que a princípio não pode ser visto ou tocado, a substância da fé nos assegura que as promessas de Deus vão se cumprir.

A Certeza

O agente da fé que produz certeza, está ligado à convicção interior. Observe:

O crente está convencido de que as coisas que ele não pode ver são reais. Nem toda convicção, no entanto, é igual à fé. A convicção é o equivalente da fé quando a certeza prevalece, mesmo que falte evidência. As coisas que não vemos são aquelas que pertencem ao futuro, as quais com o tempo se tornarão presentes. Mesmo as coisas do presente, e certamente aquelas do passado que estão além de nosso alcance, pertencem à categoria do “que não vemos”. B. F. Westcott comenta, “A esperança inclui o que é interior assim como o que é exterior”. A esperança se concentra na mente e no espírito do homem; a vista diz respeito a um de seus sentidos (Rm 8.24–25). (Kistemaker, S. (2013). Hebreus. (C. A. B. Marra, Org., M. Tolentino & P. Arantes, Trads.) (2a edição, p. 428). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.)

A fé começa e existe principalmente dentro de nós, no entanto ela é comprovada por nossa maneira de agir, falar e como comportar. Isto acontece, porque embora seja interior ela é substancial. Como disse o apóstolo Paulo: “Cri, por isso falei; nós cremos também, por isso também falamos”. (2 Coríntios 4:13)

O Exemplo dos Antigos

Pois foi por meio dela que os antigos receberam bom testemunho. (Hebreus 11:2)

Depois de apresentar a fé, seu significado, aspectos e importância, o escritor aos Hebreus dirige o nosso olhar ao passado com a intenção de nos fazer lembrar do estilo de vida e comportamento dos homens e mulheres que viveram e venceram fundamentados no crer.

O escritor de Hebreus começa sua lista de heróis da fé com Abel e Enoque. Em ambas as ilustrações ele usa o verbo ser elogiado. No versículo 4 lemos, “Pela fé [Abel] foi elogiado como um homem justo”, e no versículo 5, “Pois antes [Enoque] de ser tomado, ele foi elogiado como alguém que agradou a Deus”. Não seria necessário que o autor dissesse que todos os mencionados na lista foram elogiados. Todos os antigos, cujos nomes estão registrados na história sagrada, experimentaram o favor de Deus por causa de sua fé. Eles foram reconhecidos por Deus e por seu povo por causa de sua fé. (Kistemaker, S. (2013). Hebreus. (C. A. B. Marra, Org., M. Tolentino & P. Arantes, Trads.) (2a edição, p. 429). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.)

A intenção dele, é nos mostrar que o elemento fundamental do crer, que é o agradar a Deus, permanece ainda em nossos dias. Alguém que vive pela fé, é alguém que com certeza está sendo notado pelo Senhor.

A Fé e o Significado da Vida

Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível. (Hebreus 11:3)

Há uma grande discussão científica e histórica sobre a origem da vida. A teoria de Darwin, apresentando o Big Ban e a evolução das espécies é a visão cientifica apresentada na maioria das escolas do mundo como verdade, quando de fato não é.

Neste postulado a ciência se contradiz completamente, pois no campo cientifico algo só pode ser aceito como verdade depois que for submetido a experimento, e a teoria de Darwin, definitivamente não pode.

A Bíblia nos apresenta Deus, como criador de todas as coisas e a origem da vida. Para entendermos esse ponto de vista, dependemos da fé.

É certo que em nossos dias com o avanço da ciência e da tecnologia, as afirmações cientificas e históricas feitas pela Bíblia podem ser apresentadas como verdades além da religião e da fé.

De toda forma, para entendimento sadio e aceitação total a fé continua sendo determinante. Porque em algum momento algumas perguntas surgirão e a ciência não conseguirá mais responder, mais pela fé estas verdades continuarão sendo entendidas.

À primeira vista, somos inclinados a ler o versículo 3 com o versículo 1 e considerar o versículo 2 o título lógico da lista dos homens de fé. Mas não temos justificativa para reorganizar o plano do autor. Ele começa suas ilustrações sobre a demonstração da fé com um comentário sobre a criação. Ninguém estava presente na criação para observar a formação do mundo. “Onde estavas tu quando eu lancei os fundamentos da terra?” Deus pergunta a Jó (38.4). Ao usar o plural entendemos, o autor inclui a si e a todos os seus leitores na confissão de que Deus criou o mundo. (Kistemaker, S. (2013). Hebreus. (C. A. B. Marra, Org., M. Tolentino & P. Arantes, Trads.) (2a edição, p. 429). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.)

Sendo assim, não podemos racionalizar completamente a fé. Ela deve sim, nos pontos permitidos, mas de maneira geral a segurança e a certeza, permanecem nascendo dentro de nós com base no que não é visível.

A Fé e a Vitória Sobre o Mundo

O que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. (1 João 5.4)

O cristão que tem uma conversão real e desenvolve um relacionamento sincero com Jesus Cristo, é nascido de Deus. Como consequência desse novo nascimento, a fé implantada em seu interior pelo Espírito Santo o conduzirá a uma vida vitoriosa sobre o Diabo e o pecado.

“Esta é a vitória”. Observe que João não diz: “Este é o vencedor”. Ele escreve sobre “a vitória” para mostrar que o próprio conceito é importante. Vitória e fé são sinônimos. João diz aos seus leitores que a fé venceu o mundo. É claro que sua fé está em Jesus Cristo, o Filho de Deus. Quando os crentes colocam sua fé sobre Jesus, então nada pode separá-los do amor de Deus em Cristo Jesus (Rm 8.37–39; 1Co 15.57). Nenhum poder maligno neste mundo é capaz de sobrepujar a pessoa que confia em Jesus. Pelo contrário, o crente é vitorioso sobre o mundo porque sua fé está no Filho de Deus. (Kistemaker, S. J. (2006). Tiago e Epístolas de João. (C. A. B. Marra, Org., S. Klassen, Trad.) (1a edição, p. 469). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.)

Ou seja, uma fé sadia em Jesus Cristo, mesmo quando é submetida as mais severas provações, não se entrega ou desiste. Ela permaneça firme e resiliente em seu propósito de permanecer em Deus e com Ele, não importa o que aconteça.

Os Milagres

Jesus respondeu: “Eu lhes asseguro que, se vocês tiverem fé e não duvidarem, poderão fazer não somente o que foi feito à figueira, mas também dizer a este monte: ‘Levante-se e atire-se no mar’, e assim será feito. E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão”. (Mateus 21:21,22)

Por fim, há o aspecto da fé no que se refere a realização do extraordinário, dos milagres. No exemplo da figueira, o Senhor Jesus nos mostra que aquilo que for pedido em oração e crendo, alinhado ao propósito de Deus nos será concedido.

“Esta montanha” é o Monte das Oliveiras; “o mar” é o Mar Morto. Tomado literalmente, precipitar essa montanha no mar significaria um salto de cerca de 1.200 metros. Ora, não teria sentido tentar, por concentração de fé, precipitar o Monte das Oliveiras no mar. A figura dramática, à luz de seu contexto, que fala de fé e oração, significaria, portanto, que nenhuma tarefa que esteja em harmonia com a vontade de Deus é de realização impossível por parte daqueles que não duvidam. (Hendriksen, W. (2010). Mateus. (V. G. Martins, Trad.) (2a edição em português, Vol. 2, p. 330). Cambuci; São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.)

Muitas pessoas têm se frustrado neste ponto, primeiro porque não creem sinceramente, depois, porque pedem desesperadamente por algo que não está no centro da vontade de Deus.

Por exemplo, eu e Carol perdemos o nosso primeiro filho. Ele não chegou a nascer, algo que foi extremante difícil e doloroso de suportar.

Lembro que várias das minhas orações durante a adolescência e mesmo depois de casado, era que os meus filhos não morressem no ventre. Eu sei que essa é a soberana vontade de Deus para o ser humano.

Contudo, o Senhor Deus tem os seus caminhos, e na sua soberania, ele permite que situações ocorram em nossas vidas, sem a menor explicação. De toda forma, o nosso posicionamento de fé, deve ser o de confiar.

Neste caso, eu prefiro esperar até o fim pelo milagre, do que alimentar a incredulidade. Prefiro receber um não a fé, do que o sim da incredulidade.

Agradando a Deus

Sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem dele se aproxima precisa crer que ele existe e que recompensa aqueles que o buscam. (Hebreus 11:6)

Muitos cristãos no Brasil estão preocupados com o que vestir, comer e o dia que devem guardar como descanso, em contrapartida são completamente incrédulos. Dominados pelo medo e o pecado, se tornaram fariseus religiosos ao invés de crente sinceros.

Em poucas palavras o escritor aos Hebreus nos diz como devemos ser agradáveis a Deus: Crendo!

Esse crer, implica em amá-lo com nossa obediência a Sua palavra e na maneira como amamos ao próximo. Ou seja, está muito além do ir a Igreja e dos ritos religiosos.

Esse texto ensina uma verdade espiritual que toca a vida espiritual de cada crente. É uma das mais eloquentes expressões sobre a fé e a oração na Epístola aos Hebreus. Por comparação, a declaração de Paulo que “tudo que não vem da fé é pecado” (Rm 14.23) é curta. Em um versículo muito bem construído, o escritor de Hebreus comunica o método de agradar a Deus, a necessidade de crer em sua existência e a certeza da oração respondida. (Kistemaker, S. (2013). Hebreus. (C. A. B. Marra, Org., M. Tolentino & P. Arantes, Trads.) (2a edição, p. 437). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.)

Não que a liturgia, os símbolos e os elementos visíveis do crer, não sejam importantes. Mas não são o determinante. Determinante são as nossas atitudes relacionadas a prática de fé.

Conclusão

A fé é o elemento mais importante do nosso relacionamento com Deus. Através dela somos capazes de compreender os vários aspectos do “crer” e entender a origem da vida e como devemos nos comportar diante das adversidades e da expectativa de um futuro melhor.

Sem o desenvolvimento de uma fé sadia em Jesus Cristo, jamais seremos agradáveis a Deus. Por outro lado, desenvolvendo-a experimentaremos o sobrenatural e o melhor de Deus para nossa vida.

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