A afirmação de que Jesus é Deus é o fundamento do cristianismo, mas há várias doutrinas que a refutam como verdade e apresentam pensamentos e posicionamentos teológicos e filosóficos alternativos para a apresentação que as Escrituras Bíblicas nos fazem do Filho de Deus.

Neste estudo, quero analisar com você um dos textos mais contundentes na defesa de que Jesus é de fato, Deus.

Essa controvérsia não é nova, surgiu ainda no primeiro século e foi fortemente combatida pelos apóstolos, especialmente por João.

Então, fique confortável. Pegue uma bebida, esqueça as notificações do celular e as distrações, e leia o texto até o final.

PARTIU!

Jesus, o Verbo de Deus

O início do Evangelho de Jesus Cristo segundo João, é bem diferente do início dos evangelhos escritos por Mateus, Marcos e Lucas.

Mateus nos apresenta o nascimento de Jesus, Marcos começa falando sobre o ministério de João Batista e Lucas inicia com o nascimento de João Batista.

João, por outro lado, inicia a apresentação da pessoa de Jesus, desde a eternidade. E faz isso, chamando Jesus de Verbo, a Palavra Eterna de Deus.

Ou seja, a intenção de João, é nos mostrar que Jesus é Deus a partir da sua encarnação, começando às margens do rio Jordão até suas aparições após a ressurreição.

A expressão grega que é utilizada para Verbo, é logos, normalmente traduzida por palavra, sendo uma representação da maior fonte de conhecimento da humanidade, no primeiro século.

Muitos estudiosos e filósofos seculares da época, utilizavam a mesma expressão em seus documento, mas não conseguiam aprofundar sua explanação por falta de conhecimento.

Por outro lado, quando o apóstolo João vai falar sobre o assunto, se sente muito à vontade, pois o conheceu de perto, tendo convivido com Ele.

“No Princípio Era o Verbo”

Ao dizer que Jesus é o logos, João nos diz que Ele estava com Deus antes que a Criação e o tempo, como conhecemos, existissem. Sendo assim, Ele é a encarnação de todo o conhecimento humano.

Nos dias em que João escreveu o Evangelho que leva seu nome, o termo logos era utilizado pelos filósofos para fazer referência ao poder invisível que mantinha o Universo em perfeita organização e harmonia.

Para os judeus, o logos era a atuação de Deus na criação, uma expressão que fazia referência direta a sabedoria do Eterno.

Ao dizer que “No princípio [Jesus] era o Verbo (logos)”, o apóstolo João nos diz que Ele existia desde a eternidade, sendo essa uma afirmação contundente para provar que Jesus é Deus.

“E o Verbo Estava Com Deus”

Ao dizer que Jesus, o Verbo, estava com Deus (João 1.1), o autor nos apresenta duas pessoas distintas, mas com a mesma essência.

Essa afirmação é uma espécie de bússola para o leitor. A intenção de João, é que o todo o conteúdo deste Evangelho seja lido com base nesta afirmação, mostrando que tudo o que Jesus fez, são obras de Deus.

A expressão “e o Verbo estava com Deus” nos apresenta duas pessoas distintas na Trindade, porém, há uma relação de intimidade tão estreita entre eles, que podem ser considerados como um só.

“O Verbo Era Deus”

Ao fazer essa afirmação em João 1.1, o autor está declarando claramente, pelo Espírito Santo que Jesus é Deus.

É importante dizer, que muitas heresias são feitas a partir deste texto, pois interpretes mal-intencionados dizem que este texto no original, deveria ser traduzido como “e o Verbo era um deus”.

O argumento deles se baseia no fato de que no texto original não há artigo definido antes da palavra Deus. Outros hereges dizem que Jesus é uma espécie de deus menor, neste sentido Ele seria uma espécie de anjo, como Miguel e Gabriel, por exemplo.

Contudo, estas interpretações são um grande erro. Jesus é Deus, com o Pai e com o Espírito Santo, e não é nem menor ou maior, mas Um com Eles, em essência e Divindade.

Sobre a Divindade de Jesus o apóstolo Paulo, inspirado, fez a seguinte declaração: “Deles são os patriarcas, e a partir deles se traça a linhagem humana de Cristo, que é Deus acima de tudo, bendito para sempre! Amém”. (Romanos 9:5).

Jesus é Deus e sempre foi!

Criador de Todas as Coisas

Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. (João 1:3)

Jesus participou de todo o processo da Criação, ao lado de Deus Pai e do Espírito Santo, algo que confirma de maneira contundente Sua Divindade.

Quando lemos Gênesis 1, vemos que todas as coisas foram criadas pelo poder do logos de Deus, isto é, da Sua Palavra.

Tendo isso em mente, e lendo a afirmação de João, entendemos claramente qual a função de Jesus na Criação: Ser o Agente do poder de Deus.

Os gnósticos dizem que é impossível ter Deus se revelado plenamente na humanidade de Jesus porque tudo o que é matéria está corrompido, sendo assim, na humanidade de Cristo, Deus teria se tornado corruptível.

A afirmação de João refuta este pensamento, e nos mostra que o logos esteve presente na Criação, e se fez carne para estar conosco e entre nós.

Fonte de Vida

Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. (João 1:4)

Jesus é a fonte de vida abundante mas é também a própria vida (Ver João 14:6). Essa característica é mais uma prova que Jesus é Deus, visto que Ele é o autor da vida.

O termo grego que o autor utiliza para vida (v.4) é zoe e significa: estado de alguém que está cheio de vitalidade ou é animado, da absoluta plenitude de vida, tanto em essência como eticamente, que pertence a Deus e, por meio dEle, ao “logos” e a Cristo, em quem o logos assumiu a natureza humana.

Ou seja, Cristo é a fonte de toda a plenitude de vida que Deus preparou para o ser humano.

Fonte de Luz

A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram. (João 1:5)

Além de Jesus ser a fonte de vida plena para o ser humano, Ele é também, a fonte de luz. Isso significa que ele nos ilumina, tanto física quanto espiritualmente.

Ele ilumina o caminho que nos leva a uma comunhão real, profunda e duradoura com Deus. Jesus é único caminho com iluminação e sinalização suficiente para tornar o acesso a Deus, possível (Veja João 8:12).

A iluminação do Verbo nos conduz em esperança, tanto para a vida eterna, quanto para as questões difíceis desta vida. Temos a certeza de que com Ele, somos mais que vencedores.

Ao dizer que as trevas não conseguem derrotar a luz que é Jesus, João nos mostra que elas são incapazes de se opor a Ele, por mais que tentem e não importando sua densidade, elas não vencerão.

Trevas aqui, são a representação de toda forma do mal. Pessoas, sistemas, leis, Satanás, enfim, nenhum deles é capaz de derrotar a Soberania e o poder do Senhor Jesus.

A Missão de Jesus o Verbo de Deus

Em João 1:10-14, vemos a descrição que o autor nos apresenta sobre a missão de Jesus. Primeiro ele nos mostra que o Filho de Deus veio para estar entre nós (v.10).

Ou seja, há um desejo intenso no Senhor de relaciona-se com a sua Criação como um todo, principalmente com o ser humano.

Contudo, mesmo sendo Seu desejo, não é o desejo natural da humanidade, reconhecê-Lo como Deus.

Como nos mostra o apóstolo Paulo, mesmo a revelação visível de Deus em Jesus, os homens rejeitaram este conhecimento (Romanos 1:28). Com suas inclinações e escolhas, o ser humano continua a rebelar-se contra o Verbo, que é a Palavra.

De qualquer forma, como sem se importar com essa indiferença, O Verbo de Deus se manifestou para ter comunhão conosco e nos salvar (Veja João 3:17).

Rejeitado

Mesmo com toda sua dedicação, Jesus foi rejeitado (v.11). Com tanto amor, inteligência, excelência, dentre tantas outras coisas Ele nos criou e para diminuir um pouco a distância provocada por Sua infinitude, se fez um de nós, mas mesmo assim, foi rejeitado.

Essa rejeição, especificamente falando, refere-se aos judeus, povo que Ele escolheu em Sua Soberania para ser a nação modelo de fé e desenvolvimento, para as outras nações.

Jesus é Deus, mas mesmo assim não impôs a Sua vontade para ser aceito, Ele prefere um relacionamento baseado no amor e no desejo de estar voluntariamente perto.

Por cerca de 2000 anos Ele tentou se revelar a Israel de maneira profunda e pessoal, mas todas os Seus métodos foram rapidamente rejeitados, inclusive a Sua humanidade em Jesus, que até hoje não é reconhecida por eles.

Jesus é Deus e Nos Torna Filhos!

Em contraste a rejeição, João nos mostra que aqueles que creram em Jesus  e acolheram como Deus me seus corações, foram feitos filhos de Deus (João 1:12,23).

Não se importando com os números, o Senhor está convidando a qualquer pessoa, para recebe-Lo em sua vida e permitir que Ele faça as reformas necessárias para uma vida abundante.

Há quem diga que todos somos filhos de Deus, mas isso é um grande engano. Somos todos, originalmente, criaturas, mas somos feitos filhos, por meio do arrependimento e da fé em Cristo.

Nesse processo, não temos mérito algum (Efésios 2:8,9), é tudo por Ele e para Ele. É a manifestação da graça de Deus.

É uma obra profunda e sem precedentes, não é à toa, que o Senhor Jesus a chama de novo nascimento.

O Verbo de Deus Entre Nós

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós…” (João 1:14)

Jesus é Deus, mas mesmo assim escolheu vir, Ele mesmo e morar conosco aqui na Terra. Não foram apenas alguns dias, tipo férias, não.

Ele veio viver a nossa vida, com a forma mais simples dela, sem privilégios, sofrendo as nossas dores, pressões, injustiças e exposto às nossas calamidades.

Foram 33 anos de muita luta, mas Ele não as evitou, Deus habitou entre nós. Em sua humanidade e humildade, o Senhor Jesus uniu a Divindade e a humanidade em um único corpo.

Tratados Graciosamente

“…e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”. (João 1:14)

Jesus é Deus, e nos revela isso de maneira gloriosa e graciosa ao mesmo tempo. No Antigo Testamento, vemos o aspecto severo e implacável do Senhor, muitas vezes, mas em Cristo somos apresentados a uma perspectiva inédita da Divindade até então.

Somos convidados por Jesus de maneira gentil, compreensiva e amorosa, para uma relacionamento pessoal e abundante em amor, tal como é o de um pai com seu filho.

Toda a glória de Deus que é descrita na Antiga Aliança, por meio da saída do povo de Israel do Egito, da abertura do Mar Vermelho, da maná, da carne e da água no deserto, são fatos extraordinários, mas todos foram superados na revelação da bondade de Deus, em Jesus Cristo.

A Descrição Superior de Jesus Como Deus

“Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou”. (João 1:18)

Antes de Jesus iniciar seu ministério, sua vinda foi predita por João Batista. Este anunciava a Jesus como alguém superior e eterno.

Isso é uma fato, Cristo nos revelou a plenitude da graça como a essência de quem Deus é. Isso faz coro com o que João nos diz 1 João 4:8, ao declarar que Deus é amor.

Enquanto Moisés apresenta a Lei à humanidade, Jesus nos apresentou a graça e a verdade.

Além de ter sido o único que obedeceu a toda a Lei, cumprindo seus requisitos, Jesus é superior a todos na interpretação dela. Por isso, Ele é capaz de nos expor a verdade.

Até a encarnação de Jesus, ninguém jamais tinha visto a Deus. Nem Adão, ou Abraão, ou mesmo Moisés. Mas em Jesus, Deus se tornou visível e acessível a todos.

Deus nunca foi visto por alguém, mas em Jesus Ele tirou todas as cortinas.

Conclusão

Jesus é Deus, e isso é irrefutável. Ao dizer que Jesus é o Verbo de Deus, João nos mostra que as profecias, os sinais antes de seu nascimento e depois, Seu ministérios, Sua morte e ressurreição e posteriormente Sua aparição a João na Ilha de Patmos, são evidências contundentes de Sua Divindade.

Ele não é apenas um profeta como Moisés, ou um anjo como Gabriel, Jesus esteve na Criação de todas as coisas ao lado de Deus Pai e do Espírito Santo, sendo o agente da Criação, a materialização da Palavra que saía da Divindade.

Por fim, como Deus Ele é o nosso Redentor, aquele que se fez homem e veio nos salvar dos nossos pecados, possibilitando um acesso real a um relacionamento estreito com Deus.

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