A parábola dos dois fundamentos é ministrada por Jesus, em uma ocasião em que as pessoas lhe reverenciavam com os lábios, mas não lhe reverenciavam com sua obediência. Ela é parte do Sermão da Planície ou Sermão da Montanha.

Seu valor espiritual e prático é profundo e abrangente. Portanto, devemos prestar bastante atenção aos seus significados e verdades.

Sendo assim, eu lhe convido a relaxar. Ignore as notificações das redes sociais durante a leitura e prepare-se. A CONSTRUÇÃO VAI COMEÇAR!

A Parábola dos Dois Fundamentos e o Senhorio de Cristo

“Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo? (Lucas 6:46)

Na ocasião em que essa multidão se dirige a Jesus chamando-o “ Senhor, Senhor!”, o mínimo que seria capaz declarar é que elas reconheciam o caso de que lhe deviam fidelidade.

A proposta é que elas também lhe atribuíam glória e soberania divina; isto não pode ser suprimido dessa expressão. Na variante grega do Antigo Testamento – a tradução da Septuaginta (LXX) –, o tetragramaton (o nome de quatro consoantes YHWH) é citado através da palavra grega Kurios, ou seja, Senhor.

Porém qualquer que fosse o nível de grandeza que tais indivíduos davam ao Senhor Jesus no momento em que o chamavam “ Senhor, Senhor!”, ele afirma enfaticamente que eram desonestas; visto que, enquanto o confessam como seu Senhor, não podem ser submissos a ele.

Dessa maneira Jesus volta o questionamento de modo direto para eles: “Por que vocês me chamam “ Senhor, Senhor?”

Que, no que diz respeito à salvação do homem, realizar de fato a vontade do Senhor é de suprema relevância, é agora publicado na notável parábola dos dois fundamentos. Como já foi recomendado, essa parábola se encontra igualmente em Mateus (7.24–27).

Nos dois Evangelhos ela apresenta a resposta da pregação, assim como as duas as Beatitudes firmam o início. As semelhanças entre os dois relatos dessa parábola são várias e tão notáveis que se reconhece frequentemente que estamos perante da mesma história ilustrativa.

Os Dois Fundamentos e a Inundação

Eu lhes mostrarei a que se compara aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as pratica. É como um homem que, ao construir uma casa, cavou fundo e colocou os alicerces na rocha. Quando veio a inundação, a torrente deu contra aquela casa, mas não a conseguiu abalar, porque estava bem construída. (Lucas 6:47,48)

A declaração, “lhes mostrarei a quem se assemelha”, indica que Jesus pretende que todos ouçam atenciosamente, visto que sem sua explicação o pensamento não ficaria correto.

O primeiro construtor é um homem previdente, um indivíduo cauteloso. Ele compreende que o tempo bom e sem nuvens não durará. Chegará a época das chuvas apresentando inundações e desastres. Por isso a escavação deve ser profunda mais e mais até que, por fim, toque o fundo rochoso. Sobre esse constrói uma fundação e edifica a moradia.

Na explicação da parábola dos dois fundamentos, Jesus reforça que o intuito alegórico do que o primeiro construtor faz é o seguinte. Ele representa todo aquele que vai a Jesus, ouve suas palavras e as considera muito importante. Põe em execução tudo o que Jesus ordena, visto que pôs sua segurança nele.

Esse ser está edificando sobre um verdadeiro alicerce, o que se firma na Rocha, Jesus (Is 28.16; cf. 1Pe 2.6; veja igualmente Rm 9.33; 1 Co 3.11; 10.4; etc.). Além disso, inclusive se aplica a Jesus o que se diz de Deus como a Rocha do fiel (Dt 32.15, 18; Sl 18.2; 89.26; Is 17.10). Veja C.N.T. sobre Efésios 4.8–10.

Chega o dia da prova. Inicia a época das chuvas. Dos montes começam a cair ribeiros. Unem-se e formam uma torrente, profunda, rápida e furiosa. Ela choca-se com rigor em oposição a residência do primeiro construtor. Contudo, as águas impetuosas e turbulentas não podem nem sequer mesmo movê-la. Ela resiste à tremenda energia da torrente devastadora.

No momento em que a violência da natureza passa totalmente, lá está a casa, nem sequer um pouco abalada, após o selvagem tratamento recebido. Motivo: foi bem construída e possui sua fundação firme sobre a rocha.

Os Dois Fundamentos e a Promessa Abrangente

Dessa maneira igualmente é para todos, até mesmo para todo receptor do evangelho, a prova ou crise. Vem em muitas formas e de métodos distintos: provas, tentações, perdas, morte, o julgamento final. Várias vem de maneira dramática e repentinamente. Isto se aplica especificamente ao dia do julgamento (Lc 17.24; cf. 21.27, 34b, 35; 1Ts 5.2).

Porém, no que diz respeito ao primeiro construtor, qual é o resultado?

De modo algum encontra-se humilhado. Ele recebe virtude para todas as provações. Mesmo o dia do Julgamento é para ele o dia de vitória .

Os Dois Fundamentos e a Areia

Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica, é como um homem que construiu uma casa sobre o chão, sem alicerces. No momento em que a torrente deu contra aquela casa, ela caiu, e a sua destruição foi completa”. (Lucas 6:49)

O segundo construtor da parábola dos dois fundamentos edifica sua moradia sobre o cascalho frouxo. Considera sem necessidade qualquer tipo de fundação. Parece pensar que os dias ensolarados e radiantes de modo algum vão mudar.

Esse representa o homem que segue os conselhos de seu próprio desejo pecaminoso. Com certeza que ouve as palavras de Jesus, no entanto não põe nele sua . Então, de modo nenhum obedece aos mandamentos do Senhor.

É claro que não seja preciso qualquer força notável da torrente enfurecida, ao chocar-se em oposição a segunda casa, para vencer suas paredes e arrojá-las no pó e cascalho sobre os quais foi construída.

Com grande estrépito, a casa do homem insensato caiu na água e foi arrastada, deixando destroços da desgraça espalhados por toda parte. A queda da casa foi completa.

A queda que aguarda os que estão edificando apenas sobre a argila ou sobre a pó, cuja casa carece de fundação, é descrita no final da pregação, certamente com o objetivo de abalar a mente dos ouvintes e de todos os que em seguida entrariam em conexão com essa fundamental doutrina, que sua reação diante dessas palavras do Senhor possui significação para toda a eternidade.

Então, na verdade o anúncio do desastroso fim dos incrédulos é uma expressão da graça de Cristo, como insinua o solene chamamento ao remorso amplificado a cada um dos que também estão vivendo no dia da graça.

Hendriksen, W. (2014). Lucas. ( Cousa. G. Martins, Trad.) (2a união, Vol. 1, p. 450). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

Conclusão da Parábola dos Dois Fundamentos

A parábola dos dois fundamentos nos mostra que se Cristo for “Senhor”, apenas em nossos lábios a nossa fé é insignificante. A declaração dos nosso lábios devem ser confirmadas pela coerência do nosso comportamento.

Isto é, devemos nos sujeitar a Jesus e aos seus mandamentos, e quando cairmos em tentação, deve haver em nós a sensibilidade necessária para o arrependimento.

O homem que edificou sua casa sobre a rocha, foi capaz de vê-la suportar todo o ímpeto da tempestade. Passada a calamidade, lá estava ela no mesmo lugar.

A minha oração é que seja assim conosco. Que as palavras do Filho de Deus, sejam os alicerces da nossa vida.

Referências

  1. Hendriksen, W. (2014). Lucas. ( Cousa. G. Martins, Trad.) (2a união, Vol. 1, p.447 – 450). São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã.

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